Pernambuco e seu Carnaval Democrático
O Carnaval chegou e já vem levantando os foliões nas semanas pré carnavelesca
O Carnaval chegou e já vem levantando os foliões nas semanas pré carnavelescas e como o Galo da Madrugada iniciando seu reinado no centro de Recife.
Sem dúvida, uma das maiores manifestações culturais do planeta com vários símbolos disto em nosso Estado multicultural, quer seja com o Galo da Madrugada, o Homem da Meia Noite, os Papangus de Bezerro, os Caretas de Triunfo, os Caboclinhos e muitos outros grupos que só encontramos nesta terra maravilhosa.
Como é lindo assistir o sorriso do povo nas ruas entoando canções de nos lembram do passado e nos embalam para o futuro.
Como vibrante são os ritmos de nosso carnaval.
As "sinfonias" do Carnaval de Pernambuco referem-se à rica e sofisticada musicalidade do Frevo, especialmente o Frevo de Bloco (executado por orquestras de pau e corda) e o Frevo de Rua (instrumental, com foco nos metais). Frequentemente chamadas de "sinfonias populares" devido à complexidade de seus arranjos e orquestrações, essas obras definem a identidade cultural do estado.
O repertório é marcado por mestres que elevaram o frevo ao status de música de concerto popular, como Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa), Nelson Ferreira, Edgard Moraes, Levino Ferreira, J. Michiles.
Ao mesmo tempo clássico, popular e democrático é nosso carnaval.
Há uma forma democrática de curtir o Carnaval em nosso Estado, com espaço para todos os gostos dos foliões, acontecimento raro nos demais Estados do País.
Desejo que essa festa contamine o modo de enxergar o Brasil, até porque Democracia deve estar sempre em construção e deve ser levada a sério, mas construída buscando a felicidade de todos, não de alguns que vivam a sombra de um Autoritarismo.
Uma festa do povo para o povo e que ao acabar reste a alegria e este espírito.
Cito abaixo texto de Jacy Afonso de Melo no artigo, Democracia: Alegria cívica para enfrentar o presente e construir o futuro:
“Não podemos perder a referência de que a democracia é um bem em todos os momentos históricos, independentemente das circunstâncias. Não é um fim em si. É uma ferramenta indispensável para a construção contínua da cidadania, da justiça social e da liberdade compartilhada. É a garantia do princípio da igualdade entre todas e todos.”
O filósofo Mario Sergio Cortella afirma que para aprimorar a democracia falta-nos alegria cívica, falta-nos capacidade de olhá-la como um patrimônio e não como um encargo que dá trabalho, pois nos obriga ao movimento, ao debate, a ter de fazer escolhas e nos responsabilizar por elas.
Nossa cidadania sofre uma espécie de osteoporose; fratura-se com facilidade, em parte por condições históricas, mas também porque o processo democrático não é nossa prioridade. Boa parte da sociedade brasileira passou à margem das decisões e ainda não entende que necessita fazer da democracia capacidade de construir e proteger, de forma coletiva, nossos ideais e nosso futuro.
Precisamos nos encantar com a democracia, cuidando dela como protegemos aquilo que nos é precioso.
E reafirmamos Cortella: “Alegria cívica é a possibilidade de vibrarmos com a condição de a democracia estar entre nós. Ainda jovem, estruturando sua condição, mas como algo que no nosso horizonte nos dará muito mais efusividade de participação””.
É isso que se sonha, com a construção alegre e vibrante da democracia, como é o Carnaval.
Brindemos a Democracia e o Carnaval meus querido Pernambucanos e vamos contagiar o Brasil e o Mundo.
Sérgio Ricardo Araújo Rodrigues. Advogado e Professor Universitário.