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Um notável pernambucano

Nestes tempos em que perplexos e constrangidos assistimos à decadência dos homens públicos, em todos os poderes e níveis, em que a nobre atividade empresarial, que foi base de uma sociedade progressista, justa e que privilegiava o mérito pelo trabalho e sua qualidade, recordar grandes exemplos do passado recente é saudável

Por Aristóteles Drummond

Bandeira de Pernambuco

Nestes tempos em que perplexos e constrangidos assistimos à decadência dos homens públicos, em todos os poderes e níveis, em que a nobre atividade empresarial, que foi base de uma sociedade progressista, justa e que privilegiava o mérito pelo trabalho e sua qualidade, recordar grandes exemplos do passado recente é saudável.

Depois de um longo período de austeridade e dedicação a uma grande obra, em nome de uma democracia que nunca foi atingida, a ação predatória da corrupção, do compadrio, do despreparo cresceu até este ponto extremo que estamos vivendo.

Fica difícil para os mais jovens acreditarem que tivemos meio século de serviços prestados de maneira exemplar por um Imperador e que a República, aos trancos e barrancos, formou uma elite com qualidades éticas e morais inquestionáveis. Getúlio Vargas governou 15 anos no autoritarismo, austero, de mãos limpas, assim como a oposição a ele formada por brasileiros ilustres como os signatários do Manifesto dos Mineiros, que foi o início do fim da ditadura. O chamado regime militar reuniu cinco presidentes que legaram uma grande obra e reuniram no governo exemplares servidores públicos. Sarney, Itamar e Fernando Henrique conseguiram administrar as pressões da nova classe política.

Essas observações vêm a propósito do aniversário há dias de um ilustre pernambucano de relevantes serviços prestados ao Brasil: Everardo Maciel. Ele pertence a um grupo de servidores do Ministério da Fazenda e organismos próximos que incluiu Ernane Galvêas, Cid Heráclito Queiroz, Carlos Tadeu, Benedito Moreira Pedro Malan e Maílson da Nóbrega, entre outros.

Restam ilhas de eficiência no Itamaraty, Banco Central, Banco do Brasil e, claro, nas Forças Armadas, além de focos de resistência no Judiciário.

A sociedade mais responsável do Brasil precisa se pronunciar sobre este quadro e uma das maneiras é a de valorizar os que fazem de suas atividades um apostolado pelo progresso material e espiritual do Brasil, seja no setor público como no privado.

Everardo Maciel é motivo de orgulho não só para sua família como para os pernambucanos e o que resta de elite no serviço público federal.

Pernambuco marcou uma grande parte da história de nossa diplomacia, desde Nabuco. Exemplos recentes em Mário Gibson, Holanda Cavalcante, os dois Cabral de Melo. E hoje tem no Ministro João Múcio uma ilha de bom senso e categoria neste governo.