OMS redefine o que é bem-estar materno
A mudança é profunda porque reconhece que o bem-estar materno não é só ausência de doença
Durante décadas, o mundo mediu a maternidade quase só pela régua da sobrevivência: “mãe viva, bebê vivo”. Em setembro de 2025, a OMS, Organização Mundial da Saúde, deu um passo histórico ao publicar, pela primeira vez, uma definição global e um marco conceitual de bem-estar materno, deslocando o foco do “não morrer” para o “conseguir viver bem”, no período que vai da concepção até 12 meses após a gestação.
A mudança é profunda porque reconhece o que tantas mulheres sempre sentiram, mas raramente viram nomeado, que o bem-estar materno não é só ausência de doença. É um estado positivo, influenciado por fatores de saúde, cuidado recebido, segurança, vínculos, autonomia e cultura. A OMS descreve seis domínios interligados: saúde e nutrição, provisão e experiência do cuidado, segurança/ambiente sustentável, relações e conexão, autonomia/agência/resiliência, e cultura e valores.
Na prática, isso muda o jeito de pensar políticas públicas e atendimento. Uma gestante pode estar clinicamente bem e, ainda assim, estar sem bem-estar, ou seja, humilhada em consultas, sem rede de apoio, vivendo medo em casa, sem poder decidir ou sem acolhimento. O marco da OMS diz: que isso importa e deve ser medido, prevenido e cuidado.
Para as famílias, esse conceito é um convite a uma ética do cotidiano. Por exemplo, perguntar “você está bem?” não só como formalidade, mas como cuidado real. Para serviços de saúde, é um compromisso com o cuidado respeitoso, escuta, informação e dignidade. Para a sociedade, é um lembrete de que mãe não é função; mãe é pessoa e precisa de suporte para florescer.
Violência doméstica: dano moral é presumido e não exige prova de sofrimento
Uma virada jurídica importante reforçou a proteção da mulher: a Corte Especial do STJ, Superior Tribunal de Justiça, em decisão de 15 de dezembro de 2025, consolidou que o dano moral decorrente de violência doméstica e familiar contra a mulher é “in re ipsa”, ou seja, presumido. Na prática, não é necessário provar dor, trauma ou sofrimento psicológico, pois basta comprovar o fato gerador.
Esse entendimento reduz um problema frequente, que é a revitimização. Exigir que a vítima prove a própria dor, em detalhes, muitas vezes reabre feridas e cria uma barreira para a reparação. Ao reconhecer o dano como inerente à violência, o Judiciário afirma que a dignidade foi atingida e isso gera consequência civil.
E a pergunta prática é: como registrar provas sem se colocar em risco?
1) Priorize sua segurança. Se houver risco iminente, saia do ambiente e procure ajuda local (rede de confiança, Delegacia, Defensoria, serviços de apoio).
2) Preserve conversas e ameaças. Faça prints com data, perfil/telefone e contexto. Se possível, exporte a conversa e guarde em local seguro (e-mail alternativo, nuvem com senha).
3) Faça backup do que some. Conteúdos podem ser apagados; por isso, registre cedo.
4) Fortaleça a prova digital. Para dar mais robustez, existe a ata notarial em cartório; a Defensoria explica que o tabelião certifica o que foi exibido no celular, preservando a autenticidade.
5) Não confronte para “arrancar confissão”. Prova não vale uma escalada de risco. A justiça não exige que você se destrua para ser acreditada. Registre com inteligência, com apoio, e com prioridade absoluta: sua integridade.
Hollywood anda para trás: número de mulheres diretoras de blockbusters cai nos EUA em 2025
Enquanto o discurso público sobre diversidade avança, os números mostram um movimento inverso em Hollywood. Em 2025, o número de mulheres na direção de blockbusters produzidos por grandes estúdios nos Estados Unidos caiu, segundo relatório recente coordenado por Stacy L. Smith, pesquisadora ligada à Annenberg Inclusion Initiative. O dado chama atenção não apenas pela queda em relação ao ano anterior, mas pelo que ele revela sobre onde, de fato, estão os gargalos de poder na indústria audiovisual.
O estudo aponta que a retração é específica das grandes produções comerciais, aquelas com altos orçamentos, grande distribuição e impacto global. É justamente nesse espaço, onde estão o prestígio, o retorno financeiro e a consolidação de carreiras, que a presença feminina diminui. O recado implícito é claro, ou seja, quando o risco financeiro cresce, o comando ainda é majoritariamente masculino.
O contraste aparece fora do circuito dos grandes estúdios. Em ambientes mais independentes e curatorialmente orientados, como festivais de cinema, o cenário é outro. Nos últimos anos, a presença de mulheres na direção tem sido igual ou superior à dos homens, revelando que talento, preparo e visão artística não são o problema. A diferença está no acesso às estruturas que decidem quem dirige os projetos mais caros e visíveis.
Isso desmonta um argumento recorrente de mercado, de que faltariam mulheres prontas para comandar grandes produções. Quando o ambiente permite escolhas mais abertas, as mulheres dirigem e dirigem bem. Quando o capital se concentra, o espaço se fecha.
A queda registrada em 2025 expõe uma questão estrutural: diversidade não se sustenta apenas em discursos ou exceções simbólicas. Ela depende de decisões concretas, repetidas e mensuráveis, especialmente nos níveis mais altos da cadeia produtiva.