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Mães também sofrem com filhos narcisistas

Existe uma forma de adoecimento emocional pouco reconhecida socialmente, aquela vivida por mães que convivem com filhos narcisistas

Por Cláudia Molina

Mães também sofrem com filhos narcisistas

Existe uma forma de adoecimento emocional pouco reconhecida socialmente, aquela vivida por mães que convivem com filhos narcisistas. Não é exagero, nem drama, mas um processo contínuo de desgaste psíquico, que acontece dentro de casa, muitas vezes sob o disfarce de vínculo familiar.


Filhos narcisistas adoecem as mães, sobretudo, por meio da desvalorização constante. Nada do que ela faz é suficiente. Seus esforços são minimizados, os sentimentos ridicularizados e sua história apagada. Aos poucos, ela passa a duvidar de si mesma e perde a confiança no próprio julgamento.


Outro mecanismo recorrente é a culpabilização permanente. Se o filho fracassa, a culpa é da mãe, ou se ele sofre, é porque ela não foi boa o bastante. Essa transferência de responsabilidade instala um estado de culpa crônica, que se transforma em ansiedade, insônia e sensação persistente de fracasso.
Há ainda a manipulação emocional, quando o afeto aparece apenas quando a mãe atende às exigências do filho. Quando ela impõe limites, surge o silêncio punitivo, a frieza ou os ataques verbais. A mãe passa a viver em estado de alerta permanente.


Com o tempo, esse ambiente gera adoecimento físico e emocional, sujeito a depressão, crises de ansiedade, dores crônicas, baixa imunidade e isolamento social. Ademais, muitas mães abandonam projetos, amizades e até a própria identidade para tentar preservar a relação.


O sofrimento se agrava, porque a sociedade cobra dessas mulheres uma entrega ilimitada. São julgadas porque, para o imaginário social, mãe não pode falhar, cansar ou adoecer emocionalmente. Quando o amor materno não corresponde ao ideal de entrega absoluta, a culpa recai sempre sobre ela. No entanto, amor não autoriza abuso e reconhecer essa violência silenciosa é um passo essencial para a saúde emocional das mães e maturidade das relações familiares.

Lei Maria da Penha passa a proteger relações homoafetivas e mulheres trans

A decisão do Supremo Tribunal Federal representa um avanço histórico no enfrentamento da violência doméstica no Brasil. Por unanimidade, a Corte decidiu que a Lei Maria da Penha deve ser aplicada também às relações afetivo-familiares de casais homoafetivos e às mulheres travestis e transexuais.


Ao julgar o Mandado de Injunção nº 7452, o STF reconheceu de forma explícita a omissão legislativa do Congresso Nacional em garantir proteção adequada a essas populações, que estão entre as mais vulneráveis à violência dentro do ambiente doméstico. Diante dessa lacuna, o judiciário cumpriu seu papel constitucional de assegurar direitos fundamentais.


A decisão rompe com interpretações restritivas que, na prática, excluíam vítimas reais da proteção legal. Violência doméstica não se define pelo sexo biológico da vítima ou do agressor, mas pela existência de uma relação marcada por afeto, convivência, dependência ou desigualdade de poder.

Lei garante mamografia pelo SUS a partir dos 40 anos

Garantir o acesso à mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos é uma decisão que salva vidas. Não se trata apenas de ampliar um exame, mas de afirmar que a prevenção é um direito fundamental da mulher.


O diagnóstico precoce é um dos fatores mais determinantes para o sucesso do tratamento. Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as chances de intervenções menos agressivas, menor sofrimento físico e emocional e melhores índices de sobrevida. Adiar esse acesso significa empurrar mulheres para diagnósticos tardios.


Durante anos, critérios etários rígidos ignoraram dados clínicos e a realidade de milhares de mulheres, que desenvolvem doenças mamárias antes dos 50 anos. A nova garantia reconhece que a saúde pública precisa dialogar com a ciência e com a experiência médica, não com a burocracia.


A mamografia a partir dos 40 anos reduz desigualdades sociais, especialmente para mulheres que dependem exclusivamente do sistema público de saúde. Para muitas, esse exame representa a única oportunidade de detecção precoce.