Desfile do Homem da Meia-Noite chega à 94ª edição; veja vídeo
Calunga saiu pelas ruas do bairro de Bonsucesso na madrugada deste domingo (15) e festejou a ancestralidade afro-brasileira com o tema Tambores Silenciosos. Conheça mais sobre a história
O Homem da Meia-Noite arrastou uma multidão pelas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda, na madrugada deste domingo (15). Um momento de pura magia e emoção no nosso carnaval. O calunga deixou a sede do bloco, no bairro do Bonsucesso, exatamente à meia-noite.
Este ano, fazendo seu 94º desfile, o calunga olindense teve como tema Tambores Silenciosos e teve seu elegante traje assinado pela estilista Haia Marak.
O tema do desfile de 2026 homenageia o Grupo Bongar, Mãe Beth de Oxum, Maciel Salu, Siba e o Maracatu Nação Pernambuco.
HISTÓRIA DO CALUNGA
O Homem da Meia-Noite foi criado no dia 2 de fevereiro de 1931. Ele abre as festividades de Momo em Olinda com um grandioso cortejo pelas ladeiras, carregando a chave da festa e entregando ao Cariri.
O percurso é marcado por grandes emoções no Sítio Histórico de Olinda, arrastando uma multidão de brincantes com muito frevo no pé. A história do gigante é envolve vários mistérios.
Uma versão diz que o fundador Luciano Anacleto, apaixonado pelo cinema decidiu criar o boneco para homenagear o filme O ladrão da Meia-Noite. Já a segunda história conta que o músico Benedito Bernardino da Silva - que criou a música oficial do calunga e o primeiro boneco - ao ver constantemente um homem elegante, com dente de ouro e vestido de verde e branco na madrugada do domingo, decidiu segui-lo e percebeu que ele pulava as janelas das casas do Sítio Histórico para namorar com as senhoritas na madrugada.
Qual dessas histórias é a verdadeira? Se perguntar ao olindense, ele dirá: as duas. Quando se trata do Homem da Meia-Noite, tudo pode ser tudo e nada se faz sem mistério.
Dando continuidade aos encantamentos e misticismos, o gigante nasceu no mesmo dia em que se comemora a divindade africana Iemanjá, por isso, tem bastante ligação com a religiosidade negra e levanta a bandeira do respeito as várias faces da fé.
No sincretismo, onde os africanos escravizados atribuíam a imagem católica às do candomblé para não deixar morrer as raízes da terra origem, Iemanjá era cultuada no mesmo dia de Nossa Senhora da Conceição.