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Em Pernambuco, 71,6% das mortes maternas atingem mulheres negras, diz Ministério da Saúde

Maioria das mortes maternas no estado atinge mulheres negras, e cenário será discutido em seminário sobre saúde e vulnerabilidade social

Adelmo Lucena

Publicado: 27/04/2026 às 20:47

Gestantes negras representaram 71,6% das mortes maternas registradas em Pernambuco em 2025/Foto: Rodrigo Nunes/MS

Gestantes negras representaram 71,6% das mortes maternas registradas em Pernambuco em 2025 (Foto: Rodrigo Nunes/MS)

Gestantes negras representaram 71,6% das mortes maternas registradas em Pernambuco em 2025, segundo dados de óbito por residência do Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna, do Ministério da Saúde. Ao todo, foram contabilizadas 3.268 mortes maternas no estado, sendo 2.340 entre mulheres negras.

O levantamento mostra que, desse total, 239 mortes foram de mulheres pretas e 2.101 de mulheres pardas. Também foram registradas 881 de mulheres brancas, 15 mortes de indígenas, 3 de mulheres amarelas e 5 casos classificados como brancas ou sem identificação.

Na Região Metropolitana do Recife, foram registradas 1.387 mortes de gestantes negras no ano passado. Esta é a localidade com o maior número de casos.

No Brasil, o cenário também revela desigualdade racial, já que das 68.122 mortes maternas registradas, 39.922 foram de mulheres negras, o que representa 58,6% do total.

Em 2024, Pernambuco registrou 3.424 mortes maternas. Desse total, 2.445 foram de mulheres negras, o equivalente a 71,4%. O dado mostra uma variação discreta entre um ano e outro.

Seminário debate desigualdade racial e acesso à saúde

Os números sobre mortalidade materna e desigualdade racial estarão entre os temas discutidos no 1º Seminário sobre Interseccionalidade e Vulnerabilidades em Saúde, realizado nos dias 28 e 29 de abril, na Fiocruz Pernambuco, no Recife.

Com o tema “Justiça reprodutiva e redução de danos como caminhos entrelaçados para a saúde integral”, o encontro reúne pesquisadores, profissionais da saúde, representantes de movimentos sociais e gestores públicos para discutir como fatores como raça, gênero, classe social e território influenciam o acesso aos serviços de saúde.

"A proposta do seminário é justamente trabalhar o conceito de interseccionalidade, que fala sobre as diferentes matrizes de opressão que atravessam a vida das pessoas, como gênero, raça, classe e território. Isso nos ajuda a compreender melhor por que determinadas populações vivem em condições mais vulneráveis e como isso impacta diretamente no acesso à saúde e aos direitos", explica Arturo Escobar, fundador da Escola Livre de Redução de Danos.

"As mulheres negras e pobres são justamente as que mais morrem e as que menos conseguem acessar serviços de qualidade. Isso mostra a necessidade de uma política pública intersetorial, com uma visão interdisciplinar e interseccional", complementa Arturo.

A proposta é debater de que forma políticas públicas podem reduzir desigualdades estruturais que afetam principalmente mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, usuários de drogas e pessoas em situação de rua.

Entre os assuntos previstos estão justiça reprodutiva, acesso ao aborto legal e seguro, saúde mental, identidade de gênero, sexualidade e políticas de redução de danos para pessoas que usam substâncias psicoativas.

O seminário também vai abordar dados do Relatório Socioeconômico da Mulher (Raseam 2025), que apontam que 49% das mulheres encarceradas no país respondem por crimes relacionados a drogas.

A discussão também inclui a relação entre saúde pública, direitos humanos e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente no atendimento às populações mais vulnerabilizadas.

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