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CONFLITO

Ucrânia enfrenta questão crucial dos estoques de munições

Por: AFP

Publicado em: 06/07/2022 10:14

 (Foto: Max Kukurudziak/ Unsplash)
Foto: Max Kukurudziak/ Unsplash
Desde fevereiro, a guerra na Ucrânia apresentou o espetáculo sombrio de um conflito de alta intensidade no qual a artilharia é decisiva e cujo resultado poderia estar determinado por um elemento logístico essencial: os estoques de munições.

Os exércitos ucraniano e russo estão especialmente ávidos por todos os tipos de projéteis, de balas para fuzis de assalto a cartuchos de 155 mm e mísseis de precisão, e estão imersos em uma guerra de usura de munição, como soldados e equipamentos. 

O objetivo é durar mais que o inimigo. 

"Esse é o assunto do momento", confirmou um alto funcionário europeu, que pediu para permanecer sob anonimato. "É uma questão de fluxos e ações (...). O que caracteriza um conflito de alta intensidade é o consumo extremamente alto de munições de qualquer calibre", acrescentou.

Quanto aos projéteis, por exemplo, segundo um relatório do instituto britânico RUSI, "a Rússia lança aproximadamente 20.000 projéteis de 152 mm por dia, comparado com os 6.000 da Ucrânia".

Mas os protagonistas não têm os mesmos recursos. 

A Rússia conta com a produção distribuída em todo o seu território, com uma rede de comunicações controlada. Enquanto isso, a Ucrânia só resiste graças às fábricas dos países ocidentais.

Neste conflito, concentrado no leste ucraniano, a vantagem logística é dos russos, "porque suas linhas (de abastecimento) são mais curtas que as dos ucranianos, cujo abastecimento vem do oeste, ou até mesmo de fora do país", explicou o funcionário europeu.

Outra vantagem para os russos é que sua produção está adaptada ao seu armamento, enquanto a Ucrânia faz malabarismos com uma variedade de armas e munições de origem diversa, na qual os modelos soviéticos coexistem com as armas ocidentais, mais modernas.

"Racionalizar"
 
"As entregas de armas pesadas modernas complicam as coisas para a Ucrânia em vez de ajudar", afirmou Alexandre Khramchikhin, analista do Instituto Militar e Político de Moscou.

O relatório da RUSI também considera que a recuperação ucraniana não pode ser baseada em "uma entrega fragmentada de um grande número de frotas de equipamentos diferentes". Em vez disso, explicam os autores, os aliados "devem racionalizar seu apoio em torno de um pequeno número de sistemas". 

Quanto às munições guiadas, mísseis balísticos ou hipersônicos, Moscou parece administrar suas reservas com moderação, segundo alguns analistas, que afirmam que estas últimas foram erroneamente apontadas como esgotadas semanas atrás.

Em relação aos projéteis de artilharia, "a indústria russa de defesa tem uma importante capacidade de produção", segundo a RUSI.

A guerra das munições também acontece nas fábricas, as da Rússia mobilizadas pelo presidente Vladimir Putin e as ocidentais oficialmente não beligerantes, que não entraram em uma economia de guerra.

Estoques soviéticos esgotados
 
Por parte da Aliança Atlântica, "os estoques se esgotam e as fábricas não produzem em grandes quantidades", considera Vassilii Kachin, pesquisador da universidade HSE de Moscou.

"A ideia de que a Otan possui reservas ilimitadas (...) é falsa, mesmo com os Estados Unidos. A produtividade da indústria de guerra russa é maior que a da Europa".

Segundo especialistas, os estoques de armas de origem soviética no leste da Europa estão quase esgotadas. No Ocidente, o conflito afeta as economias nacionais.

Em uma entrevista concedida à AFP, o secretário-geral adjunto da Otan, Mircea Geoana, disse que espera que a indústria tenha "capacidade de fornecer os equipamentos necessários".

"É uma questão de preocupação ativa, de consulta, de solução criativa", considerou.

Por outro lado, as fábricas russas "trabalham dia e noite desde o início das hostilidades", afirmou Khramchikhin.

Moscou e Kiev reivindicam regularmente a destruição de um arsenal de armas inimigas.
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