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Peregrinos sem máscara iniciam o maior hajj em tempos de Covid-19

Por: AFP

Publicado em: 06/07/2022 09:54 | Atualizado em: 06/07/2022 10:20

 (Foto: AFP)
Foto: AFP
A maior peregrinação do hajj desde o início da pandemia de coronavírus em 2020 começou nesta quarta-feira (6/7) com centenas de milhares de fiéis, em sua maioria sem máscara, ao redor do local mais sagrado do islã, Meca, na região oeste da Arábia Saudita.

Um milhão de muçulmanos com o esquema de vacinação completa, incluindo 850.000 procedentes do exterior, foram autorizados a participar no hajj, depois de dois anos de limitações drásticas pela pandemia.

Na Grande Mesquita de Meca, os peregrinos devem fazer o "tawaf", o ato de dar voltas ao redor da Kaaba, uma grande estrutura cúbica envolta em um tecido preto bordado com ouro em direção a qual os muçulmanos de todo o mundo se posicionam para rezar.

Muitos optaram por cumprir o ritual antes de quarta-feira, início oficial do hajj.

Na tarde de terça-feira, homens em túnicas brancas e mulheres com túnicas coloridas caminharam lado a lado nas proximidades da Kaaba, a maioria sem máscaras, apesar das autoridades terem anunciado em junho que a peça seria obrigatória no local.

"Acabo de orar por vocês", disse uma peregrina de túnica verde em uma ligação de vídeo com parentes.

"Amo você, mãe, amo todos vocês", acrescentou, enquanto caminhava ao redor da Kaaba.

Cinco dias de rituais

O hajj deste ano é maior que as versões de 2020 e 2021, mas ainda menor que em períodos normais.

Em 2019, quase 2,5 milhões de fiéis muçulmanos de todo o mundo participaram no evento anual, um pilar do islã que todo muçulmano fisicamente capaz deve cumprir ao menos uma vez em sua vida.

A pandemia de covid forçou uma redução drástica. Quase 60.000 cidadãos e residentes da Arábia Saudita, todos vacinados, participaram em 2021 e um número bem menor em 2020.

A peregrinação consiste em uma série de rituais religiosos que acontecem ao longo de cinco dias na cidade mais sagrada do islã e em seus arredores, no oeste da Arábia Saudita.

Na quinta-feira, os peregrinos caminharão até Mina, a cinco quilômetros da Grande Mesquita, antes do principal ritual no Monte Arafat, onde se acredita que o profeta Maomé fez seu último sermão.

"Muito calor"

Aqueles que tentam fazer o hajj sem permissão podem receber mulas de até 10.000 riais sauditas (quase 2.600 dólares).

A polícia da cidade montanhosa instalou postos de controle e organiza patrulhas a pé. Os agentes usam guarda-chuvas verdes para evitar o sol escaldante.

A temperatura em Meca superou 40°C na terça-feira.

Dentro da Grande Mesquita, médicas estão posicionadas em diversos pontos e voluntários em cadeiras de rodas estão preparados para ajudar quem precisa de assistência.

Alguns peregrinos chegaram com roupas que exibem os nomes e bandeiras de seus países.

Organizar o hajj é uma questão de prestígio e fonte de legitimidade política para as autoridades da Arábia Saudita.

Com o gasto de pelo menos 5.000 dólares por pessoa, a peregrinação também representa uma fonte de receita para o maior produtor mundial de petróleo, que busca diversificar sua economia.

Em anos normais, a peregrinação gera bilhões de dólares.

Atualmente representa uma oportunidade para mostrar a transformação social do reino, apesar das persistentes queixas de abusos dos direitos humanos e limites às liberdades individuais.

A Arábia Saudita permite agora que as mulheres participem no hajj sem a companhia de um parente homem, uma exigência eliminada no ano passado.

"Estar aqui é a melhor coisa que já aconteceu, mal posso esperar pelo restante", disse a peregrina egípcia Naima Mohsen, 42 anos, que viajou sozinha à Grande Mesquita.

"Meu único problema é o clima, está muito calor", acrescentou.
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