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ALIMENTAÇÃO

Saúde é o principal motivo para se consumir orgânicos

Por: Ygor Lino

Publicado em: 18/05/2022 00:01 | Atualizado em: 23/05/2022 19:26

 (Elizângela Lopes compra frutas e verduras na feira de produtos orgânicos em Boa Viagem. Foto: Sandy James/DP Foto)
Elizângela Lopes compra frutas e verduras na feira de produtos orgânicos em Boa Viagem. Foto: Sandy James/DP Foto
Não é nada difícil, atualmente, encontrar adeptos da alimentação baseada em produtos orgânicos. As feiras e as sessões de supermercados com estes tipos de alimentos aproximam o consumidor de tal alternativa. Segundo a Pesquisa Nacional Organis 2021, estes dois locais estão praticamente empatados entre preferidos para a compra dos orgânicos: supermercados (48%) e feiras (47%). Já entre os motivos para o consumo estão “melhorar a saúde” (47%), “é mais saudável'' (26%), “melhor qualidade do produto” (24%) e “não contém agrotóxicos'' (13%).

Moradora de Boa Viagem, no Recife, Elisângela Lopes é consumidora de uma feira de orgânicos do bairro há cincos anos. Em casa, o marido e os filhos são adeptos da alimentação. Os pais de Elisângela, que moram em outro imóvel, também seguem o exemplo. “Após meus filhos nascerem, senti a necessidade de oferecer a eles alimentos mais saudáveis e seguros. Infelizmente, ainda não estamos livres dos agrotóxicos, mas o que eu puder consumir da feira de orgânicos, é de lá que vou trazer, é a nossa feira principal, o que falta lá é que recorremos aos produtos não orgânicos”, explicou.

Os orgânicos adquiridos por Elisângela são produzidos em Bom Jardim, Igarassu, Lagoa de Itaenga, Jaboatão Velho, Vitória e Olinda. Alguns, ela compra praticamente toda semana, entre eles: alface, coentro, cebolinha, manjericão, couve folha, rabanete, pimenta de cheiro, pepino, feijão verde, batata doce, macaxeira, inhame, banana comprida e limão. Quando possível, ela também compra tomate cereja, brócolis, couve flor, chuchu, pimentão, milho, rúcula, agrião, repolho, jaca, abacate, manga, abacaxi, polpa de frutas, entre outros produtos.

“Tudo plantado e colhido pelos próprios feirantes e suas famílias, sem ser em grande escala, por isso, às vezes, falta algo, porque depende do tempo, da terra, da sazonalidade”, observou Elisângela. Ainda, segundo ela, o valor dos produtos orgânicos comprados na feira, se comparados aos não orgânicos comercializados em grandes centros de compra, acabam saindo mais baratos. Já “comparando com as quitandas e frutarias que vendem esse tipo de produtos, o valor é equivalente”, acrescentou.

Elisângela higieniza e armazena as frutas e as folhas que compra na feira. As folhas ficam na geleira e os outros produtos, como cebolinha e alho poró, após higienizados, são cortados e congelados em porções necessárias para cada prato. A macaxeira, assim como pães em fatia, também são congelados, podendo durar cerca de dois meses.

Mulheres estão à frente das compras
Os pesquisadores Kennedy Jamestony de Carvalho e Souza e Rodolfo Araújo de Moraes Filho, trazem uma dimensão de quem opta pela alimentação livre de pesticidas e com um maior cuidado ao meio ambiente em Perfil dos Consumidores de Produtos Orgânicos no Brasil. No estudo, os dois analisam os dados de diversas pesquisas acadêmicas sobre o tema.

Ao analisar a questão por gênero, eles constatam que a mulher se destaca em números. “Este motivo justifica-se pelo papel realizado, na maioria das vezes, pela mulher por realizar a compra dos mantimentos nos lares, sendo, portanto, responsável pela decisão de quais alimentos serão consumidos pela família”, dizem.

Outra aspecto anotada pelos pesquisadores foi de que os consumidores, em número significativo, são casados e da faixa etária entre 30 e 60 anos de idades. Kennedy e Rodolfo, a partir dos trabalhos vistos, ressaltam que a predominância desta faixa etária entre os consumidores está relacionada ao surgimento de doenças ligadas consumo de alimentos. Entre as doenças, diabetes, hipertensão e colesterol alto.

Também se percebeu que a maioria dos consumidores tinha nível superior. Isto, conforme os dois pesquisadores, sendo um fator “que certamente explica a relação entre maior nível de escolaridade e percepção entre consumo alimentar, meio ambiente e saúde”.

Quanto à renda, eles afirma que não se observou uma relação direta entre o nível de renda e o consumo de alimentos orgânicos; entretanto a maioria pode ser agrupada em variações de renda de 4 a 8 salários mínimos por família e 2 a 4 salários mínimos por indivíduo”.

Livres de pesticidas e bons para a natureza
A nutricionista Lisianny Cocri afirma que a alimentação baseada em produtos orgânicos é benéfica à saúde por possuírem menor quantidade de pesticidas e cádmio, um metal tóxico, ambos danosos ao organismo. Estes elementos estão relacionados a doenças cancerígenas, alteração na pressão arterial e até na fertilidade.

“A diferença entre orgânicos e não orgânicos é perceptível porque os primeiros são menores, costumam ter a aparência mais imperfeita, já que ficam mais expostos a pragas por causa da ausência de pesticidas e fertilizantes. No entanto, o sabor e aroma são mais realçados”, afirmou.

Lisianny acrescentou que o ideal é sempre consumir os alimentos em sua integralidade, incluindo a casca das frutas, o que é um fator preocupante no caso de consumir frutas não orgânicas, uma vez que os pesticidas ficam, em maior quantidade, nas cascas, embora também possam atingir a polpa da fruta.

Além dos benefícios à saúde, os orgânicos trazem ganhos para o meio ambiente. Por ter uma preocupação com o solo, os métodos para produzi-los costuma empregar plantios consorciados e a compostagem, o que mantém a terra fértil após períodos de cultivo. Aliado a isso, a ausência de pesticidas evita a contaminação do solo e mananciais.
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