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Polícia do Texas, alvo de duras críticas após massacre em escola

Por: AFP

Publicado em: 26/05/2022 22:28

 (Foto: Michael M. Santiago / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
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Foto: Michael M. Santiago / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
A polícia do Texas enfrentou nesta quinta-feira (26) duras críticas, acusada de ter demorado demais em intervir na escola fundamental de Uvalde, onde um adolescente matou 19 crianças e duas professoras no ataque a tiros em uma escola mais letal em uma década nos Estados Unidos.

Segundo vídeos e vários testemunhos, os pais aguardavam desesperados na terça-feira para que a polícia agisse, enquanto um estudante do ensino médio de 18 anos, identificado como Salvador Ramos, executava uma carnificina em uma sala de aula.

Diante da enxurrada de perguntas sobre a ação da polícia, Victor Escalón, do Departamento de Segurança Pública do Texas (DPS), disse durante coletiva de imprensa que os investigadores ainda trabalhavam para reconstituir o que ocorreu exatamente.

Depois de atirar na própria avó, Escalón disse que Ramos bateu com seu carro perto da escola, atirou nos pedestres e em seguida entrou no centro de ensino por uma porta que aparentemente não estava trancada.

A polícia entrou minutos depois, mas recuou por causa dos tiros e pediu reforços. Uma equipe tática com agentes da Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos entrou e matou o atirador "aproximadamente uma hora depois", disse o chefe de polícia.

Enquanto isso, policiais retiraram professores e alunos e tentaram sem sucesso negociar com o atirador, que os deteve com disparos de um rifle, disse.

Escalón também refutou relatos anteriores de que o atirador teria sido confrontado por um funcionário escolar e disse que não havia nenhum agente armado no local quando o ataque começou.

Em um vídeo publicado nas redes sociais e obtido por Storyful, pode-se ver os pais frustrados, instando a polícia a entrar no estabelecimento. As imagens também mostram um agente empurrando violentamente uma das pessoas para fora do estabelecimento.

Daniel Myers, pastor de 72 anos, contou à AFP ter chegado com sua esposa, Matilda, em frente à escola 30 minutos depois de Ramos entrar.

Os pais "estavam prontos para entrar. Um disse: 'Estive no exército, só me dê uma arma. Não vou hesitar. Vou entrar'", contou.

"Os agentes responderam em minutos", assegurou o chefe da polícia de Uvalde, Daniel Rodríguez.

Enterros 

Além dos 21 mortos, 17 pessoas ficaram feridas na terça-feira, incluindo três policiais.

Eulalio Díaz, um funcionário local, se encarregou de identificar os corpos até altas horas da noite, relatou ao jornal El Paso Times. "Algumas crianças estavam em mau estado", disse. 

O marido de uma professora da quarta série que morreu protegendo os alunos faleceu nesta quinta-feira, aparentemente de um ataque cardíaco, anunciaram seus familiares. O casal deixa quatro filhos.

A tragédia abalou Uvalde, cidade de 16.000 habitantes entre a cidade de San Antonio e a fronteira com o México, predominantemente latina.

A Casa Branca anunciou que o presidente Joe Biden e sua esposa, Jill, viajarão no domingo a Uvalde para "acompanhar o luto da comunidade".

Meghan Markle, esposa do príncipe Harry, que mora com o marido e os dois filhos na Califórnia, esteve nesta quinta no local para dar suas condolências. A visita foi a título pessoal, disse um assessor.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, o governador do Texas, Greg Abbott, revelou que o assassino estava armado com um fuzil de assalto AR-15.

Nesta quinta-feira, a empresa Daniel Defense, fabricante deste armamento, anunciou que não irá à grande convenção anual da NRA, principal lobby de armas do país, que será realizada em Houston neste fim de semana.

Treinamento 

Uma das professoras da escola, presente quando ocorreu a tragédia, disse ao canal ABC que seus alunos estavam assistindo a um filme da Disney para comemorar a proximidade do fim de ano escolar, quando ouviram os disparos.

Então, as crianças puseram em prática seus anos de treinamento para esta situação, ficando em silêncio debaixo de suas carteiras. Estes treinamentos viraram a norma nas escolas dos Estados Unidos, onde os ataques a tiros mortais se repetem exaustivamente.

Os sons dos dispatos "foram muito fortes", disse à AFP Madison Saiz, aluna de oito anos. "Nossa professora nos disse que ficássemos em um canto e toda a nossa turma simplesmente fez isso". 

A mãe do atirador, Adriana Reyes, disse à ABC que seu filho não era "um monstro", mas que às vezes podia "ser agressivo".

Nos Estados Unidos, os ataques a tiros nas escolas são um flagelo recorrente que os sucessivos governos até agora não foram capazes de deter.

O debate sobre a regulação das armas está quase suspenso, diante da falta de esperança de que o Congresso aprove uma ambiciosa lei federal sobre o tema. 

O movimento "Marcha por nossas vidas", criado após o ataque a tiros em Parkland em 2018, convocou uma grande manifestação para 11 de junho em Washington para pedir regulações mais restritas para as armas.
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