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HISTÓRIA

377 anos da Insurreição Pernambucana

Exército celebra nesta segunda-feira uma de suas datas mais importantes. Comando Militar do Nordeste aproveitou para relançar o Circuito Histórico Militar no estado

Publicado em: 21/05/2022 15:16

 (Sandy James/ ESP. DP.)
Sandy James/ ESP. DP.

Nesta segunda-feira (23) celebram-se 377 anos da assinatura do Compromisso Imortal de Ipojuca, documento assinado no mesmo dia, em 1645, e que marcou o início do que seria a Insurreição Pernambucana (1645-1654), a revolta que expulsou os holandeses do Nordeste brasileiro e reestabeleceu o domínio português no Território Nacional.

No documento, assinado pelos líderes do movimento, traz a seguinte frase: “Nós, abaixo-assinados, nos conjuramos e prometemos, em serviço da liberdade, não faltar, a todo tempo que for necessário, com toda a ajuda de fazendas e pessoas, contra qualquer inimigo, em restauração da nossa Pátria”.

O uso do termo pátria, até então nunca usado para descrever o Brasil, à época ainda uma colônia, é visto por muitos historiadores como o embrião do sentimento nacionalista no Brasil.

De acordo com o General e comandante da 7° Região Militar, Carlos Machado, as batalhas travadas durante a Insurreição ajudaram a construir um sentimento até então inédito.  “À medida que nos aprofundamos no estudo da Insurreição Pernambucana encontramos uma série de características, que nos levam a acreditar que, de fato, a pátria nasceu a partir de lá. E a primeira grande atividade do movimento acontece em maio de 1645, quando alguns patriotas se reúnem para a assinatura de um documento, o qual diz que todos os esforços serão feitos com o objetivo de livrar a pátria de um invasor estrangeiro”, explicou.

Ainda segundo o general, o movimento também se notabiliza por ser o momento histórico de formação do que viria se tornar o Exército Brasileiro. “Ali consideramos que o Exército Brasileiro nasceu, pois pela primeira vez as raças se uniram para expulsar um invasor. Em abril de 1648 aconteceu a primeira batalha nos Montes Guararapes, onde pela primeira vez houve o empreendimento de uma tática de guerra especificamente brasileira, uma tática de guerrilha chamada de guerra brasílica”, disse.

Em comemoração à data e também ao Dia Internacional dos Museus, o Exército Brasileiro realizou uma solenidade na última quarta-feira (18), no Forte do Brum. O evento contou com a presença de estudantes de algumas escolas da Rede Municipal e também homenageou outros marcos da história da Nação, como a vitória na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que completou 77 anos de seu fim.

Além de homenagear a data, o Exército Brasileiro elaborou também um Circuito Histórico, parte do Projeto Memória Militar, contendo diversos pontos turísticos de Pernambuco que ilustram tanto o período de domínio holandês quanto diversos outros momentos históricos de Pernambuco e do Brasil. O circuito traz conhecimentos não apenas aos turistas, mas também a toda população pernambucana, que muitas vezes desconhece a própria e brava história. “Pernambuco possui muitos sítios históricos, que são patrimônios riquíssimos e devem ser mostrados ao público. Consideramos que esse circuito é multidisciplinar e sustentável. É um projeto que fala em história, turismo e diversas outras áreas da atuação”, concluiu.

 

Os principais pontos do Circuito Histórico

Forte do Brum

Inaugurado como Forte Novo de São Jorge, pelos holandeses, em 1630, após a invasão. Administrado pelo Exército e Museu Militar desde 1987. [É o ponto inicial do circuito e um centro de referência para os estudos e pesquisas.

Parque Histórico Nacional dos Guararapes

Palco das famosas Batalhas dos Guararapes. O local abriga a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, datada do século XVII, onde estão os restos mortais de dois líderes da Insurreição Pernambucana, André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira.

Forte das Cinco Pontas

Construído também em 1630 pelos holandeses, foi danificado e reconstruído após a retomada dos portugueses, perdendo um de seus baluartes no processo, tendo hoje em dia apenas quatro pontas. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1938. Desde 1982 abriga o Museu da Cidade do Recife.

 

Veteranos da Segunda Guerra Mundial são homenageados

A solenidade da última quarta-feira (18) também foi palco da quinta edição da Expo Vitória, exposição que celebra o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. O evento homenageou dois ex-combatentes, Alberides de Lima Passos, 101 anos, e Severino Gomes de Souza, 97 anos.

Severino Souza era um jovem estudante morador de Natal-RN, quando, em 1942, tomado por um sentimento de patriotismo, voluntariou-se a entrar no conflito. “O Brasil declarou guerra à Alemanha, os estudantes agitaram-se e eu fiz parte de algumas manifestações. Após isso, tomei a ideia de me incorporar ao exército em novembro de 1942. Precisávamos defender o litoral contra uma possível invasão e também contra a espionagem”, lembrou-se o capitão reformado.

 (Severino Souza e Alberides Passos. Sandy James/ ESP. DP.)
Severino Souza e Alberides Passos. Sandy James/ ESP. DP.
 

Sobre esse primeiro momento, Souza lembrou-se de um acontecimento que o marcou para sempre. “Presenciei um combate entre um submarino alemão e um avião Catalina americano, em Ponta Negra, Natal. O avião estava desarmado, apenas sobrevoando a costa. De repente, o submarino surgiu e abriu fogo. Acho que sou a única pessoa viva a ter presenciado esse acontecimento”, disse.

Após ficar dois anos patrulhando o litoral do Nordeste, ele embarcou para a Itália em 1944, como membro da Força Expedicionária Brasileira (FEB), para servir na infantaria. “Desembarcamos em Nápoles. O primeiro impacto que tive foi ver vários navios naufragados e o Vulcão Vesúvio em erupção”.

De acordo com o capitão reformado, a sensação de insegurança era constante. “Todos os dias eu tinha certeza que iria morrer, durar mais um dia no máximo. Eu pensava: ‘Se tantos morreram, por que eu sobreviveria? ’, então eu vivia um dia de cada vez”, afirmou o ex-soldado, que à época tinha 20 anos.

Já a função de Alberides era o perigosíssimo desarmamento de minas terrestres, num grupo que ficou conhecido como Pelotão Suicida. Ao lembrar dos tempos de guerra, ele garante não ter arrependimentos “Voltaria com certeza, com o mesmo prazer para defender minha pátria”, disse o ex-pracinha.

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