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JUSTIÇA

Acusado de assassinar a menina Beatriz se diz inocente, segundo advogado

Publicado em: 18/01/2022 21:34 | Atualizado em: 18/01/2022 23:44

 (Menina foi morta a facadas em 2015. Foto: Arquivo pessoal)
Menina foi morta a facadas em 2015. Foto: Arquivo pessoal
O presidiário Marcelo da Silva, 40 anos, que foi apontado pela Secretaria de Defesa Social, há uma semana, como assassino confesso da menina Beatriz, se diz inocente. Em carta escrita na segunda-feira (17) e divulgada nesta terça-feira (18) por seu advogado, Rafael Nunes, o suspeito alega que confessou o crime sob pressão da polícia. O crime contra a menina de 7 anos aconteceu em 2015, dentro de um colégio particular de Petrolina,

"Eu sou inocente. Não matei a criança. Confessei na pressão. Pelo amor de Deus, eles querem minha morte, preciso de ajuda. Eu quero viver, estou com medo de morrer. Eu não sou assassino. Quero falar com a mãe da criança", escreveu Marcelo. O defensor dele apresentará mais detalhes sobre o assunto em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (19).

“A confissão do Marcelo da Silva é hilária. [Ele estava] desacompanhado do advogado, com quatro delegados em uma sala e me parece que o Ministério Público também, além de diversos agentes [penitenciários]. Em uma hora dessas a gente confessa até o que não fez. Iremos pedir que ele seja reinquirido. Quando eu tive o primeiro contato com ele, ele me disse: ‘doutor, me ajude, eu confessei na pressão. Eu não matei Beatriz, eu sou inocente, doutor. Eles querem me matar’. Ele escreveu essa carta. Essa é a letra dele”, disse o advogado em entrevista à TV Guararapes. Com relação ao DNA na faca, Rafael julga "extremamente questionável".

"Há quem diga que com o DNA não se discute mais nada. Se discute sim. Por que só agora, depois dos genitores da vítima caminharem 700 quilômetros, o governador aceitar federalizar o caso, curiosamente, cai de paraquedas o DNA milagroso que afirma quem é o assassino de Beatriz. Precisamos ter acesso a essa perícia. Queremos colocar esse caso na mão de peritos renomados. Há quanto tempo esse DNA estava inscrito no banco de dados da polícia? Por que não mostrou antes? Por que só agora? Queremos a federalização desse caso”

O advogado também questionou o número de facadas e o argumento de que o assassino entrou inadvertido na escola. “Como é que uma pessoa que supostamente está bêbada entra em uma escola particular, onde está acontecendo um evento com 2,5 mil pessoas? Ele entra na escola, caminha entre as pessoas, passa pelas crianças, pede informação a um funcionário da escola. Ninguém percebeu que ele estava armado, mas a menina Beatriz percebeu? Ele se assustou com a menina? Acima de tudo, como é que ele conseguiu sair da escola todo ensanguentado sem ninguém perceber? Foram mais de 40 facadas. O secretário vem dizer que foram 10 facadas, mas na verdade foram 42, está na perícia", alega o defensor.

RESOLUÇÃO
Mais de seis anos após o assassinato de Beatriz Angélica Mota, que foi esfaqueada em Petrolina, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco anunciou, no dia 12, que a menina foi morta por Marcelo porque se assustou ao vê-lo segurando uma faca dentro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde ocorria a festa de formatura da irmã mais velha da vítima. O criminoso, que já está preso por outros delitos, foi identificado através de exames em resíduos de DNA deixados na faca. Ele confessou o homicídio, ocorrido em dezembro de 2015, num depoimento que durou cerca de quatro horas.

O secretário de Defesa Social, Humberto Freire, contou que o homem entrou na escola para pedir dinheiro, com o objetivo de tentar sair da cidade. Ao ver Beatriz, tentou contato com a criança de sete anos, que ficou com medo. Marcelo então matou a menina com dez facadas (e não 42, como se acreditava anteriormente) para silenciá-la. Freire disse que a garota foi assassinada “aleatoriamente”, ou seja, o crime não foi premeditado.

“Novos exames de confirmação foram procedidos até chegarmos ao resultado, que foi o laudo divulgado ontem (terça-feira). Ele [Marcelo] já estava com a arma quando entrou na escola. No local estava acontecendo uma festa com mais de duas mil pessoas, então ele alega que conseguiu ter acesso e, encontrando com a vítima, ela teria se assustado. Para silenciar a vítima, ele assassinou a criança. Nós temos um laudo que tem 42 fotografias mas indica dez perfurações.”

A identificação do suspeito se deu por meio de análises do banco de perfis genéticos do Instituto de Genética Forense Eduardo Campos, realizadas na terça-feira, que confirmou o DNA recolhido na faca.

Segundo Freire, Marcelo foi detido em 2017, por abuso sexual de vulnerável, e também foi acusado de crime contra o patrimônio. “O acusado foi preso ao menos três vezes. Uma delas por estupro de vulnerável, outra por crime de patrimônio e agora, com esse indiciamento, por homicídio. [Apesar disso] não há indícios de que tenha acontecido um crime sexual contra a vítima”, afirmou o secretário, no dia 12.

O gestor acrescentou que as filmagens feitas pelas câmeras de segurança foram recuperadas e confirmaram a identidade de Marcelo. “O suspeito é exatamente aquele que aparece nas imagens. Com relação às imagens estáticas que circulam, em que aparenta haver uma conversa entre ele e um grupo de pessoas, é preciso deixar claro que isso não aconteceu. Ele não conversou com essas pessoas”.

CETICISMO
Os pais de Beatriz, Sandro Romilton e Lucinha Mota, se mostram céticos sobre a solução do caso. Lucinha não acredita que a filha tenha sido morta de forma aleatória e acha que o exame de DNA não é suficiente para determinar o autor do crime. “A prova científica do DNA é muito importante, mas existe a necessidade de buscar mais elementos. Eles ainda não fizeram outras perícias, é prematuro afirmar que ele [Marcelo da Silva] é o acusado. Eu acessei informações de que o DNA do assassino não estava no banco nacional de dados porque os padrões que foram coletados aqui em Pernambuco não são os padrões do banco nacional. Existem casos em que os resultados do DNA não foram suficientes para levar à condenação do réu. Precisa colocar ele na cena do crime”, contou.

Ela demonstrou insatisfação com a condução do caso pela Polícia Civil e criticou a demora para identificar o suspeito. “A busca no banco de dados do perfil genético já poderia ter sido feita. Essa busca só foi realizada em Pernambuco. Nós temos 27 estados, por que eles não se comunicam? Todas as vezes que nós recebemos uma denúncia, vamos com muita fé, acreditando que aquele suspeito é o assassino de Beatriz. Todo crime tem uma motivação e esse foi praticado com muito ódio. Nós não tínhamos inimigos, dívidas ou rixas, mas o colégio tem. Vamos acompanhar, minuciosamente, cada passo, porque sabemos que nesse inquérito não cabe um inocente. Nosso pedido de federalização do caso continua”, afirmou.

Já o Ministério Público de Pernambuco requisitou ao estado providências imediatas para assegurar a ouvida do suspeito, a proteção à sua integridade física e a realização de novas perícias. “Assim que tivemos conhecimento de que um suspeito havia sido identificado pelo perfil genético, que é uma prova técnica relevante, entramos em contato com os delegados responsáveis pela investigação. O Ministério Público está devolvendo o inquérito à Polícia Civil, para que sejam juntadas mais informações. Sabemos que a Polícia fará o trabalho de forma responsável, com foco na apuração dos fatos. E ao receber o relatório final da investigação, o MPPE vai analisar o inquérito e apresentar, no tempo devido, a sua manifestação”, disse a promotora de Justiça Ângela Cruz, coordenadora do Grupo de Atuação Conjunta Especial, no dia 12.


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