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Surto de lesões na pele no Recife foi provocado por cerdas de mariposas, esclarece a Sociedade Brasileira de Dermatologia

Publicado em: 08/12/2021 14:30

Mariposa do gênero Hylesia, responsável pela erupção, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

 (SDB/Divulgação)
Mariposa do gênero Hylesia, responsável pela erupção, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. (SDB/Divulgação)
O surto de lesões na pele em moradores dos munícipios da Região Metropolitana do Recife foi ocasionado devido as mariposas do gênero Hylesia, que se reproduzem nesta época do ano e causam epidemias de dermatites em vários pontos do País. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os insetos entram em ambientes domésticos e ao se debaterem contra focos de luz, liberam cerdas corporais minúsculas que penetram na pele humana e causam a dermatite. A intoxicação por ivermectina, escabiose (sarna), picadas de insetos, como comentado popularmente, não foram comprovadas durante os testes científicos. Os últimos dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), apontam que até o momento, foram notificados 485 casos sintomáticos que apresentaram erupção cutânea e coceira.

“Com a comprovação das cerdas no exame direto, história clínica e epidemiológica extremamente compatível e relato de mariposas no local feito pelos moradores, concluímos que o mistério está resolvido e esperamos que os tratamentos corretos sejam ministrados à população”, assinalam os dermatologistas Claudia Ferraz e Vidal Haddad Júnior. Os especialistas da SBD explicaram que o tratamento pode ser feito com foco na inflamação com corticoides tópicos e anti-histamínicos e, por vezes, dependendo da extensão das lesões, o uso de corticoides sistêmicos pode ser necessário.

Para identificar as causas reais, a dermatologista Cláudia Ferraz conduziu uma pesquisa sobre a história epidemiológica e descreveu as lesões, o que levou a suspeitar da provável etiologia. Por sua vez, Vidal Haddad Junior, que havia testemunhado e publicado outros surtos, esclareceu a etiologia da erupção.

Ivermectina não causou lesões 
O trabalho realizado pelos dermatologistas da SBD permitiu descartar várias hipóteses levantadas para explicar a origem do surto. Entre as possibilidades aventadas, estavam intoxicação por ivermectina, escabiose (sarna), picadas de insetos e outras. Contudo, nenhuma com comprovação técnica ou científica.

“A hipótese de escabiose era absurda, pois o tipo de transmissão é outro, a distribuição e aspecto das lesões cutâneas eram distintos e nenhum ácaro foi achado em muitas amostras de exame direto e exames histopatológicos”, cita nota técnica assinada pelos dois especialistas. Com o suporte da Sociedade Brasileira da especialidade (SBD), eles implementaram uma série de ações que permitiram identificar as causas de mais de 200 casos de dermatites registrados nas localidades.

O surto de dermatites pápulo-eritêmato-pruriginosas, com aspecto urticariforme, desafiou os serviços médicos da cidade. Os casos aconteceram em duas comunidades limítrofes à mata, localizadas em uma área de reserva de mata Atlântica do Parque Estadual de Dois Irmãos, em Recife (PE). 

Notificações
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou ontem (7), ao Diario, que consta no Centro de Informações Estratégicas de Vigilância à Saúde (Cievs), a notificação de 485 casos sintomáticos que apresentaram erupção cutânea e coceira.

Segundo a SES-PE, essas notificações foram realizadas pelas secretarias municipais de Saúde de Aliança (2), Araçoiaba (1), Cabo de Santo Agostinho (17), Camaragibe (84), Carpina (1), Escada (1), Igarassu (10), Ipojuca (7), Jaboatão dos Guararapes (74), Limoeiro (2), Lagoa do Carro (1), Olinda (36), Paulista (10), Petrolina (2), Recife (231), São José do Egito (1) e São Lourenço da Mata (5). Os casos continuam sob investigação clínica, epidemiológica e laboratorial pelos municípios, com apoio da equipe técnica da SES-PE, Lacen-PE e especialistas.

A SES-PE reforçou que relatos de casos de natureza similar (erupção cutânea e coceira) de outros municípios estão sendo constantemente verificados junto às secretarias municipais, em parceria com as Gerências Regionais de Saúde (Geres), para notificação oficial. Por fim, a Secretaria salientou que "está vigilante e dando todo o apoio necessário para resolução dos casos".
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