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CRIME

Suspeito de ataque a deputado britânico é acusado de homicídio e de planejar atos terroristas

Por: AFP

Publicado em: 21/10/2021 13:47

 (Foto: Tolga Akmen/AFP

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Foto: Tolga Akmen/AFP
O suspeito detido na última sexta-feira (15) após a morte do deputado conservador britânico David Amess, esfaqueado durante um encontro com eleitores, foi acusado de assassinato e de planejamento de atos terroristas - informaram a polícia e promotores nesta quinta (21).

O britânico de origem somali Ali Harbi Ali, de 25 anos, compareceu hoje perante um juiz de Londres, que decretou prisão preventiva.

A polícia afirmou que não busca nenhuma outra pessoa relacionada a este ataque. 

"Defenderemos no tribunal que esse assassinato tem uma conexão terrorista, ou seja, que teve motivações tanto religiosas quanto ideológicas", disse o chefe da divisão antiterrorista da Promotoria, Nick Price. 

Ali "também foi acusado de preparar atos terroristas, depois de revisar as evidências reunidas pela Polícia Metropolitana em sua investigação", acrescentou.

Anteriormente, a polícia havia mencionado "uma motivação potencialmente ligada ao extremismo islâmico". 

O parlamentar conservador de 69 anos e pai de cinco filhos foi esfaqueado na sexta-feira, enquanto se reunia com seus eleitores em uma igreja metodista em Leigh-on-Sea.

O jovem foi preso no local. Segundo a imprensa britânica, ele havia seguido um programa contra a radicalização.

Filho de um ex-conselheiro do primeiro-ministro da Somália e sobrinho do embaixador da Somália na China, Ali Harbi Ali "se radicalizou completamente na Internet", afirmou um de seus amigos ao jornal britânico The Sun.

Acalmar o discurso político exacerbado
O ataque chocou o Reino Unido, ainda marcado pelas lembranças do assassinato da deputada trabalhista pró-europeia Jo Cox, em junho de 2016. Ela foi morta por um adepto da extrema direita uma semana antes do referendo sobre o Brexit.

Por um lado, provocou apelos para reforçar a segurança dos parlamentares. Por outro, gerou preocupação diante do risco de que um aumento da proteção signifique restrições na tradição dos deputados britânicos de se reunirem semanalmente com seus eleitores em seus respectivos distritos.

Na quarta-feira (20), a ministra do Interior, Priti Patel, informou aos legisladores que os responsáveis da Inteligência aumentaram o nível de ameaça existente aos políticos. Destacou, contudo, que "não existe nenhuma ameaça específica".

De volta de um recesso, na segunda-feira (18), um Parlamento britânico emocionado dedicou sua primeira sessão a Amess.

"Quando morreu, estava fazendo o que acreditava fielmente que era a parte mais importante do trabalho de qualquer deputado: oferecer ajuda aos necessitados", afirmou o primeiro-ministro Boris Johnson.

Eleito pela primeira vez em 1983, Amess era "firme em suas convicções, mas sempre respeitoso com aqueles que pensavam diferente (...). Honraremos sua memória, celebraremos seu legado e nunca permitiremos que aqueles que cometem atos de maldade triunfem sobre a democracia", acrescentou.

Descrevendo-o como um "homem de paz", a família da vítima pediu para "deixar o ódio de lado e trabalhar pela unidade". 

"Qualquer que seja sua raça, sua crença religiosa, ou política, seja tolerante e tente compreender", acrescentou.

Nesse contexto, os apelos para acalmar um discurso político exacerbado desde o Brexit se multiplicaram. Hoje, a polícia pediu "que todos ajam com moderação na hora de comentar" o caso, "agora que uma acusação foi apresentada".
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