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MÚSICA

'Necessidade imensa de me expressar', diz Bethânia sobre disco produzido na pandemia

Publicado em: 30/07/2021 09:56

A necessidade de gritar fez Maria Bethânia mergulhar de cabeça em Noturno, seu novo álbum, lançado nesta sexta-feira (30) nas plataformas digitais (Foto: Jorge Bispo/Divulgação)
A necessidade de gritar fez Maria Bethânia mergulhar de cabeça em Noturno, seu novo álbum, lançado nesta sexta-feira (30) nas plataformas digitais (Foto: Jorge Bispo/Divulgação)

“Verdade”. De forma sucinta, é como Maria Bethânia define a inspiração do novo disco, Noturno, que chega hoje às plataformas digitais. “A cor do sentimento ou a falta de cor. A beleza da composição brasileira, que mesmo diante de toda dificuldade, se sobressai. É um disco quase todo de inéditas, de canções dolorosas, alegres, sofridas, solitárias, amantes, esperançosas”, adianta a cantora, em entrevista ao Diario. Gravado entre setembro e outubro de 2020 e em maio de 2021, no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, o álbum tem direção musical e arranjos de Letieres Leite e produção musical de Jorge Helder.

O disco já estava sendo pensado antes da pandemia, mas acabou saindo depois. “Ele nasceu no meio do escurecimento do que o mundo virou com a pandemia. Mas realizar ele nesse período foi uma grande necessidade. O repertório já existia, mas muitas coisas novas chegaram durante o processo, principalmente essa necessidade imensa de me expressar”, desabafa. “Como intérprete, eu absorvo o que sinto ao redor, no movimento do mundo e no movimento do meu Brasil, e me expresso. Além de deixar a minha vida à disposição da música. Meus medos, inseguranças, esconderijos, afirmações negativas, tudo.”

O clarão, os pequenos feixes de luz, a sombra… a instabilidade. Tudo está bem presente em Noturno, em referência às experiências íntimas e subjetivas de suas vivências sociais, sendo a dor e a alegria vividas, simbolizadas pela escuridão e luz, trazendo lucidez. “Eu canto a coragem. Todas as faixas, com a mesma intensidade, mesma devoção e o mesmo amor”, afirma Bethânia.

Para ela, que canta desde os 17 anos, se ver agora, aos 75, impedida de se apresentar foi como se ver dentro de uma escuridão. “Foi susto não poder cantar, subir ao palco, me expressar. E tudo isso me causou um desejo muito profundo de cantar. De atuar, de agir. De soar para mim e para o mundo. É o meu ofício, o que Deus me deu. Não posso viver sem, então fui fazer.”

A necessidade de gritar fez Bethânia mergulhar de cabeça na produção artística, como um ato de resistência e desabafo diante da grave crise de saúde pública que estamos vivendo. “A pandemia não inspira nada e nem ninguém. A mim não inspira nada, a minha vontade foi de sair gritando, tanto que me meti em um estúdio e gravei um disco. Claro, com todos os protocolos de segurança”, conta a artista. Para ela, a pandemia anula qualquer inspiração e mete medo. "Medo generalizado, silêncio, solidão. Mas um medo que também ajuda a gente a andar. E eu, que sou do som, do ouvido agudo, só consegui sentir uma necessidade ainda maior de me expressar”, completa.

Protegida por testes e uma caixa de acrílico do estúdio, Bethânia gravou 12 faixas em três semanas. O duelo entre escuridão e claridade é revelado logo na primeira faixa, quando canta a solidão de Bar da noite, de Bidu Reis e Haroldo Barbosa. O disco conta com composições assinadas por Adriana Calcanhotto, em A flor encarnada, e Chico César, em Luminosidade, além dos sambas de Roque Ferreira, Serginho Meriti e Xande de Pilares e representantes da nova geração, como Tim Bernardes e o sobrinho de Bethânia, Zeca Veloso.

Uma parte do repertório do álbum foi experimentado no show Claros breus, na boate carioca Manouche, em 2019. Sobre o lançamento presencial e a expectativa de show no Recife, no momento Bethânia não consegue fazer planos. “Quem me dera cantar no Recife. Eu ia adorar, mas não tem nada previsto. Não dá, não pode. Mas assim que tiver uma pontinha de luz e esperança, Recife tá chegando”, garante.

Ouça Bar da noite:
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