Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Últimas

POLÍTICA MONETÁRIA

Com inflação sem trégua, Banco Central deve acelerar alta de juros

Publicado em: 30/07/2021 08:26

 (Foto: Leonardo Sá/Agencia Senado)
Foto: Leonardo Sá/Agencia Senado
Com a inflação sem dar trégua, o mercado financeiro já tem como certo que o Comitê de Política Monetária (Copom), na reunião de agosto, deve aumentar a taxa básica de juros acima do 0,75 ponto percentual que vinha sendo previsto até agora. As expectativas são de avanço de 1 ponto percentual, o que pode colocar a Selic em 5,25% ao ano. Para o economista Cesar Bergo, sócio-consultor da Corretora OpenInvest, “se a alta não for agora de 1 ponto percentual, não vai dar tempo de a Selic chegar a pelo menos 6,5% até o fim do ano”, patamar considerado necessário para equilibrar a balança de preços na economia.

“A ideia é buscar um equilíbrio, embora tenhamos de conviver com juros negativos, porque a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 6% no ano”, reitera Bergo. O centro da meta de inflação, em 2021 é de 3,75%, admitida uma variação entre 2,25% e 5,25%.

André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, concorda com o avanço de 1 ponto percentual pelo Copom. Mas, para ele, o país vai chega ao final do ano com juros a 7%. “Entendemos que a Selic é em parte inócua aos desafios da inflação, uma vez que se concentra nos componentes da oferta majoritariamente”, afirma. Mesmo assim, o economista-chefe destaca que é função do Banco Central reagir com altas mais salgadas na Selic, “na perspectiva de manter ancoradas as expectativas de inflação para 2022, bem como controlar em parte o câmbio, mesmo não sendo esta uma variável de política monetária explícita no sistema de metas”.

Perfeito salienta que a dinâmica inflacionária recente forçou mais uma revisão no cenário para o IPCA de 2021, de 6,5% para 6,9%. Entre os principais motivos, estão o ambiente hídrico desafiador que tem elevado o uso de termoelétricas e, consequentemente, pressionado o preço da energia elétrica; e geadas e secas que ameaçam lavouras e aumentam o preço dos alimentos.

“Aumento em 1 ponto percentual e Selic em 5,25% na reunião do Copom de agosto” são a aposta de Eduardo Velho, economista-chefe da JF Trust Gestora de Recursos. “De fato, avaliamos que ocorreu uma deterioração do balanço de riscos em relação ao panorama da decisão da política monetária de junho. A JF Trust estima uma ‘surpresa inflacionária’ (diferencial entre a previsão do modelo do BC e a inflação efetiva) de 0,71 ponto percentual no trimestre móvel de junho a agosto, o que deve elevar a previsão do BC para o IPCA de 2021 acima de 6%, mas também para 2022”, explica Velho.

Ele calcula que, com uma Selic de 6,75% em dezembro de 2021, o IPCA estimado para 2022 seria de 4,02%. “Portanto, o BC deveria elevar a Selic para a faixa de 7,25% para aumentar a probabilidade de um IPCA mais próximo da meta central de 3,5%. Para junho de 2022, estimamos Selic de 7,5%”, disse.

IGP-M avança 0,78% em julho
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) ficou em 0,78% em julho, contra 0,60% no mês anterior. Com esse resultado, o indicador acumula alta de 15,98% no ano e de 33,83% em 12 meses. Usado normalmente na correção de contratos, como os de aluguéis, o IGP-M foi pressionado, sobretudo, pelo avanço dos preços ao produtor, que avançaram 0,71%, em média. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelos cálculos, na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo bens finais cresceu 1,08% em julho. Apesar da aceleração na margem, o IGP-M acumulado em 12 meses arrefeceu de 35,75% para 33,83%, a segunda redução consecutiva nessa base.
TAGS: bc | selic | juros | inflação | economia |
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Consumo de carne de cachorro sob reavaliação na Coreia do Sul
Manhã na clube: entrevistas com Mendonça Filho (DEM), Vitor Moura e Jailson Silva
Combate à gordofobia vira lei no Recife
Medicamento contra Covid-19 é recomendado pela OMS
Grupo Diario de Pernambuco