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VIDEODANÇA

Poeminflamado de França de Olinda se torna série de videodanças

Publicado em: 11/05/2021 10:11

O projeto 'Corpoesia' busca dar tridimensionalidade para a obra poética do artista falecido (Foto: Felipe França/Divulgação)
O projeto 'Corpoesia' busca dar tridimensionalidade para a obra poética do artista falecido (Foto: Felipe França/Divulgação)
A videodança é uma expressão artística híbrida que une a dança ao cinema, potencializando a performance corporal por meio dos recursos audiovisuais. O projeto Corpoesia - A cor da exclusão, porém, foi mais longe e somou também a arte da literatura poética para homenagear o artista França de Olinda, importante poeta marginal de Pernambuco que faleceu em 2007.

A obra compilada do poeta, intitulada Poeminflamado (2012), inspirou a criação de 8 videopoesias que estão sendo disponibilizadas no canal de Youtube Corpoesia Dança e no perfil @danca.inflamada, no Instagram, até o fim do mês de junho. A série de vídeos, incentivada pela Lei Aldir Blanc, aborda os elementos da cultura indígena e afro-brasileira através da dança de Marcela Rabelo, da fotografia de Marlom Meirelles e da música de Felipe França, o Francinha (filho do poeta homenageado).

Quem era próximo de França de Olinda conhece bem o aspecto vivo de sua arte, tinha cores, cheiros e formas. Isso porque, para ele, escrever não era o suficiente, então fazia questão de performar suas poesias nas ladeiras da Marim dos Caetés junto aos colegas do Teatro dos Amadores de Olinda, que fundou em 2004. Dessa forma, a proposta de dar uma voz tridimensional em vídeo para o artista surge como um movimento natural para uma obra que explora a sensibilidade do público.

“A palavra, a depender do contexto em que ela é invocada, pode nos levar para diversos lugares e sentidos. Assim também pensamos no movimento das danças populares, no som da trilha criada para cada um dos vídeos e nas formas de captação e edição das imagens escolhidas”, comenta Marcela Rabelo, que, além de dançarina, também é responsável pela concepção da pesquisa.

As paisagens naturais foram escolhidas como referência simbólica aos ítans (Foto: Felipe França/Divulgação)
As paisagens naturais foram escolhidas como referência simbólica aos ítans (Foto: Felipe França/Divulgação)

A ideia da transposição para a videodança surgiu inicialmente devido ao contexto de pandemia e depois se tornou uma oportunidade de experimentação. A dançarina acredita que não existe um formato ideal, mas afirma que “a força transformadora das palavras da poesia de França e de tantos outros poetas pernambucanos deveria ser mais falada, pensada, dançada, tocada, dramatizada; enfim, visibilizada das mais diversas maneiras”.

Como parte do desejo do projeto em dar luz a conteúdos de origem africana, as performances, gravadas em locações de Pernambuco e Paraíba, trazem também referências aos ítans - palavra em Iorubá atribuída aos contos míticos sobre os orixás. Ora de forma sutil, ora mais direta, o diálogo com essas figuras acontece desde a escolha das paisagens naturais, nas cores predominantes de cada vídeo e nas coreografias, que remetem a gestos de força de cada divindade.

Com uma equipe pequena e os prazos de execução do edital, o projeto foi marcado pela interdisciplinaridade dos seus integrantes, que possuem formação em áreas que dialogam com o audiovisual. Felipe França, que assina o trabalho de som, teve como parceiro no desenho sonoro o músico Valdi Afonjah, mas também realizou fotografias (still) e a captação de algumas filmagens. Já Marcela, com experiência na construção dramatúrgica, ficou a cargo das edições dos episódios. Todo o revezamento foi feito com a orientação e supervisão do diretor Marlom.

Apesar de considerar a experiência como enriquecedora e cheia de aprendizados, Marcela pontuou como essa multiplicidade do artista revela os esforços necessários atualmente para produzir com segurança. “O contexto nos indicou um caminho de mais interdisciplinaridade para o projeto, mas também nos fez refletir mais ainda sobre o lugar de vulnerabilidade que muitos de nós artistas estamos enfrentando para seguir com nossos trabalhos de forma digna”, finaliza.
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