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PROTESTOS

Colômbia pede diálogo com 'todos os setores' após protestos

Publicado em: 06/05/2021 22:46

 (Foto: LUIS ROBAYO/AFP)
Foto: LUIS ROBAYO/AFP
O governo colombiano pediu, nesta quinta-feira (6), um diálogo entre "aqueles que marcham" e "aqueles que não marcham" nos protestos contra o presidente Iván Duque, que deixaram 24 mortos em nove dias.

"Devemos ouvir todos os setores do país, mas o país também deve ouvir o governo (...) Isso inclui quem marcha, mas também quem não marcha", disse o conselheiro presidencial Miguel Ceballos, mediador do governo junto aos manifestantes.

As conversas começaram na quarta-feira com a liderança do conselheiro e a participação do Ministério Público, Defensoria do Povo e sindicatos econômicos.

"A vontade do governo era convidar primeiro aqueles que organizam o Comitê Nacional de Greve, mas entendendo que essas mobilizações não se limitam a esse grupo", acrescentou.

Duque enfrenta desde 2019 protestos maciços em todo o país, que voltaram com força em 28 de abril em repúdio a uma reforma tributária já retirada.

Sindicatos, estudantes, indígenas, ambientalistas, entre outros setores se reuniram ao redor do chamado Comitê Nacional de Greve para exigir mudanças nas políticas do governo conservador. 

"Eles estão reunidos com as mesmas pessoas com que sempre se reuniram", é "uma conversa deles com eles mesmos", disse à AFP Sandra Borda, professora de ciência política na Universidade dos Andes.

Ceballos garantiu que se reunirá com os líderes dos protestos na próxima segunda-feira em um local fora da sede da Presidência, mas não quis confirmar a participação de Duque.

Mais tarde, em mensagem pelo Twitter, Ceballos convidou "o Comitê Nacional de Greve a se reunir com o presidente e a vice-presidente".

Protestos se atenuam
As manifestações foram em sua maioria pacíficas e festivas. Em algumas cidades, houve tumultos e confrontos com a força pública, que deixaram 24 mortos (18 a tiros) e mais de 800 feridos. 

Nesta quinta-feira, os protestos se atenuaram em todo o país, embora à tarde tenham ocorrido convocações em Bogotá e Pereira (centro-oeste), onde na véspera três manifestantes foram baleados, um deles com diagnóstico de morte cerebral. 

Os organizadores das manifestações afirmaram estar abertos ao diálogo com Duque, sem intermediários, mas exigiram a "desmilitarização" do país. 

O Ministério da Defesa enviou 47.500 soldados a todo o território durante as manifestações. 

Para a prefeita de Bogotá, Claudia López, "a solução política está nas mãos do governo nacional". 

"Com quem há de se conversar é com quem está nas ruas, que são os jovens", declarou López da capital, um dos focos das manifestações.

Durante uma coletiva de imprensa virtual para jornalistas em Washington nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, Diego Molano, atribuiu o "vandalismo" nas ruas aos dissidentes das Farc, que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016, e do ELN, última guerrilha reconhecida na Colômbia. 

A ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e organizações de direitos humanos se posicionaram contra os abusos da polícia durante as manifestações. 

"Se houve uso excessivo da força, que haja responsabilização", argumentou o ministro do Interior, Daniel Palacios, durante a coletiva virtual. 

Com popularidade em declínio (33%), o presidente Duque enfrenta uma das maiores mobilizações contra ele, desta vez alimentada pela crise econômica gerada pela crise na saúde. 

O mal-estar parece ter se instalado em um dos países mais desiguais do continente, com uma taxa de desemprego de 16,8% e cuja pobreza atinge 42,5% da população.
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