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TROPAS

Biden vai retirar todas as tropas americanas do Afeganistão até 11 de setembro

Publicado em: 13/04/2021 21:39 | Atualizado em: 13/04/2021 22:08

 (Foto: Jim Watson/AFP)
Foto: Jim Watson/AFP
O presidente americano, Joe Biden, retirará todas as tropas americanas que ainda estão no Afeganistão antes de 11 de setembro, data do 20º aniversário dos atentados de 2001, encerrando a guerra mais longa travada por Washington, apesar dos crescentes temores de uma vitória Talibã.

A retirada ocorrerá cinco meses após o acordo alcançado por seu antecessor, Donald Trump, com o Talibã para a retirada das tropas. 

Para Biden, que fará o anúncio na quarta-feira (14), os Estados Unidos podem concluir o processo antes de 11 de setembro, disse um alto funcionário nesta terça, sob condição de anonimato. 

O presidente democrata havia considerado anteriormente a opção de manter uma força residual no Afeganistão para atacar a Al Qaeda ou responder a possíveis ameaças do Estado Islâmico ou, como outros presidentes já fizeram, sujeitar a retirada a avanços em campo e a lentas negociações de paz. 

No final, ele não escolheu nenhuma das duas e decretará uma retirada completa, deixando apenas uma equipe limitada a desmobilizar as instalações americanas, incluindo a imponente embaixada em Cabul.

"O presidente julgou que um enfoque baseado em condições, que tem sido o das últimas duas décadas, significaria permanecer no Afeganistão para sempre", explicou o funcionário.

Biden "foi consistente em sua visão de que não há solução militar para o Afeganistão e de que estamos lá há muito tempo", disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, nesta terça-feira, sem confirmar a data da retirada.

Para os afegãos, o conflito provavelmente continuará. A autoridade americana fez esse breves comentários depois que a Inteligência dos EUA divulgou um relatório de avaliação de ameaças advertindo que o governo afegão "terá dificuldades" em controlar um Talibã "confiante" quando a coalizão liderada por Washington se retirar.

O ex-presidente Donald Trump também favoreceu a saída das tropas e chegou a um acordo com o Talibã em fevereiro de 2020, em virtude do qual as forças americanas deixariam o país antes de maio de 2021 em troca da promessa dos insurgentes de que não apoiariam a Al-Qaeda e outros grupos extremistas, o que motivou a invasão de 2001.

A fonte informou que a retirada começará em maio e que o atraso se deveu principalmente a razões logísticas, portanto é possível que as tropas estejam fora do Afeganistão bem antes de 11 de setembro. 

O oficial alertou, no entanto, o Talibã - atualmente em trégua com os Estados Unidos, mas não com as forças afegãs - que haverá uma "resposta enérgica" caso eles ataquem as tropas na partida.

"Dissemos ao Talibã, sem qualquer ambiguidade, que responderemos energicamente a qualquer ataque a soldados americanos enquanto durar a retirada ordenada e segura", acrescentou.

Talibã, "confiante" 
O relatório de avaliação de ameaças divulgado nesta terça-feira pelo diretor de Inteligência nacional observou que o Talibã está "confiante de que pode alcançar uma vitória militar". 

"As forças afegãs continuam a proteger as principais cidades e outras fortalezas do governo, mas permanecem amarradas em missões defensivas e têm dificuldade em manter o território recapturado ou restabelecer a presença em áreas abandonadas em 2020", observou o documento. 

Civis afegãos, preocupados com o retorno do Talibã ao poder, pagaram um preço desproporcional por décadas de combates sangrentos. 

Uma possível ascensão do Talibã também gerou temores entre muitas mulheres afegãs. 

O Talibã, que impõe uma visão austera do Islã sunita, proibiu as mulheres de irem à escola, escritórios, shows musicais e de participar de quase toda a vida civil durante seus anos de governo em grande parte do Afeganistão, entre 1996 e 2001. 

O funcionário de Biden disse que os Estados Unidos usarão "ferramentas" à sua disposição para continuar lutando pelos direitos das mulheres e ressaltou que 40% dos estudantes afegãos agora são meninas. 

"Faremos tudo o que pudermos com a comunidade internacional para proteger essas conquistas, mas sem manter a força militar em campo."

Esforço de paz na Turquia 
A decisão de Biden veio no momento em que a Turquia anuncia as datas da conferência de paz no Afeganistão, que pode reunir o governo, o Talibã e parceiros internacionais e da qual, mais uma vez, poucas mulheres participarão.

"A Turquia, o Catar e a ONU organizarão uma conferência inclusiva de alto nível em Istambul, entre representantes da República Islâmica do Afeganistão e do Talibã", informou o ministério das Relações Exteriores turco. 

Os países organizadores da conferência, que será celebrada entre 24 de abril e 4 de maio, estão empenhados em "apoiar um Afeganistão soberano, independente e unido", acrescentou.

A conferência terá como objetivo conduzir a "um mapa do caminho para um futuro acordo político e o fim do conflito", informou a chancelaria turca.

Mas os talibãs descartaram nesta terça participar da cúpula até que todas as forças estrangeiras tiverem deixado o país.

"Antes de que todas as forças estrangeiras tiverem se retirado completamente do nosso país natal, não vamos participar de nenhuma conferência que tomar decisões sobre o Afeganistão", informou em um tuíte Mohammad Naeem, porta-voz dos talibãs no Catar.
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