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Crise em Manaus: médicos são obrigados a decidir quem vive e quem morre

Publicado em: 21/01/2021 12:33

 (Michel Dantas/AFP)
Michel Dantas/AFP
A situação do sistema de saúde de Manaus se deteriorou ainda mais nos últimos dias e atinge pacientes internados com covid-19 e, também, com outras doenças. De acordo com informações obtidas pela reportagem do Correio junto a fontes ligadas ao serviço de saúde, um novo plano de ação foi adotado na cidade de 2 milhões de habitantes.


Segundo as novas regras, pacientes que cheguem às unidades de saúde em estado terminal ou com situação considerada irreversível não serão mais enviados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A regra vale tanto para pessoas acometidas por Covid-19 quanto para outras doenças, como câncer e problemas cardíacos. No interior do estado do Amazonas, a situação se repete, mas os pacientes sequer são enviados à capital.

No atendimento na emergência, os médicos avaliam cada caso e, se entendem que o paciente tem poucas chances de sobreviver, uma ligação por vídeo é realizada para a família para o paciente se despedir dos entes queridos. Após isso, o morador é alocado em um box de emergência, sem os equipamentos necessários para que sua vida seja mantida.

Informações obtidas com exclusividade pelo Correio apontam que 70% das mortes na capital são de outras doenças, aceleradas em razão da ocupação de leitos e lotação dos hospitais durante a pandemia do novo coronavírus. Mesmo com o crescimento exponencial de casos em Manaus, o serviço de saúde público da cidade não acompanhou a demanda.

Apenas dois grandes hospitais atendem os pacientes da capital e cidades do interior. A avaliação é de que o sistema de saúde seria sobrecarregado cedo ou tarde, e o avanço da covid-19 acelerou o agravamento da situação. O surgimento de uma nova cepa de coronavírus agravou ainda mais o cenário.


Além disso, a Fundação Oswaldo Cruz confirmou pelo menos um caso de reinfecção de uma paciente de 29 anos. A mulher tinha imunidade para a covid quando foi infectada com a nova variante — algo que acendeu o alerta na comunidade médica e científica.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde e o governo do Amazonas, e aguarda resposta.

Ocupação
De acordo com boletim divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), responsável por monitorar a pandemia no estado, na quarta-feira (20), foram registradas 148 mortes por covid-19 no estado. Destas, 56 ocorreram na própria quarta e 93 foram casos "encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, elevando para 6.598 o total de mortes".

No mesmo período, de 25 horas, foram realizados 90 sepultamentos em Manaus. Trinta mil pessoas que receberam diagnóstico positivo para a doença estão sendo acompanhadas pelo serviço de saúde, sendo que 1.812 estão internadas, 1.187, em leitos (516 na rede privada e 671 na rede pública), 592, em UTI (271 na rede privada e 321 na rede pública) e 33, em sala vermelha — o que, de acordo com o governo do Amazonas, é uma "estrutura voltada à assistência temporária para estabilização de pacientes críticos/graves para posterior encaminhamento a outros pontos da rede de atenção à saúde".

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