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Brasil tem campanha de vacinação ao ritmo do funk 'Bum Bum Tam Tam'

Publicado em: 22/01/2021 11:48

 (Nelson Almeida/AFP)
Nelson Almeida/AFP
São Paulo - O funkeiro MC Fioti, para incentivar os compatriotas a se vacinarem contra o coronavírus, reescreveu a música que o tornou o primeiro brasileiro a atingir 1,5 bilhão de visualizações no YouTube... mas adaptada aos tempos de pandemia.


Dias depois de Brasília lançar a campanha nacional de imunização no país, que já lamenta quase 214 mil mortes por Covid-19, número apenas superado pelos Estados Unidos, MC Fioti espera que sua música, lançada nesta sexta-feira, se transforme no "hit da vacina".

Retomando o seu sucesso 'Bum Bum Tam Tam', hit que o tornou um fenômeno no YouTube em 2017 com seu clipe em que apareceu com dançarinas do ventre 'envolvidas' pelo som da flauta que dita a melodia, Leandro Aparecido Ferreira - seu nome verdadeiro - adaptou a canção à moda sanitária.

O funkeiro substituiu a letra original pelo nome do instituto de pesquisas biomédicas do Butantan, responsável pelo desenvolvimento e produção da vacina chinesa CoronaVac no Brasil.

"A vacina envolvente que mexe com a mente / de quem tá presente. A vacina saliente / vai curar muita vida e salvar muita gente. Vem cá vacina, tam / Vem cá vacina tam tam tam", canta na nova versão.


"A minha música foi lançada quatro anos atrás, e ela voltou a viralizar por conta da vacina e porque o instituto Butantan está fazendo ela, e assimilaram (nas redes sociais) a minha música com isso, e aconteceu", explicou o músico de 26 anos à AFP.

Observando o fenômeno nas redes sociais, MC Fioti decidiu filmar um novo clipe no próprio Instituto.

O artista - que agora exibe cabelos tingidos de azul e tatuagens no braço e em uma das pálpebras - se misturou a cientistas durante as filmagens do clipe.

"O Butantan me apoiou 100%, fui muito bem recebido", afirma. Os figurantes de seu novo clipe são os próprios funcionários do Butantan, que não hesitam em rebolar ao ritmo do funk nas escadarias e nas dependências deste instituto de prestígio localizado em São Paulo.


Ciência e funk
O governador do estado de São Paulo, João Doria, telefonou para o cantor para agradecer por "apoiar a ciência brasileira".

É a primeira vez que as letras de um artista de sucesso do gênero abordam um tema científico.

"Vejo como totalmente normal que a ciência e a medicina apareçam no funk, pois o funk se adapta facilmente a qualquer assunto, ao contrário de outros estilos musicais que não ousariam fazer isso", garante MC Fioti.

Sem citar diretamente o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, o funkeiro lamenta que "um certo povo" tenha incentivado os cidadãos a não acreditar na ciência e a duvidar da utilidade de uma vacina.


"Me sinto muito satisfeito de participar disso, porque é o nosso funk e eu me comunico muito com a comunidade (...), e dentro das comunidades principalmente as pessoas não acreditam nisso. Fico feliz de estar participando através da música, de passar um incentivo para as pessoas (para que elas se vacinem)", explica a artista que cresceu em um bairro carente da zona sul de São Paulo.

MC Fioti hoje mora ao lado do estúdio de gravação com a esposa e filha de um ano de idade. Quando alude às razões de seu sucesso mundial, as explicações vão muito além da ciência: "Acho que é simplesmente a vontade de Deus", afirma.

"Salvar vidas"
"É claro que vou ser vacinado", garante MC Fioti. "Meu medo é se a pandemia continuar, é o povo continuar morrendo. Se a gente tem uma vacina que pode salvar vidas, a gente tem que se salvar!".

A campanha de vacinação no Brasil começou com profissionais da saúde, mas são muitas as dificuldades logísticas para entregar as doses ainda insuficientes a todas as partes do país, de 212 milhões de habitantes e tamanho continental.


O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, pediu esta semana a Bolsonaro que interceda junto a Pequim para que a China agilize o embarque dos suprimentos necessários para que o centro possa fabricar 40 milhões de doses da CoronaVac.

Apenas 22% da população brasileira não quer se vacinar, segundo o instituto de pesquisas Datafolha. Entre eles, o próprio Bolsonaro, um ferrenho crítico da vacina chinesa, a primeira a ser administrada no Brasil.
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