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RACISMO

"Foi um crime de racismo e xenofobia", diz pernambucana estudante de universidade portuguesa alvo de pichações

Publicado em: 31/10/2020 17:09 | Atualizado em: 31/10/2020 18:33

 (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Foto: Reprodução/Redes Sociais

 
Imagens de pichações com conteúdos racistas em muros de três escolas secundárias e duas universidades de Lisboa, capital de Portugal, circularam nas redes sociais na manhã da última sexta-feira (30). Nos registros, mensagens de cunho xenófobo contra negros, brasileiros e ciganos. 24 horas depois do ocorrido, a autoria do crime ainda é desconhecida das autoridades, segundo informa o jornal local "Público".

Uma estudante pernambucana, residente em Lisboa, e aluna há um ano da Universidade Católica Portuguesa, um dos alvos das pichações, ressaltou a importância de tratar o ocorrido sem maquiar a gravidade do caso. "Foi um crime de racismo e xenofobia cometido por um grupo de fascistas. É preciso nomear as coisas pelo que elas são", pontuou.
 
Ela também revelou não ter se surpreendido com a situação, afirmando "nunca ter se sentido 100% confortável no ambiente" da Universidade. 

"É constante um certo cochicho quando brasileiros começam a falar em sala de aula, e o ambiente pode ser bem excludente. Já ouvi alunos falarem, quando assuntos como imigração entravam em pauta, que 'os imigrantes acabam roubando nossos empregos'. Esse tipo de discurso não foi ouvido por mim só uma vez", comentou, destacando a existência de um pensamento tradicional - e racista - nas terras lusitanas, apesar de "ser um país com leis progressistas".
 
 (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Foto: Reprodução/Redes Sociais
 

O vandalismo aconteceu nas entradas de escolas secundárias dos bairros de Portela, Sacavém e Olivais, e do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), além da Universidade Católica Portuguesa.

Nos muros das instituições, frases como "as Zucas (termo pejorativo usado para se referir aos brasileiros), voltem para as favelas!, "Morte aos pretos, por uma faculdade branca", "Portugal é branco. Pretos voltem para África!", “Morte aos ciganos. Portugueses digam sim ao racismo" e "Viva a Europa branca" foram alguns dos exemplos encontrados. As pichações demoraram pouco mais de uma hora até serem retiradas. 
 
 (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Foto: Reprodução/Redes Sociais
 
 
Há uma mobilização de coletivos e movimentos brasileiros, que analisam a situação para tomarem as medidas avaliadas como necessárias. 

Respostas
Líderes portugueses se posicionaram com relação ao crime racista e xenófobo ocorrido. O secretário de Educação de Portugal, João Costa, se manifestou a respeito do caso através de uma rede social.

"Não podemos parar de denunciar que estas atitudes estão cada vez mais legitimadas por pessoas que, tendo crescido em democracia, suspiram, discursam e anseiam pelo regresso a um qualquer regime de que têm saudades sem nunca terem conhecido", disse.

Ao jornal local "Público", o diretor do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide, Nuno Reis, afirmou que a solução para o problema é "dar a menor atenção possível a estas situações".

"São situações provocatórias e a nossa posição enquanto agrupamento tem sido de não dar relevância e limpar rapidamente”, completou.
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