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"Placa do povo" que desafia a monarquia retirada das proximidades de palácio na Tailândia

Por: AFP

Publicado em: 21/09/2020 08:01

 (Foto: Lillian SUWANRUMPHA / AFP)
Foto: Lillian SUWANRUMPHA / AFP
A tensão aumentou após um fim de semana de protestos pró-democracia na Tailândia, onde uma "placa do povo" colocada perto do Grande Palácio de Bangcoc para desafiar a poderosa monarquia foi retirada e os processos contra opositores são cada vez mais numerosos.

A placa dourada havia sido fixada com cimento na manhã de domingo perto do antigo palácio real de Bangcoc, após um protesto que reuniu dezenas milhares de pessoas.

"Neste local, o povo expressou sua vontade: que este país pertence ao povo e não é propriedade do monarca", afirmava a placa.

"Fora o feudalismo", declarou Parit Chiwarak, conhecido como Pinguim, um dos principais nomes do movimento.

O gesto teve uma elevada carga simbólica. Uma placa que celebrava o fim da monarquia absoluta em 1932 foi retirada em condições misteriosas em 2017, pouco depois da chegada ao trono de Maha Vajiralongkorn.

"Estamos investigando para averiguar em que circunstâncias e por quem a placa foi retirada", declarou à AFP Piya Tawichai, vice-comandante de polícia.

Os ativistas não pensam em desistir e pretendem distribuir um modelo da placa "para que cada um possa fazer um molde e colocá-la onde desejar", anunciou Pinguim. 

"Esta placa é o início do combate sobre a reforma da monarquia", completou.

As autoridades anunciaram um processo contra as pessoas que colocaram a placa "sem autorização em uma área arqueológica".

A retirada quase imediata da nova placa mostra que os ultramonárquicos não estão dispostos a ceder e estão "exasperados pelas demandas de reforma da monarquia, assim como por qualquer símbolo que reflita uma oposição ao palácio", destaca Paul Chambers, cientista político da universidade tailandesa de Naresuan.

"A elite e o exército, apoio tradicional à monarquia, não estão dispostos a perder seu poder. O apoio à realeza ainda é grande", disse Christine Cabasset, pesquisadora em Bangcoc no Instituto de Pesquisas para o Sudeste da Ásia.

Apesar das várias mudanças de regime (12 golpes de Estado desde 1932), a monarquia tailandesa é protegida por uma das legislações mais duras do mundo, que pune com a prisão qualquer ato considerado difamatório ao rei e sua família.

Mas o movimento estudantil se tornou cada vez mais ousado e elevou o tom no fim de semana.

Parte dos opositores defende a não interferência do rei nas questões políticas, a revogação da lei de lesa-majestade e a devolução dos bens da Coroa ao Estado, reivindicações consideradas inaceitáveis pelo governo.

"Nosso objetivo não é destruir a monarquia, e sim modernizá-la", explica Panusaya Sithijirawattanakul, conhecido como Rung, outro líder do movimento de oposição.

O protesto, que recebeu apoio no fim de semana de ativistas do movimento "camisas vermelhos", próximos ao ex-primeiro-ministro no exílio Thaksin Shinawatra, também pede mais democracia e a renúncia do primeiro-ministro Prayut Chan O Cha, que governa o país desde o golpe de Estado de 2014.
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