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Pandemia

Uma sexta-feira repleta de abraços em um abrigo de idosos na Várzea

Publicado em: 07/08/2020 12:23 | Atualizado em: 07/08/2020 12:56

 (Foto: Tarciso Augusto/DP)
Foto: Tarciso Augusto/DP
Quanto cabe de sensações em um abraço adiado por quatro meses? Há doses de saudade. De amor. De lembranças. No caso de Elaeci Alexandre de Souza, 88 anos, ela nem soube descrever com palavras seus sentimentos. Então, aproveitou para abraçar mais do que falar. 

Elaeci é enfermeira aposentada e está no Centro Geriátrico Padre Venâncio, no bairro da Várzea, no Recife, há quatro anos. Não teve filhos. Os parentes próximos são sobrinhas. Desde março, por conta da pandemia, só falava com a família por chamada de vídeo. Hoje, quebraram o gelo da distância. E aproximaram os corpos de forma afetuosa com a chamada cortina do abraço. A iniciativa acontece no país todo e aportou também no Recife.

Hoje, duas idosas participaram da ação e reencontraram os parentes. A cortina permanecerá no local, para outras visitas. Ao todo, são 42 mulheres acolhidas. Apenas 50% recebiam visita com frequência antes da pandemia. “Eu estou muito ansiosa. Ela nos liga todos os dias. Antes a gente vinha, passava o dia”, disse a sobrinha de Elaeci, a professora Cecília Maria Alexandre de Souza 63. O abraço teve muito aperto e sorrisos.

Depois de Elaeci, foi a vez de um abraço emocionante entre uma mãe e uma filha. A analista de contas Ana Neves, 48, passou minutos enlaçada nos braços da mãe, Eva Maria da Silva, 83. Há quatro anos a idosa mora no abrigo. “Ô coisa boa. Dá beijinho. Eu amo muito você”, disse Eva para a filha chorosa.

A iniciativa da cortina do abraço nos abrigos é dos sócios da Sodiê Doces. Começou em São Paulo e já aconteceu também em Natal e Salvador. “A ideia começou com o dia dos avós. Por conta da pandemia, os idosos ficaram afastados das famílias. A cortina é uma forma de aproximar as pessoas”, explica Marcelo Chaves, da empresa. O próprio Marcelo se emociona com a ação. Lembra da mãe, morta em 2007.

Esmeralda Moura, gerente de educação e assistência social da Santa Casa de Misericórdia, que administra a casa de acolhimento, disse que outras famílias serão convidadas a abraçarem seus idosos durante a pandemia. “Achei a ideia ótima porque alegra o espírito e melhora a imunidade. Somente a conversa por tablet não surte efeito. O abraço traz ânimo para elas, que estão ressentidas com a distância.”

O espaço recebe pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social e trata-se de uma unidade privada filantrópica. Ao todo, 70% do benefício da idosa interna é usado para custear a permanência dela no espaço.
TAGS: idosos | pandemia | abraços |
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