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OPINIÃO

Polarização em declínio?

Publicado em: 03/08/2020 08:57

 (Foto: Nando Chiappetta / Arquivo DP)
Foto: Nando Chiappetta / Arquivo DP
As eleições de 2018 encerraram um ciclo que, desde 1994, marcava-se pela polarização entre PSDB e PT. Cada um fazendo alianças com os mesmos partidos para obter a governabilidade. Essa polarização acentuou-se com as mudanças mais profundas advindas das da universalização da internet e das redes sociais. O ambiente tornou-se mais emocional. Sociedades ‘nervosas’, na linguagem de um autor que nos alerta para a insuficiência do anterior modelo de convencimento pela razão (William Davies, Nervous States, 2018). 

As pessoas, diante das incertezas e da proliferação de conteúdos, tendem ao viés da confirmação. E a se posicionar mais por critérios de afeição, propensas a buscar segurança e autoestima nas identidades grupais. Mais do que no argumento racional. Como realça Sérgio Abranches (Democracia em Risco?, 2019). Líderes populistas exploram as emoções ressentidas. E o fazem a partir da lógica de exclusão do antagonista. Explode a cultura do cancelamento do diferente. Da lacração.

A anterior polarização entre PSDB e PT foi substituída. Agora ocorre entre bolsonaristas e lulopetistas, com seus satélites. Essa polarização, paradoxalmente, dá-se em quadro partidário disperso. Mais de 30 partidos que giram em torno dos polarizadores. Embora persistam aquelas razões de psicologia de massa, alguns sinais de mudança começam a aparecer. Já nas eleições municipais de novembro. As candidaturas para as prefeituras mostram cenários mais diversificados. 

Tome-se o exemplo de São Paulo. Há duas candidaturas de direita bolsonarista (Felipe Sabará, Novo, e Levy Fidelix, PRTB); duas candidaturas de direita anti-Bolsonaro (Joice Hasselmann, PSL, e Arthur do Val, Patriota); duas de centro- -direita (Andrea Matarazzo, PSD, e Marcos da Costa, PTB); uma de centro (Bruno Covas, PSDB); uma de centro-esquerda (Márcio França, PSB); e três de esquerda (Guilherme Boulos, PSol), Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB). 

Um quadro ainda de forte dispersão, induzida pela proibição de coligações para vereador. Mas que mostra alguma superação da anterior polarização. Os dois polos, antes mais homogêneos, agora estão internamente divididos. Forças que há pouco estavam com Bolsonaro agora fazem campanha como antibolsonaristas. Outras forças que estiveram com o PT, agora marcam diferença e deixam-no isolado.

Isso ocorre em um momento em que Bolsonaro se alinha à velha política do Centrão, volta ao ‘toma-lá-cá’ dos cargos e investe contra a Lava-Jato. Com a perda de eleitores que o viam como uma ruptura com tudo isso. Abre-se o espaço para que surjam alternativas ao Lulopetismo que não sejam bolsonaristas, quando permanecem no campo à direita. Como as que sonham com uma candidatura Sergio Moro. No outro campo, surgem alternativas não-petistas ao Bolsonarismo. No Congresso, avança o diálogo entre PSB, PDT, PC do B, Rede e Cidadania, na centro-esquerda.

Na centro-direita, MDB e DEM formam bloco, o que pode ser embrião de uma candidatura presidencial. Vai-se se esfumaçando a polarização que prevaleceu no ciclo encerrado com as eleições de 2018. Antenados com esses deslocamentos, surgem diálogos entre forças progressistas que defendem um movimento que possa culminar com um novo partido progressista capaz de recolher atores políticos que já não se identificam com os cartórios dos partidos envelhecidos. Um novo partido capaz de aprender com os erros que todos cometemos desde a redemocratização. Mas capaz, sobretudo, de reconectar a política com a cidadania em torno de um novo projeto de desenvolvimento.

* Advogado formado pela FDR da UFPE, PhD pela Universidade Oxford
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