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MÚSICA

Grupo Bongar dá início às comemoração de 20 anos com show virtual

Publicado em: 15/08/2020 10:00 | Atualizado em: 16/08/2020 10:01

 (Foto: Rennan Peixe/Divulgação)
Foto: Rennan Peixe/Divulgação


A musicalidade ancestral e as ações sociais voltados ao público jovem do Terreiro Xambá, em Olinda, são as marcas do grupo pernambuco Bongar. Fundado em 2001, o Bongar vai além da música e atua como instrumento social, formando jovens e combatendo o racismo institucional. Neste domingo, o grupo celebra 19 anos de estrada e dá início às comemoração de 20 anos do grupo. Para marcar a data, realiza uma live musical a partir das 18h, no YouTube do Bongar. O grupo jovem Pirão Bateu faz abertura da apresentação. A transmissão é aberta, mas o grupo pede uma contruibição nos valores de R$ 10 a R$ 50 para ajudar na logística e produção do show. Para adquirir o ingresso, clique aqui.

"Com o Bongar, a gente fez da nossa música, o coco, um instrumento de transformação social. Uma arte promovida por núcleos negros e familiares”, destaca o idealizador do grupo, Guitinho da Xambá. "Eu sempre vivi em torno da Xambá, vivenciando cultura popular. Isso me fez criar o Grupo Bongar e agora compreendo a nossa música como objeto de afirmação", completa.

Para a comemoração, o grupo lançou uma nova logo com uma simples modificação visual de cores. As ações festivas seguem até agosto de 2021, quando são celebradas as duas décadas de formação. "Com quase 20 anos do Bongar, vemos que o grupo tem um papel fundamental na construção de uma juventude consciente da sua identidade e da sua resistência, em particular da tradição porque somos o único Quilombo Urbano Nação Xambá no Brasil. Vivenciando a nossa história, da nossa família, vimos que não bastava só a gente levar a música, isso talvez nos transformasse em um grupo folclórico", destaca Guitinho.

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De acordo com o músico e ativista, as expectativas extrapolaram as fronteiras. "Extrapolamos o que imaginávamos. Hoje não representamos somente a nossa tradição, a nossa cultura nos fez romper as barreiras do quilombo e levar a Xambá e para os quatro cantos do mundo. É um movimento de ressignificação da música em prol do ativismo social, um ativismo negro em combate ao racismo", completa.


No campo social, após anos de luta, foi inaugurado Centro Cultural Grupo Bongar, em 2016. Lá, são realizadas oficinas de percussão e dança popular, formações de audiovisual para jovens, aulas de capoeira, confecção de instrumentos, aulas-espetáculos, culinária de terreiro e palestras. No área artística, o grupo tem seis discos e um DVD gravado, além de participação em vários festivais nacionais e internacionais.

Além do Bongar, foram formados outros três grupos musicais: Xamba das Yabás; Pirão Bateu, com jovens que mesclam instrumentos tradicionais e utensílios domésticos; e o Mixidinho, criado pela geração mais nova, com menos de 10 anos. "Hoje a gente começa a ver os frutos do Bongar. Eles vão para além do Bongar, com outro despertar e estética sonora, composições próprias, mas com toda a bagagem da nossa discussão socio-política", analisa Guitinho.

Pirão Bateu

A iniciativa jovem Pirão Bateu que abre a live do Bongar neste domingo é formado por sobrinhos e filhos dos membros do grupo musical, que atuam na manutenção cultural das tradições e do ritmo original do quilombo. O Pirão Bateu mantém a batida do coco de roda e dos toques de candomblé, mas exploram o uso de panelas, caldeirões, cuscuzeiras.

O nome é inspirado no pirão que é distribuído nos encontros e cerimônias realizadas no Terreiro Xambá. Ele é preparado com azeite de dendê, farinha de mandioca, água e sal. "Quando a gente termna de comer e sente uma moleza no corpo, tem uma expressão que costumamos dizer: 'o pirão bateu'", conta Guitinho da Xambá. 

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