Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Últimas

NEGÓCIO

EUA cogita desvincular dólar-americano da moeda de Hong Kong

Publicado em: 10/07/2020 15:57

 (Foto: AFP/MOHAMMED HUWAIS)
Foto: AFP/MOHAMMED HUWAIS
Os principais assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, articulam que o governo de Washington corte o vínculo do dólar de Hong Kong com a moeda norte-americana para punir a China. Segundo publicação da agência Bloomberg, a medida seria em retaliação à recente lei de segurança nacional imposta a esta região administrativa chinesa. Tal dispositivo pode vir a limitar a capacidade de bancos locais para comprar dólares norte-americanos, o que para os opositores à administração Trump poderia prejudicar os bancos da região e os EUA e, não a China.

A moeda de Hong Kong é vinculada ao dólar norte-americano desde 1983, o que permite a flutuação dentro de uma faixa bem estreita que, na maioria das vezes, se estabelece em torno de 7,8 dólares de Hong Kong por dólar dos EUA. A moeda se manteve forte devido a sua vantagem de rentabilidade em relação ao dólar, a demanda de vendas de ações das companhias chinesas e fluxos persistentes no mercado local de renda variável. De acordo com fontes da Bloomberg, a administração Trump proriza encontrar maneiras de punir os bancos com sede em Hong Kong,sobretudo a multinacional britânica HSBC Holdings.

Em junho, o, secretário financeiro de Hong Kong, Paul Chan, declarou que o Banco Popular da China poderia dispor de dólares norte-americanos, caso os Estados Unidos imponham sanções contra o território. A fixação ao dólar é respaldada por volta de US$ 440 bilhões (R$ 2,34 trilhões) em reservas de divisas, mais do que o dobro do dinheiro em circulação na cidade. Já o diretor-executivo da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), Eddie Yue, garantiu que qualquer medida que negasse o acesso desta região administrativa chinesa ao sistema de compensação do dólar norte-americano seria um cenário apocalíptico, que também refletiria ondas de choque aos mercados globais, incluindo o próprio EUA.
 
Para Xia Le, economista-chefe da Ásia no BBVA Hong Kong, a proposta é como "arma nuclear". Neste sentido, indicou que, se a medida for aplicada, existe o risco de dissociação completa entre Pequim e Washington. "É tecnicamente difícil impor e prejudicará muito os Estados Unidos", afirmou Xia.

Stephen Innes, estrategista-chefe de mercados globais da AxiCorp, acredita que uma possível forma de atacar o ponto de apoio do dólar por parte de Washington seria mediante limitações aos bancos do país norte-americano no momento de proporcionar fundos em dólares aos bancos chineses e de Hong Kong, o que elevaria os custos dos fundos "de forma exorbitante". No entanto, Innes considera que este cenário é pouco provável, porque a China poderia responder com medidas contra os ativos norte-americanos, inclusive os títulos do Tesouro e ações, assim como desestabilizar as parcelas em outras partes, especialmente os mantidos por aliados dos EUA no Oriente Médio. "A instabilidade impensável que desencadearia no ecossistema financeiro global baseado no dólar norte-americano poderia impulsionar uma venda massiva nos mercados de ações dos EUA", aponta Innes, acrescentando que isto seria "um resultado abominável para a Casa Branca antes das eleições presidenciais em novembro".

Entretanto Washington também cogita adotar outras possibilidades de represália, que vão desde cancelar o tratado de extradição entre os EUA e a região administrativa, até colocar fim na cooperação de Washington com a polícia de Hong Kong.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Enem para todos com professor Fernandinho Beltrão
De 1 a 5: entenda as diferenças entre os tipos de exames para a Covid-19
Bolsonaro convida Temer para missão no Líbano
Rhaldney Santos entrevista o pré-candidato à prefeitura de Jaboatão Adelson Veras
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco