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ARTE

Criada na pandemia, série Teia ganha edição especial em parceria com Som na Rural

Publicado em: 09/07/2020 09:02 | Atualizado em: 09/07/2020 09:16

Em projeto feito junto com a esposa, a cineasta Déa Ferraz, Cláudio Ferrario resgatou antigo personagem para o monólogo (Foto: Déa Ferraz/Divulgação)
Em projeto feito junto com a esposa, a cineasta Déa Ferraz, Cláudio Ferrario resgatou antigo personagem para o monólogo (Foto: Déa Ferraz/Divulgação)

Uma travessia entre o teatro e o audiovisual deu o pontapé inicial para a série virtual Teia, criada no período de isolamento social pelo Coletivo Parêa, formado pelo ator Cláudio Ferrario e pela cineasta Déa Ferraz, que se propõe a narrar histórias contadas por outras pessoas, ouvidas nas ruas, no imaginário popular, resgatadas e adaptadas de livros.

O projeto é fruto do espetáculo Martelada, um monólogo interpretado por Cláudio que conta a história de Martelo, figura tradicional do cavalo-marinho que costuma receber visitantes interessados em ouvir suas histórias misteriosas. A cada segunda e quinta são lançados novos episódios no canal do YouTube - pode ser acessado pelo link. Nesta quinta-feira (9), às 20h, Teia se une ao Som na Rural para a primeira apresentação ao vivo. A transmissão será no Instagram da iniciativa do produtor cultural Roger de Renor (@somnarural).

“Estamos na quarentena juntos, um ator e uma cineasta, então decidimos inventar essa brincadeira. Foi uma alegria para nós e ficamos felizes de ver as pessoas compartilhando, dando ideias, realmente curtindo o que temos produzido”, explica Cláudio, que é casado com Déa Ferraz. Ao todo, já foram apresentadas 16 histórias de seis a oito minutos, quatro delas enviadas por pessoas que passaram a acompanhar a série pelo YouTube. “Teia nasce da inquietação que estamos vivendo, de isolamento e de crise no setor artístico. Como fazer teatro e cinema agora? Sem o encontro, sem o público, sem o outro…”, reflete Déa.


Inspirada pelo livro Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, que ela destaca como um bálsamo em tempos de pandemia, a diretora se apegou em uma das dicas presentes na obra: contar mais uma história. “É um lugar de experimentação. É também caseiro e amoroso. Resgatamos o personagem de Cláudio, o velho guardador de mistérios, que nasceu no espetáculo Martelada, e o figurino e transformamos a sala em estúdio. Não é teatro e nem cinema, é um espaço entre os dois. Fez-se essa ponte, essa rede, que vai se tecendo”, destaca.

Para manter a energia do teatro, toda a gravação é feita em plano-sequência, sem cortes. A união com o Som na Rural aconteceu de forma natural e ainda não tem rumos pré-definidos. “Como ator, Cláudio tem a necessidade de se apresentar em contato direto como público, mesmo quede forma virtual. Então teremos essa primeira live de teste”, conta Déa, que é responsável por filmes como Modo de produção (2017), Câmara de espelhos (2016) e Sete corações (2014).

O espetáculo de 30 minutos de hoje vai reunir novas histórias do velho guardador de mistérios e resgatar episódios anteriores da Teia. Para a transmissão ao vivo, algumas técnicas precisaram ser adaptadas, como a luz, o som e a mudança para a tela do celular. “Precisamos entender o formato para sentir se continuaremos nesse caminho. Tudo pode, inclusive o erro, a falha, o fracasso. Estamos nessa energia de experimentar”, completa Déa.

"A Rural é ao ar livre, é o abraço, é o povo”

Roger de Renor tem realizado bate-papos aos domingos no @somnarural e participa do espetáculo Teia (Foto: Flora Pimentel/Divulgação)
Roger de Renor tem realizado bate-papos aos domingos no @somnarural e participa do espetáculo Teia (Foto: Flora Pimentel/Divulgação)

Depois da apresentação, Roger de Renor vai bater um papo com o casal. "A Rural é da rua, então achamos uma boa unir a contação de história com o espaço simbólico que o Som na Rural ocupa. Tenho certeza que o nosso público está muito predisposto a se envolver nas histórias contadas por Cláudio. Na falta de calçadas, que se abram as janelas", afirma Roger.

Paralelamente, a Rural tem realizado todos os domingos um bate-papo ao vivo com artistas locais. Já participaram Cannibal e Neilton, da banda Devotos, Juvenil Silva e Mãe Beth de Oxum. O convidado desta semana será o cantor Otto, às 16h.

A pandemia afetou em larga escala o trabalho desempenhado por Roger. "Os artistas foram os primeiros a parar e vão ser os últimos a voltar. Mas a gente não se enquadra nessa. Eu não tenho um trabalho fechado como um artista para vender, e isso dificulta ainda mais a nossa continuidade nas redes sociais, por exemplo. Nosso trabalho é ao ar livre, é o abraço, é o povo. Usamos a música como plataforma para reocupação dos espaços com cultura. Com a pandemia, a sensação é de todo dia acordar atrasado, porque o mundo está se transformando e você está ficando para trás", desabafa.
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