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Conheça algumas atrações pernambucanas do Molotov.EXE, realizado neste sábado

Publicado em: 10/07/2020 15:55 | Atualizado em: 10/07/2020 20:08

Leo da Bodega, Ultra e Kai são algumas atrações do Molotov.EXE (Foto: Divulgação)
Leo da Bodega, Ultra e Kai são algumas atrações do Molotov.EXE (Foto: Divulgação)

Após uma programação de oficinas e debates iniciada em 1 de julho, o Coquetel Molotov.EXE, versão online do festival pernambucano No Ar Coquetel Molotov, realiza sua programação de shows neste sábado (11), a partir das 17h, em três palcos simultâneos na plataforma Zoom. Seguindo as tradições do selo, que produz eventos no Recife há 17 anos, a grade agrega artistas representativos do cenário musical mais alternativo, como MC Tha (SP), Tássia Reis (SP) , Boogarins (GO) ou Noporn (SP). Por ser uma edição online, existem nomes que se tornaram populares (e até "meméticos") através da internet, como Cleiton Rasta (AL) ou Débora dos Falsetes (SP), que vai cantar músicas de Mariah Carey.

Outra proposta do festival é presença de descobertas da cena musical pernambucana. Entre os artistas da terra, a edição online conta com nomes que já circulam pelo meio cultural há um certo tempo, como a poeta declamadora e cantora Luna Vitrolira, que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2019, ou o cantor Romero Ferro, que vem conquistando mais espaço na cena música pop nacional. A MC Rayssa Dias, que se apresentou no Rec-Beat de 2020, se destaca como uma rara voz feminina no brega-funk. Iury Andrew, por sua vez, é um dos nomes mais presentes nas festas da capital pernambucana, levantando bandeira racial e também LGBTQIA+.

Léo da Bodega
Existem nomes ainda mais “freshs”. O olindense Léo da Bodega, 24, é um exemplo. Natural do Sítio Histórico de Olinda, Leonardo Aguiar da Silva iniciou o seu contato com a arte aos 6 anos de idade, quando aprendeu a tocar rabeca. Ele também foi caboclo de lança no Maracatu Piaba de Ouro, sendo apadrinhado pelo Mestre Salustiano (1945 - 2008). Ao passar dos anos, se envolveu em outros projetos artísticos e musicais, como quando passou a frequentar o Centro Cultural Arvoredo de Olinda, que ajudou a fomentar a cena do hip hop no Grande Recife.



Em 2020, o jovem lançou uma carreira focada no trap, vertente contemporânea do rap nascida na década passada e que tem apresentado força na era digital. Suas músicas mesclam esse gênero com a cultura pernambucana, seja no sotaque ou em gírias e referências usadas em suas letras. “O interesse de trabalhar com trap surgiu pois esse é o gênero mais ouvido do mundo hoje”, diz. “Eu gosto de usar batidas e autotune específicos, para criar uma textura ideal para esse mercado. Tento falar das coisas que vivo e a cultura popular acaba aparecendo”.

Até o momento, ele lançou as canções Lareira (70 mil visualizações no YouTube) e Anjo (50 mil), que tiveram uma repercussão considerável para os padrões do trap local, que vem crescendo desde 2017. “Eu e minha produtora, a Lombra Metragem, estamos planejando essa carreira desde 2018. Temos dez lançamentos agendados até dezembro. No próximo mês estaremos lançando uma mixtape”, revela.

Kai
Kai (Foto: Divulgação)
Kai (Foto: Divulgação)

Se Léo investe em uma vertente futurística do trap, o DJ Kai (nome artístico de Kaique Lopes), 26, costuma trabalhar com uma espécie de linha evolutiva do hip hop. "Eu pesquiso a cultura do hip hop desde os anos 1980, quando existia uma estética mais próxima do funk, do jazz e do blues, até a atualidade, quando surge uma pegada do trap”, explica jovem, que nasceu em São Paulo e veio morar em Caruaru, no Agreste, aos 6 anos da idade.

No Recife, onde vive desde os 20, ele se tornou um dos produtores da DIP Festa, que nasceu há um ano com sets inicialmente realizados na Rua Mamede Simões, point do Centro do Recife. O selo surgiu para ser um contraponto ao o que já existia na noite da cidade, e se tornou um laboratório para testar novas sonoridades, passando também pelo techno e pelo R&B.

Neste ano, o jovem criou uma playlist acompanhada por identidade visual (disponível na plataforma Behance) que simula o que seria um sexto álbum de estúdio de Tupac Shakur, falecido aos 25 anos, em 1996. “Eu sempre admirei muito como ele conseguia ir além do básico da época, quando o rap ainda estava saindo das ruas. Ele morreu basicamente com a minha idade, então me perguntei como seria se ele ainda estivesse por aqui ainda. Ele estaria na mesma faixa etária que Jay-Z está. Acredito que ele iria inspirar empoderamento, os protestos mais atuais".

Ultra
Ultra (Foto: Divulgação)
Ultra (Foto: Divulgação)


Ultra é o alterego de Raul Martins (mais conhecido como Ra), DJ, performer e artista visual do Recife. Ele começou a atuar na noite recifense há 5 anos, quando foi um dos fundadores do coletivo Pop Briseiro, que produziu eventos e conteúdos musicais e artísticos. Hoje, o foco da sua pesquisa é uma espécie de desconstrução do gênero musical, perpassando por house clássico ao brega recifense, do techno de Berlin ao funk carioca, além de pesquisas estéticas visuais e performáticas que tentam construir uma atmosfera intensa.

“Musicalmente, acho que estamos passando por um momento da morte do gênero. É cada vez mais difícil categorizar algo, pois tudo vira um eletro-punk-brega-rave-house”, diz o artista de 27 anos. “Nesse momento de distanciamento social, estou vivendo recortes cada vez mais internos, conexão com a casa e o corpo”, explica o artista, que costumo fazer experimentos visuais com comidas. 

“Tudo o que eu vou preparar, seja esteticamente, visualmente ou sonoramente, acredito que existe essa correlação, esse ponto de tangenciamento com a comida. O alimento é mais do que algo que se coloca na boca. Por isso, vou preparar uma receita durante o meu set no Molotov.EXE”. Seu trabalho pode ser conferido no Instagram (@ultra.ra), no Soundcloud e no Mixcloud.

Confira a programação completa:

Palco Itaipava 17h - 23h
Léo da Bodega (PE) 
Gab Ferreira (SC)
Boogarins (GO) 
Luna Vitrolira (PE) 
Giovani Cidreira (BA)  
Tássia Reis (SP)  
Romero Ferro (PE)  
MC Tha (SP)

Palco TNT 19h - 03h
Abertura
Tsar B (Belgica)
Kai (PE) 
Rayssa Dias (PE) 
Déborah dos Falsetes (SP) cantando Mariah Carey 
DJ Ananindeusa (PA)  
DJ Cleiton Rasta (AL)  
Iury Andrew (PE)
Badsista SP

Palco ¼ (22h - 05h)
Bicudo (Portugal) (¼)
Mientras Dura (MG)
Noporn (SP)
Posada (RS) (Base)
Ultra (PE)
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