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Coronavírus

Grávidas enfrentam medo e incertezas

Obstetra alerta que gestantes não devem antecipar parto

Publicado em: 06/04/2020 21:52 | Atualizado em: 07/04/2020 09:43

 

 

A notícia sobre a morte de uma gestante com diagnóstico de coronavírus em Pernambuco no último final de semana gerou tensão e inquietude entre as grávidas do estado. Ontem, em alguns grupos de WhatsApp organizados por clínicas especializadas, como a Obstare, o assunto foi evitado como espécie de blindagem emocional, mas os médicos passaram o dia respondendo a novas dúvidas das pacientes e pregando a calma para evitar pedidos de antecipação de partos cesáreas. “Todas ficaram muito abaladas, mas a mortalidade no geral é pequena se comparada a dos idosos”, diz o obstetra Thiago Saraiva. “Muitos estão querendo antecipar o parto. Meu pensamento é que não se deve antecipar e fica a cargo do profissional tirar o medo da mulher”, afirma Saraiva.

 

 (Arquivo pessoal/cortesia)
Arquivo pessoal/cortesia

Grávidas isoladas em casa com o companheiro ou poucos familiares revelaram como estão enfrentando a ansiedade que já sentiam e foi acentuada. "À espera de um garoto e com parto com data aproximada para a próxima sexta-feira, quando completará quarenta semanas de gestação, Camila Soares, 30 anos, diz que chegou a cogitar um parto domiciliar, mas considerou que não seria viável em virtude dos riscos gerados para eventuais complicações de um parto normal sem a estrutura hospitalar. Ela acredita que em outros países a prática conta com socorro em poucos minutos, o que não acontece na estrutura brasileira. Além do mais, Camila diz que está confiante com a escolha da equipe da Obstare, que não trabalha com parto domiciliar, e ela não pretendia trocar de equipe. “Sabemos que esse não é um monumento bom para estar em hospitais, visto ser o local de maior chance de contrair o vírus, porém entendi que é necessário para o nascimento”, afirmou.

 

Ela e o marido estão confinados em casa e já acordaram as providências a serem tomadas quando as contrações chegarem. “Sairemos apenas na fase ativa e final do trabalho de parto para evitar passarmos muito tempo no hospital”, afirma. Além disso, já avisou aos avós que visitas serão evitadas e eles conhecerão o neto por videochamada, por segurança. Camila terá o bebê em um hospital da rede particular do Recife. As medidas tomadas pela unidade, que incluem a reserva de um andar apenas para maternidade e redução do fluxo de profissionais deste setor, acabaram por lhe acalmar mais nesta espera.

 

 (Arquivo pessoal/cortesia)
Arquivo pessoal/cortesia

    Mas não só as gestantes do terceiro trimestre enfrentam temores. Amália Uchôa, 32 anos, está no segundo trimestre, grávida de Helena. Ontem, relatou sua tristeza quanto à morte da fisioterapeuta vitimada pelo coronavírus e falou do impacto que a notícia lhe causou: “Aumentou a preocupação que já tínhamos. É um medo, uma vontade de ficar em casa, uma sensação de impotência mesmo e até uma revolta por não sermos consideradas do grupo de risco”, disse ela, isolada 100% há 21 dias com o marido. Noemy Silva, gestante com 25 semanas, também conta que aumentou sua insegurança. “Está todo mundo tenso porque os estudos são poucos”, lembra. 

 

O Ministério da Saúde decidiu no final da semana passada que puérperas - mulheres com até 42 dias após o parto - e gestantes com comorbidades passaram a ser consideradas grupo de risco e devem ser afastadas de seus trabalhos. São grávidas com hipertensão, asma, diabetes e trombofilia. De maneira mais ampla, no entanto, continua valendo o entendimento da nota técnica do Ministério da Saúde publicada no dia 25 de março, segundo a qual “o quadro clínico observado em gestantes com a SARS-CoV-2 é semelhante ao observado em adultos não gestantes, bem como taxas de complicações e de evolução para casos graves (aproximadamente 5% dos casos confirmados)”. Assim, o protocolo é semelhante ao dado à população adulta . 

 (Zianne Torres/DP)
Zianne Torres/DP
 

 Apenas diante de um quadro de Covid-19 em forma grave, com febre superior a 38°C e um ou mais dos seguintes sintomas - tosse, dificuldade grande de respirar, dores de garganta e sintomas gastrointestinais nos últimos sete dias -, os cuidados são especiais e deve-se procurar ajuda de forma mais regulada, conforme mostra gráfico acima. Um protocolo de atendimento tem sido seguido pelas autoridades. Não havendo sintomas, a gestante deve manter a rotina do pré-natal. 

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