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CARNAVAL

Ubuntu e Tumaraca desfilam pelas ruas do Recife Antigo

Publicado em: 20/02/2020 18:21 | Atualizado em: 20/02/2020 19:10

Ao todo, 24 afoxés, 400 batuqueiros e 13 nações de maracatu passarão pelas ruas do Recife Antigo entoando cantos para Orixás e pedindo paz para os foliões (Foto: Paulo Paiva/DP )
Ao todo, 24 afoxés, 400 batuqueiros e 13 nações de maracatu passarão pelas ruas do Recife Antigo entoando cantos para Orixás e pedindo paz para os foliões (Foto: Paulo Paiva/DP )
Nem mesmo a chuva que banhou a capital pernambucana nesta quinta-feira impediu a saída do Ubuntu e do espetáculo Tumaraca. Com concentração que teve início há pouco, às 16h na Avenida Rio Branco, área central de Recife, e trazendo como mote Nossas Mulheres, Nosso Legado, Nossa História a cerimônia pede, pelo terceiro ano consecutivo, bençãos para o carnaval e abre caminhos para os próximos dias de folia. 

Ao todo, 24 afoxés, 400 batuqueiros e 13 nações de maracatu passarão pelas ruas do Recife Antigo entoando cantos para Orixás e pedindo paz para os foliões. Mas muito se engana quem acha que o Ubuntu tem início na tradicional lavagem da Boulevard da Rio Branco em direção ao Marco Zero. “A cerimônia começa desde cedo, ainda pela manhã com a preparação do banho de ervas. Depois fazemos a oferta para Exu, quando jogamos farofa na Rio Branco e abrimos os caminhos”, explica Jorge Feó produtor do afoxé oxum pandá, com sede no bairro do barro, e organizador do evento. “Somente após isso seguimos com a lavagem e distribuição de rosas, sempre entoando cânticos para Oxum, o orixá das águas. Cantamos para ele porque acreditamos que todos de Recife são filhos dele, já que estamos em uma cidade cortada por rios.” 

Neste ano o Ubuntu e o Tumaraca homenagearão Mãe Lu de Oxalá, Mãe Mana de Xangô, Mãe Ná de Oxum Ajagurá, Mãe Lucia Crispianiano, Mãe Maria Helena Sampaio, Mãe Ifá Tinuké (in memoriam) e a secretaria de Cultura do Recife Dra Leda Alves. “Decidimos homenagear as mulheres por causa da importância delas no terreiro. São elas que preparam a comida, nossa ligação direta com os orixás, e realizam cerimônias. Aqui gostaríamos de mostrar nossa admiração e carinho por elas.”

A cerimônia é de enorme importância para as comunidades ligadas às religiões de origem africana. “Este é um encontro de muitos afoxés e grupos de terreiro por um só objetivo: desmistificar a visão que as pessoas têm do nosso sagrado. Queremos respeito e o direito de ocupar as ruas.”, disse o pai Moacir d’ Angola do terreiro filhos de Dandalunda. 

Porém, para os líderes de terreiro, o afoxé, ritmo com influências africanas comuns em cerimônias de Candomblé, não pode ser lembrado apenas em datas comemorativas. “Para além do carnaval, devemos pensar no afoxé como uma representação do que é o nosso povo. É uma demonstração de músicas do terreiro, do povo preto. População que tanto sofre com preconceitos e déficits em políticas públicas”, explica Wanessa de Paula Santos, presidente do omolu pa keru awo. 

Os estandartes param no Marco Zero para lavar ponto zero da capital, local que será tomado pelo espetáculo Tumaraca. Ele consiste em apresentações dos tradicionais maracatus Encanto da Alegria, Leão da Campina, Estrela Dalva, Encanto do Pina, Estrela Brilhante do Recife, Linda Flor, Xangô Alafin, Tupinambá, Porto Rico, Almirante do Forte, Raízes de Pai Adão, Cambinda Estrela e Aurora Africana, às 18h, o último grande espetáculo antes da abertura oficial da Folia de Momos 2020.
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