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'Representarei um movimento', diz Priscila Senna, primeira atração de brega no Marco Zero

Publicado em: 20/02/2020 18:17 | Atualizado em: 20/02/2020 18:33

 (Foto: Felipe Queiroz/Divulgação)
Foto: Felipe Queiroz/Divulgação
Em uma rápida busca pela internet, é possível encontrar vídeos de Priscila Senna no início de carreira, comandando os vocais da Mistura do Calypso. Um deles, gravado no pequeno palco do Clube Lenhadores, a cantora se apresenta acompanhada por quatro dançarinos que realizam coreografias marcadas, como se estivessem no estúdio de um programa de brega dos anos 2000. A música tocada é Novo namorado, sucesso que posteriormente conquistou diversas classes sociais. Foi um longo percurso até que Priscila, atualmente em carreira solo, se tornasse a primeira atração de brega da história no polo do Marco Zero durante o carnaval.

O show será realizado nesta sexta-feira (21), às 23h20, após o espetáculo oficial de abertura do período de momo. Maestro Edson Rodrigues e Bloco das Flores, homenageados do ano, Antônio Nóbrega e Maestro Forró completam a programação da noite.

O gênero brega existe no estado desde 1970, difundindo em uma cadeia local de bandas. Priscila, hoje com 28 anos, surgiu no ápice das bandas lideradas por vocais femininos, quando houve uma intensificação das relações performáticas com gêneros musicais como forró eletrônico e calypso. Sua carreira desponta com a criação da banda Musa do Calypso, em 2009. O primeiro DVD do projeto, de 2012, é um daqueles embalados por sucessos do começo ao fim, a exemplo de Podem até nos separar, Não sabe, Toda mulher é igual a uma flor, Amor eu amo e Não sou a única.

A presença do brega em grandes eventos realizados pelas gestões públicas começou a ganhar forma recentemente, sob pressão da cultura digital. No carnaval de 2019, Michelle Melo e Kelvis Duran fizeram uma participação no espetáculo de abertura do carnaval. Em julho, a banda Amigas do Brega lotou o palco principal do Festival de Inverno de Garanhuns. No ano novo, o brega foi a linha de frente dos palcos públicos do Recife. Foi quando Priscila tocou no palco do Pina, na Zona Sul, para 200 mil pessoas. A chegada ao polo do Marco Zero, um epicentro simbólico do carnaval, vem como um reconhecimento tardio do poder público.

Entrevista - Priscila Senna, cantora

Como começou a sua carreira?
Foi quando conheci o meu esposo. Montamos a banda Musa do Calypso, junto com meu cunhado. Seguimos com esse grupo até 2018. No ano passado mudamos um pouco nossa roupagem, mas sem deixar a nossa principal característica que é esse romantismo, essa sofrência. Foi justamente nesse momento que lançamos o nosso projeto mais recente, o EP Priscila Senna A Musa. A partir daí, conseguimos conquistar outros estados do Nordeste, mas sem esquecer de Pernambuco e principalmente do Grande Recife. Aliás, nunca vamos esquecer do Recife. Foi aqui que nascemos, que crescemos e mantemos um público muito fiel.

Quando você adquiriu o tom de cabelo ruivo? Foi uma estratégia para destacar sua imagem?
Não foi uma coisa muito pensada, nem posso usar essa palavra "estratégia". Pintei porque na época gravamos a música Novo namorado, que fala “Pintei o meu cabelo, me valorizei / Entrei na academia, eu malhei, malhei’. Eu pintei o cabelo pra combinar com a música. Eu até ia voltar ao preto, mas tanta gente disse que eu estava bonita que decidi permanecer ruiva (risos).

O seu show no Pina durante o ano novo repercutiu muito bem. Como foi realizar esse evento?
Foi muito emocionante. Divulgaram que mais de 200 mil pessoas estavam lá. Quando eu vi aquele mar de gente, fiquei com vontade de chorar. Acho que foi meu maior público até agora, por isso estou super ansiosa pra essa abertura do carnaval. Será que vai ser tão emocionante como foi o réveillon? Fico toda arrepiada.

Como se sentiu quando soube da confirmação do show no polo do Marco Zero?
Meu Deus… Eu quase caí pra trás, pois não estarei lá só por mim. Vou estar representando um movimento que merece estar lá, que representa o som da cidade. São muitas pessoas que trabalham muito, se dedicam demais a fazer boa música para pessoas e que não possuem tanto reconhecimento. Tenho certeza que todo mundo vai se sentir representado lá.

O que pode adiantar do show? Será uma abordagem da sua carreira toda?
Vai ser um show muito elétrico e com muita euforia, pois é isso que as pessoas querem no carnaval. Posso adiantar que vamos ter sim nossos grandes sucessos, além muitas homenagens a grandes nomes que fizeram e fazem a história de sucesso do carnaval do Recife.

Ainda existe algo que você deseja muito realizar na sua carreira?
Quero ser reconhecida pelo meu trabalho em todos os lugares. Mas isso não é por mim. O meu pai foi um grande incentivador, mas só me viu cantando uma vez. Ele foi atropelado quando estava indo trabalhar e faleceu. Morávamos em Olinda e ele ia trabalhar de bicicleta ainda de madrugada. Por isso, quero fazer ele sentir orgulho de mim onde quer que esteja.

Confira a programação completa da noite de abertura
18h Cortejo
19h às 20h20 Antônio Nóbrega
20h40 Maestro Edson Rodrigues e convidados
22h Maestro Forró e convidados
23h20 Musa
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