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Noite para os tambores silenciosos de Olinda acontece na próxima segunda-feira

Publicado em: 14/02/2020 19:19 | Atualizado em: 14/02/2020 20:55

 (Foto: Arquimedes Santos / PMO)
Foto: Arquimedes Santos / PMO

Dez nações de Maracatus de Baque Virado reverenciam seus ancestrais na 19ª Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda, que acontece na próxima segunda-feira (17), às 20h. A concentração será na Praça da Matriz de São Pedro. Em seguida, os grupos sairão em cortejos, passando pelos Quatro Cantos, Amparo e seguem até a Igreja de Nossa Senhora do Rosários dos Homens Pretos, local da celebração. 

A cerimônia nasceu a partir das obrigações religiosas dos maracatus de Olinda com o objetivo de saudar e pedir proteção aos orixás antes da folia de Momo. A comunidade da Xambá completa 90 anos e será a homenageada da celebração. Pela primeira vez, o babalorixá Ivanildo de Oxóssi, que também é o Mestre do Maracatu Estrela de Olinda, será o responsável por conduzir a louvação aos antepassados (eguns). 

A cerimônia é o ápice do encontro e ocorre à meia-noite. Momento em que todos os maracatus rufam suas alfaias em homenagem aos que ajudaram a carregar essa tradição. Desfilarão pelas ladeiras os maracatus: Leão Coroado; Nação Camaleão; Nação Badia; Nação Pernambuco; Nação de Luanda; Nação Maracambuco; Nação Estrela de Olinda, Nação Tigre; Nação do Reis Malunguinho e Sol Brilhante.

História

A presença das populações remanescentes do continente africano ocorreu ainda no século XVI, quando foram trazidos escravos da Guiné, por pedido de Duarte Coelho, para o trabalho nos engenhos. O contingente só cresceu com o passar dos anos e, no início do século XVII, construiu para seu uso a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.  

Esse local se estabeleceu como ponto de reunião para efeito dos cultos da igreja católica, convívio da comunidade negra, troca de saberes e para a realização de suas festas profanas. Com a invasão holandesa, muitos dos escravos foram para o Quilombo dos Palmares, ficando tanto a Igreja como a própria Olinda abandonadas. Em 1715, negros já haviam restaurado o seu espaço, sendo fundada a Confraria de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. 

Das imposições do poder vigente e da resistência cultural dos negros, vieram o sincretismo, que ajustou de maneira crioula os calendários e os ritos de origem africana. O Carnaval, festa do calendário cristão que precede a Quaresma e que é uma licença, uma pausa, é também um momento de expressão das culturas afro-descendentes.
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