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Olinda

Conheça as histórias dos artesãos viajantes da Praça do Carmo

Publicado em: 21/02/2020 12:43 | Atualizado em: 21/02/2020 12:56

 (Foto: Peu Ricardo/DP)
Foto: Peu Ricardo/DP
Márcio Waeny, 25, mora em Caruaru. Cláudio Júnior, 43, na Paraíba. Rayck Oliveira, 24, tem chão no Pará ou no Maranhão. Todos estão em Olinda, comercializando a própria produção de artesanato no carnaval. Entre os artesãos viajantes também tem gente de Minas Gerais e do Uruguai. Quando não estão na Cidade Patrimônio da Humanidade, circulam pelo Recife, em busca de aumentar a renda.

De tanto viajar pelo país, alguns já se encontraram em outros estados. Quando chega a noite, um grupo de 18 pessoas, sendo cinco mulheres, acampa na Praça do Carmo, em Olinda, com duas barracas. Ao amanhecer, precisam desmontar as estruturas. Exigência da prefeitura. Hora de montar os expositores repletos de colares, brincos, pulseiras e insetos confeccionados com arames na praça.

Cláudio, 43 anos, deixou o Exército e partiu pelo mundo vendendo sua arte. Morou em Rio Doce, em Olinda, mas não quis seguir a mesma carreira da família, formada por policiais civis e militares. “Virei hippie para não ser polícia. Nunca bati  nos meus filhos, vou bater nos filhos dos outros?” Cláudio tem nove filhos, o mais novo com 17. Mas não vive com eles. Vem a Olinda apenas uma vez por ano, no carnaval. Aproveita para visitar a mãe, que ainda vive na cidade.

Márcio preparava algo para o grupo comer em um fogareiro improvisado. Aprendeu a fazer artesanato observando artesãos trabalhando na frente da casa onde viveu quando criança, em Caruaru. Já trabalhou com manutenção de máquinas e segurança e concluiu o Ensino Médio. Pela primeira vez, visita Olinda. “Cheguei no dia 2 e somente vou embora na quinta-feira. Por enquanto, as vendas estão indo bem”, comemora. Márcio tem planos de mudar de atividade. Deseja ser biólogo ou veterinário.

Rayck é natural de Brasília. Costuma ficar mais afastado do grupo. Usa arame e plástico (macarrão para cobrir cadeiras)  para construir bicicletas e corações coloridos. As peças são vendidas por R$ 10.  Aprendeu o ofício com o pai, que viveu como hippie e hoje é empresário. Tem conseguido comercializar vinte peças por dia. Para ele, os negócios vão bem. Aos 24 anos, já conheceu 12 estados viajando com artesanato. Um dia, conta, quer mudar de vida. E o cenário, diz ele, precisa ter uma rede, o mar e o surfe. “Sem miséria”, ressalta. Enquanto esse dia não vem, Rayck segue até a próxima parada: Foz do Iguaçu. É isso que chamam de liberdade. 
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