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PROTESTO

Petroleiros ameaçam greve contra fechamento de fábrica de fertilizantes no PR

Por: FolhaPress

Publicado em: 17/01/2020 22:20

 (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A FUP (Federação Única dos Petroleiros) convocou empregados da Petrobras para greve a partir do dia 1º de fevereiro, em protesto contra o fechamento de uma fábrica de fertilizantes da estatal no Paraná. A federação reclama que a medida foi anunciada sem aviso prévio, o que descumpre o acordo coletivo de trabalho.

A nova ameaça de greve é mais um capítulo na crise entre os sindicatos e a direção da estatal, que enfrentaram em 2019 um longo debate sobre acordo coletivo de trabalho da categoria, processo que precisou de mediação do TST (Tribunal Superior do Trabalho).

O fechamento da Araucária Nitrogenados (também conhecida como Fafen-PR) foi anunciado pela Petrobras no início da semana, sob a alegação de que a unidade vem apresentando sucessivos prejuízos. A estatal colocou o ativo há venda há cerca de dois anos, mas não encontrou interessados.

A FUP classificou a decisão de fechar a unidade como "arbitrária e cruel". Segundo a entidade, a medida representa a demissão de mil trabalhadores. "O que estão fazendo na Fafen-PR é um balão de ensaio para demissões em massa em todo o sistema Petrobras", disse, em nota, o diretor da FUP, Deyvid Bacelar.

A federação argumenta que o acordo coletivo de trabalho determina que demissões coletivas ou rotatividade de pessoal devem ser discutidas previamente com os sindicatos. A proposta de greve será avaliada em assembleias entre os dias 20 e 28 de janeiro. 

Nesta sexta (17), a categoria promoveu manifestações pelo país contra o fechamento da fábrica. Segundo a FUP, cerca de 2 mil manifestantes estiveram em frente à unidade, no município de Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

"A paralisação da unidade afeta diretamente mil empregos, mas há pelo menos outras 2.000 vagas que estão ameaçadas os setores de comércio e serviços de Araucária, Curitiba e outros municípios da região metropolitana", disse o diretor da FUP Gerson Castellano.

A Petrobras decidiu sair do setor de fertilizantes e chegou também a suspender as atividades em outras duas fábricas, na Bahia e em Sergipe. Em novembro de 2019, as unidades foram arrendadas à Proquigel Química, por R$ 177 milhões, em contratos de dez anos de duração.
Em nota, na ocasião, a diretora de Refino e Gás Natural da estatal, Anelise Lara, afirmou que a mudança de comando "trará benefícios tanto para a Bahia, quanto para Sergipe, pois abre novas perspectivas para as economias locais".

A estatal estava negociando também a venda de outra fábrica de fertilizantes, ainda em construção, no Mato Grosso do Sul, mas a crise política boliviana atrapalhou o negócio, já que o gás natural usado como insumo pelos novos donos viria do país vizinho.

Os petroleiros ameaçaram com greves no início do segundo semestre de 2019, diante de impasse nas negociações do acordo coletivo, mas recuaram depois que o TST apresentou proposta acatando algumas das demandas dos sindicatos.

Na época, a Petrobras chegou a anunciar corte de benefícios previstos no acordo coletivo, migrando os contratos de seus empregados para os padrões da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

Procurada, a Petrobras ainda não se manifestou sobre a nova ameaça de greve.
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