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LUANDA LEAKS

Investigação jornalística denuncia que mulher mais rica da África roubou sua fortuna

Por: AFP

Publicado em: 20/01/2020 16:02

 (Foto: M. Riopa/AFP )
Foto: M. Riopa/AFP
Uma equipe de investigação jornalística publicou documentos no domingo que mostrariam como a mulher mais rica da África, a angolana Isabel dos Santos, desviou centenas de milhões de dólares em dinheiro público para contas pessoais em paraísos fiscais.

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), com sede em Nova York, foi o autor do vazamento de 2016 de documentos confidenciais sobre paraísos fiscais conhecidos como "Panamá Papers".

O último episódio da investigação, chamado "Luanda Leaks", se concentra em Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que passou 25 anos no poder no país petrolífero africano.

O Ministério Público de Angola congelou as contas e os ativos da empresária de 46 anos e de seu marido, o congolês Sindika Dokolo, no mês passado, o que ela descreveu como vingança política infundada. 

O procurador-geral, Helder Pitra Gros, disse nesta segunda-feira que está determinado a "usar todos os meios" para levar Dos Santos a Angola". Ela vive entre Londres e Dubai. 

"Ativaremos todos os mecanismos internacionais para trazer Isabel dos Santos de volta ao país", disse Pitra Gros, entrevistado pela rádio nacional. 

Segundo o ICIJ, "com base na análise de mais de 715.000 documentos", a investigação "evidencia as falhas do sistema regulatório internacional que permite às empresas de serviços profissionais servir aos poderosos praticamente sem fazer perguntas". 

O grupo disse que uma equipe de 120 jornalistas em 20 países localizou os vestígios de "como um exército de empresas financeiras ocidentais, advogados, contadores, funcionários do governo e empresas de gestão ajudaram (Dos Santos e Dokolo) a esconder ativos das autoridades fiscais".

"Caça às bruxas"
Dos Santos recorreu ao Twitter para refutar as alegações, postando cerca de trinta tuítes em português e inglês, acusando jornalistas que participaram da investigação de contar "mentiras". 

"Minha fortuna é construída com meu caráter, minha inteligência, educação, minha capacidade de trabalhar, perseverança", escreveu. 

Ela também acusou a SIC-Expresso, rede de televisão e jornal portugueses e membro do ICIJ, de "racismo e preconceito (...) remanescente da era colonial em que um africano nunca poderia ser considerado igual a um europeu".

O advogado de Dos Santos minimizou a informação da ICIJ e classificou-a como um "ataque coordenado" orquestrado pelos atuais dirigentes do país, em um comunicado replicado pelo jornal britânico The Guardian.

Dos Santos disse à BBC África que a informação é parte de uma "caça às bruxas" destinada a desacreditá-la, assim como a seu pai.

A filha do ex-presidente dirigiu a companhia nacional de petróleo de Angola, Sonangol. A revista Forbes estimou no ano passado sua fortuna em 2,2 bilhões de dólares.

O sucessor de seu pai, João Lourenço, obrigou-a em 2017, pouco depois de assumir a presidência, a se demitir da petroleira. 

Dos Santos disse nesta quarta-feira que considera se candidatar à presidência na próxima eleição em 2022.

Consultores ocidentais
Segundo a investigação da ICIJ, empresas de consultoria como a PwC e a Boston Consulting Group "aparentemente ignoraram as bandeiras vermelhas" quando a ajudaram a esconder dinheiro público.

"Reguladores do mundo praticamente ignoraram o papel fundamental desempenhado por profissionais ocidentais em manter a indústria dos paraísos fiscais que permite lavar dinheiro e desviar fundos dos cofres públicos", diz o relatório.

Os documentos incluem cartas que apontam como os consultores buscaram formas de abrir contas bancárias não transparentes.

Um documento confidencial supostamente redigido pela Boston Consulting em setembro de 2015 mostra o complexo esquema usado pela companhia petroleira para desviar dinheiro para paraísos fiscais.

A investigação também publicou uma apresentação similar de 99 páginas da KPMG.

Nenhuma das companhias mencionadas reagiu à investigação.
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