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Em gesto a Bolsonaro, EUA apoiam candidatura do Brasil na OCDE no lugar da Argentina

Publicado em: 14/01/2020 22:57 | Atualizado em: 14/01/2020 23:02

Foto: Jim Watson/AFP (Foto: Jim Watson/AFP)
Foto: Jim Watson/AFP (Foto: Jim Watson/AFP)
Em um gesto ao governo Jair Bolsonaro, os Estados Unidos vão formalizar que consideram uma prioridade o ingresso do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Segundo disseram interlocutores à reportagem, os americanos entregaram uma carta à organização oficializando que querem que o Brasil seja o próximo país a iniciar o processo de adesão à entidade.

Na prática, a ação americana significa que Washington defende que o Brasil ocupe a vaga que era da Argentina na fila de postulantes a um lugar no chamado clube dos países ricos.
"Os EUA querem que o Brasil se torne o próximo país a iniciar o processo de adesão à OCDE. O governo brasileiro está trabalhando para alinhar as suas políticas econômicas aos padrões da OCDE enquanto prioriza a adesão à organização para reforçar as suas reformas políticas", disse a embaixada dos EUA em Brasília.

Em outubro, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, enviou um documento ao secretário-geral da entidade, Angel Gurria, em que dizia que Washington defendia as candidaturas imediatas apenas de Argentina e Romênia. A ausência do Brasil naquele documento gerou queixas de que o alinhamento de Bolsonaro com o presidente Donald Trump não estaria trazendo os resultados esperados. Embora a reação negativa no Brasil tenha levado Pompeo a dizer que a carta não representava "com precisão" a opinião americana, a falta de um endosso mais explícito acentuou as críticas em Brasília contra o alinhamento com os EUA.

Agora, a formalização do apoio foi costurada em Washington justamente para rebater os argumentos de que o Brasil não estaria recebendo nada em troca das concessões feitas aos americanos. Preocuparam os americanos, por exemplo, declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), contra a política de alinhamento automático do Brasil com os EUA.

"A nossa decisão de priorizar a candidatura do Brasil como o próximo país a iniciar o processo é uma evolução natural do compromisso reafirmado pelo secretário de Estado e pelo presidente Trump em outubro de 2019", acrescentou a missão diplomática.
A candidatura do Brasil à OCDE vinha sendo trabalhada desde o governo do ex-presidente Michel Temer e se tornou uma prioridade da atual administração.

Na visita oficial de Bolsonaro a Washington, em março de 2019, Trump afirmou apoiar as pretensões do Brasil. Mas desde então a falta de compromissos mais claros dos americanos e a carta de Pompeo geraram frustrações no governo brasileiro.
De acordo com pessoas que acompanham o tema, os EUA querem que o Brasil "fure a fila" e ocupe o local que era da Argentina.

Até o final do ano passado a Argentina era governada pelo liberal Mauricio Macri, o que fortalecia o pleito do país pelo ingresso na OCDE. Com a vitória do peronista Alberto Fernández, os americanos passaram a considerar que as novas autoridades em Buenos Aires deixaram de ver a entrada na organização como uma prioridade.
Isso permitiu que a operação de troca fosse realizada. Apesar do gesto de Trump representar um trunfo para Bolsonaro, o Brasil só efetivamente iniciará o trâmite de adesão à OCDE após o aval dos demais membros -atualmente são 36 países.

Embora a entrada do Brasil conte com amplo apoio, novos integrantes não devem ser aceitos até que a OCDE conclua uma negociação sobre o seu ritmo de expansão. Os europeus, por exemplo, querem que mais países sejam aceitos, enquanto que os americanos advogam por uma ampliação mais moderada. Mesmo com a solução dessa disputa, o trâmite de entrada na OCDE é longo. Interlocutores no governo disseram à reportagem que o processo brasileiro, depois de iniciado, não deve se concluir em menos de três anos.
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