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Seminário mostra as diversas formas da tecnologia assistiva

Publicado em: 03/12/2019 15:33 | Atualizado em: 03/12/2019 15:55

A professora Carolina Longman, surda de nascença, foi uma das palestrantes do seminário com o uso da linguagem dos sinais. Crédito: Leandro Santana Esp/DP
 
A professora Carolina Longman, deficiente auditiva, teve que lutar para quebrar barreiras e se firmar social e profissionalmente. A experiência de vida e conquistas dela foram um dos destaques do 1º Seminário de Tecnologia Assistiva, que começou nesta terça-feira e vai até amanhã no auditório do Sebrae, na Rua Tabaiares, 360, Ilha do Retiro.

Com um canal para surdos no Youtube (Moda Muda), ela leva convidados para debater sobre os mais diferentes temas usando a linguagem dos sinais. O uso da tecnologia na melhoria da comunicação é uma das bandeiras do coordenador do evento, Manuel Aguiar, 71 anos, cego desde os 11, mas não só. A ideia é também mostrar a diversidade da tecnologia assistiva nas áreas profissional, pedagógica, cultural, cidadania, habitação e também para os idosos. Ao todo, foram montadas 11 mesas redondas para os debates nos dois dias do evento.

Em sua apresentação, a professora Carolina Longman contou que nasceu em uma família de ouvintes e foi criada para ser uma surda oralista. Só na adolescência descobriu a existência da libra, a língua dos sinais, e isso mudou a vida dela. “Eu tracei meu caminho convivendo entre surdos e ouvintes e lutando pelos direitos dos surdos e o reconhecimento da cultura surda”, revelou. Atualmente ela é casada, tem dois filhos, é pedagoga e professora de português para surdos. Também é atleta de vôlei da seleção pernambucana para surdos e youtuber.
Manuel Aguiar é o coordenador do 1º Seminário de Tecnologia Assistiva, que segue com programação até esta quarta-feira. Crédito: Leandro Santana Esp/DP

Outro exemplo de sucesso na área profissional, Lúcio José Moreira, cego de nascença, funcionário do Tribunal de Contas do Estado fez, junto com Manuel Aguiar, o primeiro curso de programação para cegos no Nordeste na década de 1980. Lúcio foi depois aprovado em um concurso para o TCE e Manuel já era funcionário da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). “Eu tinha feito um curso de programação para cegos em São Paulo e consegui trazer o mesmo curso para o Nordeste”, revelou Manuel.

Conquistar a independência e se realizar profissionalmente nunca foram os únicos objetivos de vida de Manuel Aguiar. Era preciso mostrar para outras pessoas com limitações específicas, que havia outras possibilidades. Ele foi fundador da Associação Pernambucana dos Cegos e superintendente estadual da Pessoa com Deficiência. “Hoje sou aposentado, mas tenho uma empresa de consultoria na área de acessibilidade e inclusão, a Proacessi”, explicou.

Além das experiências profissionais, a partir da tecnologia assistiva, o seminário aborda também temas sobre os recursos pedagógicos, projetos e protótipos, a acessibilidade com o uso de maquetes e mapas táteis e a independência e autonomia dos idosos. No segundo dia do evento serão debatidos temas como a tecnologia assistiva nos espaços urbanos, escolas e empresas, saúde, cultura e autodescrição e ainda produção cultural institucional para todos. 
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