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Presidente do BC diz que fixar limite do cheque especial é medida técnica

Publicado em: 03/12/2019 11:10

 (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Foto: José Cruz/Agência Brasil
São Paulo - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que as medidas para reduzir os juros do cheque especial seguem critérios técnicos e não representam uma intervenção no mercado. Segundo ele, o teto de 8% estabelecido para os juros de quem utiliza essa modalidade emergencial de crédito constitui uma "medida altamente embasada em questões técnicas" que já vinha sendo discutida com os bancos. Ele insistiu que a decisão tem por finalidade tornar essa linha de crédito mais eficiente e menos nociva aos pequenos correntistas, os maiores usuários de cheque especial. "A ideia é no sentido de aperfeiçoar o mercado. Não existe nenhum tipo de ingerência, de pensamento de que a gente tem que tabelar produto", esclareceu.

Campos Neto justificou as regras do cheque especial durante evento promovido pela Febraban ontem em São Paulo. Durante o discurso de aproximadamente 30 minutos, o responsável pela política monetária explicou que as regras do cheque especial integram um esforço em tornar o crédito mais barato. A redução dos juros se insere em um projeto mais amplo, de implementar uma política monetária mais inclusiva no país.

"O importante é ter uma redemocratização do sistema financeiro, com competição e inclusão, sempre seguindo as leis de mercado". Ao analisar os nove meses a frente do Banco Central, Campos Neto ressaltou dois pontos que considera importantes: a redução de juros de longo prazo, como sinalizando a chegada de maus investimentos em 2020; a "qualidade do crescimento" da economia brasileira, com maior investimento privado do que público. Essa "reinvenção do país com dinheiro privado" é o caminho para estimular um crescimento econômico durável, eficiente e mais socialmente justo. "Não existe crescimento saudável sem inclusão, e não existe crescimento eficiente sem domínio da iniciativa privada", concluiu Campos Neto.

Otimismo
O presidente da Febraban, Murilo Portugal, destacou o otimismo do setor bancário com as perspectivas para 2020. Ele elogiou o empenho da equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes e o "protagonismo" do Congresso na aprovação da reforma da Previdência. Também reconheceu a "condução exitosa" que vinha sendo executada desde o governo Temer e teve continuidade com Roberto Campos Neto à frente do BC.

Em suas considerações sobre as perspectivas econômicas para 2020, Portugal mostrou-se confiante com a tendência de crescimento e recuperação do emprego. Considerou que as incertezas no mercado internacional é que constituem um fator de atenção. "Chegamos ao final de 2019 com esperanças fundadas em dias melhores". Portugal também destacou o "compromisso" do sistema bancário com o desenvolvimento do país.

Portugal não quis comentar as declarações de Campos Neto sobre cheque especial. "Tudo que nós tínhamos a falar sobre isso nós falamos na nota que soltamos sobre o assunto". Na semana passada, logo após o anúncio das medidas pelo Banco Central, a Febraban manifestou "preocupação" com a definição de um teto de juros para a utilização do crédito emergencial.
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