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Polícia desconfia que ataques a ônibus na RMR foram 'condutas isoladas'

Publicado em: 03/12/2019 14:45

O tenente-coronel Marcos Ramalho e o delegado Adyr Almeida detalharam prisões realizadas no último fim de semana, em Olinda e Paulista. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
O tenente-coronel Marcos Ramalho e o delegado Adyr Almeida detalharam prisões realizadas no último fim de semana, em Olinda e Paulista. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)

Os ataques criminosos aos ônibus da Região Metropolitana do Recife seriam atos isolados, sem ligações entre si. Ao menos esse é o entendimento provisório da Polícia Civil, que segue aprofundando o trabalho de investigação. Os nove casos registrados pelas autoridades aconteceram no fim de novembro, chegando a comprometer o funcionamento do sistema de transporte público. Em coletiva realizada nesta terça-feira (3), no Quartel do Derby, as polícias Civil e Militar (PM) divulgaram as prisões de dez pessoas no último fim de semana, sob a suspeita de que iriam atear fogo a coletivos de Olinda e Paulista.

“A gente está aprofundando as investigações. Qualquer motivação trazida à baila será checada. O que posso dizer, hoje, é que são condutas isoladas de certas pessoas, que não têm envolvimento com organização”, explica o delegado Adyr Martens de Almeida, responsável pela delegacia seccional de Paulista. “São ações que foram cometidas em várias cidades e bairros, por motivos diversos. Mas, até o momento, não vemos nenhum tipo de vinculação de forma orquestrada, ordenada”, prossegue.

De fato, só existem três pessoas vinculadas diretamente ao crime, presas praticamente após as ocorrências. Uma em Jaboatão dos Guararapes, com inquérito apurado pelo delegado Bruno Márcio de Amorim Magalhães; e duas em Paulista, apuradas pelo delegado Adyr - um adolescente de 17 anos e um adulto de 22: “O adulto confessou o crime, mas não quis informar a motivação. Não colaborou muito conosco”.

Suspeitas no fim de semana
As dez prisões divulgadas nesta terça foram realizadas pelo 17º Batalhão da PM. No sábado (30), a PM recebeu informações sobre quatro pessoas em Olinda. “Seriam indivíduos reunidos em uma casa, no bairro de Ouro Preto, e que iriam queimar ônibus, além de fazer tráfico. Chegamos à residência informada e, no interior dela, estavam quatro indivíduos”, conta o tenente-coronel Marcos Ramalho, comandante do 17º BPM.

Dentro da casa foram encontradas 90 pedras de crack e R$ 29 - o que configura tráfico, para a Polícia. Mas o que chamou mesmo a atenção foram as dez garrafas de tíner (solvente inflamável) e diversas estopas (panos). “Todos foram conduzidos à delegacia de Olinda, mas preferiram se manter em silêncio. Não prestaram mais informações”, acrescenta Ramalho.
"O que posso dizer, hoje, é que são condutas isoladas de certas pessoas", afirmou o delegado Adyr Almeida. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)
"O que posso dizer, hoje, é que são condutas isoladas de certas pessoas", afirmou o delegado Adyr Almeida. (Foto: Diogo Cavalcante/DP.)

Já no domingo (1), o batalhão foi novamente informado de “movimentação suspeita”, vinda da comunidade de Casinhas, em Maranguape, Paulista. “Os indivíduos estariam se reunindo por lá para seguir até a PE-22, onde fariam um protesto com queima de pneus e, possivelmente, coletivos”, discorre o comandante do 17º BPM. Uma equipe foi mandada até a comunidade, à paisana, para monitorar a movimentação. Outra seguiu uniformizada à rodovia, para realizar a abordagem. 

Na PE-22, a PM deu ordem de parada ao carro onde estavam cinco homens. No porta-malas do veículo tinham 105,1 litros de gasolina, armazenados em dez galões diferentes. “Quando questionamos, nos disseram que era o combustível era para abastecer um trio elétrico, mas pelo que conta, trio elétrico não se abastece com gasolina. Todos foram conduzidos à delegacia de Paulista. Por lá, chegou uma sexta pessoa, que disse ter dado o dinheiro para comprar o material”, pontua Ramalho. Todos os seis foram autuados em flagrante por crime ambiental, mas foram liberados após audiência de custódia.

A suspeita de que esses dez poderiam praticar novos incêndios a ônibus existe, mas ainda está sendo apurada. “Há as prisões preventivas e repressivas. As preventivas, que são essas dez feitas pela PM no fim de semana, são para evitar futuros acidentes ou crimes. E as repressivas de quem cometeu o crime. No decorrer do inquérito, será checado se há relação desses dez com as outras ocorrências”, finaliza o delegado Adyr.
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