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Caso Bernardo: PCDF confirma que corpo encontrado na Bahia é do menino morto pelo pai

Publicado em: 08/12/2019 16:32

Menino desapareceu em 30 de novembro (Foto: Arquivo Pessoal)
Menino desapareceu em 30 de novembro (Foto: Arquivo Pessoal)
A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o corpo encontrado na Bahia, na última quinta-feira (5/12), é do menino Bernardo da Silva Marques Osório, de 1 ano e 11 meses, assassinado pelo próprio pai, Paulo Roberto Osório, 45. A identidade foi confirmada por meio de exames feitos, na noite deste sábado (7), pelo Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA). Amostras biológicas do cadáver, que estava no município de Palmeiras, foram trazidas pela equipe da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), chefiada pelo delegado Leandro Ritt.
 

O material veio em uma aeronave até o Aeroporto Internacional de Brasília, onde foi entregue ao médico-legista, geneticista forense e diretor do IPDNA, Samuel Ferreira. Assim que chegou, no início da tarde, a amostra foi encaminhada para os exames periciais. De acordo com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom), a equipe usou técnicas avançadas de genética forense para concluir o exame em menos de seis horas. Esse foi um tempo recorde para a corporação, segundo nota oficial. 

Assim que o cadáver foi encontrado, no povoado de Campos de São João, a equipe da DRS viajou até a região, distante 1.033 quilômetros de Brasília, na sexta-feira (6/12). A avó de Bernardo, a advogada Juciane Mascarenhas Nascimento, 57, também se deslocou ao local para reconhecer o neto. No entanto, não foi possível fazer a identificação visual, e o confronto de digitais teve resultados inconclusivos. Por isso, a Polícia Civil decidiu realizar os exames de DNA em Brasília. 

Com a confirmação, o corpo de Bernardo será transferido do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Itaberaba (BA) para o DF, onde será enterrado.

Relembre o caso
Paulo Osório sequestrou o filho em 29 de novembro, quando o buscou na creche, na 906 Sul. No carro, entregou um copo com suco de uva ao menino. A bebida estava envenenada com três comprimidos de uma medicação para insônia, que era consumida pelo servidor público. Quando pai e filho chegaram à residência, na 712 Sul, começaram os preparativos para a fuga.

Bernardo passou mal ao menos duas vezes, dentro da casa. Paulo deu banho na criança e, pouco depois, o colocou na cadeirinha de segurança, no veículo dele. Em depoimento aos investigadores da DRS, o homem afirmou que o menino estava dormindo e que a intenção dele era seguir até a Bahia e ficar alguns dias com o filho para dar um “susto” na mãe dele, a advogada Tatiana da Silva Marques, 30.

Paulo relatou que pegou a BR-020, para seguir até ao estado nordestino. No caminho, ao parar num posto para abastecer, notou que Bernardo estava morto. Ele continuou viagem e, após o ponto de divisa entre Goiás e Bahia, deixou o filho e a cadeirinha em um ponto de mata. Policiais civis realizaram buscas na área indicada pelo acusado, na quinta-feira, mas não encontraram o corpo. Tudo indica que o servidor tinha mentido sobre a localidade para que os agentes não chegassem até o corpo do menino.

Desarquivamento
Ao mesmo tempo em que a polícia tentava descobrir se o corpo encontrado na Bahia era de Bernardo, a Justiça desarquivava o processo sobre o assassinato de Neuza Maria Alves. Em 1992, a mulher foi morta com cinco facadas pelo filho, Paulo — pai de Bernardo. O caso estava concluído desde 2004, quando o servidor público do Metrô-DF terminou de cumprir a pena de 10 anos na ala psiquiátrica do Complexo Penitenciário da Papuda. 

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) não informou o motivo de o processo ter sido aberto novamente. No entanto, informações preliminares de fontes do Correio indicam que o objetivo é a revisão de todos os autos do caso, inclusive o laudo de imputabilidade de Paulo Osório — que, por conta do documento, não pôde ser responsabilizado penalmente pelo homicídio da mãe. 

O crime ocorreu há 27 anos na mesma casa em que o servidor público morava atualmente. Ele esfaqueou a mãe, asfixiou-a com uma corda de náilon e, em seguida, colocou fogo no corpo. Em depoimento aos investigadores na época, o acusado afirmou ter confundido a mãe com um assaltante, mesmo após ela ter dito “filho, não faz isso, eu sou sua mãe”.

Ainda à época do caso, uma amiga de Neuza chegou a solicitar aos investigadores da Polícia Civil que Paulo Osório fosse liberado do presídio para comparecer ao velório da mãe. O delegado responsável pelo caso negou o pedido. Além disso, enquanto cumpria a pena pelo assassinato da mãe, o servidor teve habeas corpus rejeitado pela Justiça: laudo psiquiátrico desfavorável ‘’à cessação da periculosidade’’.

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