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Bisneto de Joaquim Nabuco conhece processo do escravo Thomaz

Publicado em: 06/12/2019 15:36 | Atualizado em: 06/12/2019 17:30

O historiador Tácito Luiz Cordeiro Galvão e Pedro Nabuco, no IAHGP. (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)
O historiador Tácito Luiz Cordeiro Galvão e Pedro Nabuco, no IAHGP. (Foto: Leandro de Santana/Esp. DP.)
Bisneto de Joaquim Nabuco, o cineasta Pedro Nabuco conheceu pessoalmente, nesta sexta-feira (6), o processo do escravo Thomaz. O abolicionista defendeu o homem em um processo de assassinato, um ano antes de se formar em direito - o julgamento foi em 1869 e a formatura em 1870. Originalmente condenado à morte, Thomaz teve sua pena convertida graças a Nabuco, passando a ficar em prisão perpétua. 

A documentação foi localizada, na íntegra, dentro do acervo do Tribunal de Justiça de Pernambuco, cedido ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) na década passada. Quem encontrou foi o historiador Tácito Luiz Cordeiro Galvão, diretor de patrimônio do museu, localizado na Boa Vista, área central do Recife.

“Não lembro muito a data exata que encontrei, porque já peguei em tanto documento. Mas foi entre 2002 e 2005. Costumo dizer que o arquivo ‘encontra’ a gente”, relembra Tácito. “Temos em torno de 100 mil documentos nesse acervo e somente uma minoria está catalogado. Creio que possam existir outros papéis que mostram a atuação de Joaquim Nabuco no direito”, acrescenta.

O conteúdo vai de 1740 - ano do documento mais antigo encontrado até agora - até 1981. “Tem muita coisa ali, encaixotada. Decisões judiciais, inventários, testamentos, crimes, denúncias. Ainda falta catalogar para que a gente tome conhecimento das coisas e personagens envolvidos”, discorre o historiador. 

O escravo Thomaz foi processado por ter assassinado um sub-delegado que mandou ele ser açoitado em praça pública e, posteriormente, ter ferido um guarda durante uma fuga. “Eu fiquei sabendo que o processo foi encontrado, mas só pude conhecê-lo agora. Achava que o Thomaz tinha sido libertado com a abolição da escravatura. Mas uma tese defendida pelo historiador André Carlos dos Santos, da UFPE, revelou que ele morreu preso, em uma epidemia de beribéri”, explica Pedro Nabuco.

Visita
Em Pernambuco desde o dia 4, Pedro Nabuco participou do Seminário Internacional Casa-Grande Severina e das comemorações de 45 anos do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade (Cehibra), entidade vinculada à Fundaj. O Cehibra é responsável por cuidar do acervo de Joaquim Nabuco.
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