Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Últimas

Música

'Estamos evoluindo, mas a passos espaçados', diz Pabllo Vittar. Confira a entrevista

Publicado em: 09/11/2019 13:16 | Atualizado em: 09/11/2019 13:17

Foto: Ernna Costa/Divulgação
Pabllo Vittar retorna a Pernambuco neste sábado (9) para o segundo show de sua nova turnê, NPN 2.0, após lançamento em São Paulo. O Espaço Memorial Arcoverde, em Olinda, ganhou uma estrutura apelidada de “Vittarland”, que sediará o evento a partir das 22h. São oito meses que separam a atual vinda da cantora com a memorável apresentação no Rec-Beat, palco alternativo do carnaval da capital. O Cais da Alfândega ficou caótico com a presença da drag queen, que já era uma das principais estrelas do mainstream brasileiro. Mas muita coisa ocorreu nesse período. Agora, Vittar retorna com um ar distinto de pop star da atualidade: ela é uma diva brasileira em processo de internacionalização.

Em novembro, a drag queen de 24 anos venceu o prêmio de Melhor Artista Brasileira no MTV Europe Music Awards (EMA), na Espanha - Anitta havia sido a ganhadora nos últimos três anos. O êxito foi a “cereja do bolo” de um ciclo de eventos internacionais em 2019, como o show no festival Coachella, na Califórnia, e destaque em paradas LGBTQIs pelo mundo. Recentemente, apareceu na lista Novos Líderes da Geração, da revista estadunidense Time.

Pabllo volta com novidades. No início do mês, lançou as quatro primeiras músicas do projeto 111, que inclui parceria com a norte-americana Charli XCX, Flash pose. As demais canções explanam a intenção de versatilidade: Amor de que é um forró estilizado. Parabéns, em parceria com Márcio Vitor (Psirico), é um brega-funk com as mesmas métricas musicais dos produtores recifenses, enquanto Ponte perra é um pop eletrônico com pegada latina.

Entrevista - Pabllo Vittar, cantora
Foto: Ernna Costa/Divulgação
A revista Time te elegeu como uma das “líderes da nova geração”. Por que você acredita que foi elencada nessa lista? Como se sentiu ao aparecer nela?
Eu fiquei muito honrada e feliz. Luto todos os dias por mais igualdade, respeito e união. Uso meu espaço e minha música para representar uma comunidade e ter esse reconhecimento é importante para trazer ainda mais luz a tudo isso. 

Como foi para você estar no EMA, se apresentar e ainda voltar premiada?
Foi um dia muito especial na minha vida e carreira. Ser a primeira drag queen do mundo a ganhar um prêmio no MTV EMA e a primeira a se apresentar nessa premiação é histórico. Esse é também o resultado de muito trabalho e luta. Sempre assisti ao EMA e me imaginava um dia ali. Consegui. Realizarei esse sonho. Por isso sempre digo para que ninguém desista de seus sonhos. Até hoje eu só tenho a agradecer a Deus, aos meus fãs, minha família e equipe por essas conquistas.

A roupa que você usou no tapete vermelho do EMA foi realmente um protesto ao óleo no litoral nordestino? Como surgiu a ideia para aquele look?
Sim, foi um protesto. Assinado pelo meu stylist João [França Ribeiro], o vestido é exclusivo de Rober Dognani. Precisamos falar e agir para mudar o que é necessário.

Sobre seu novo EP: tem pop, forró estilizado, brega-funk. É um desejo seu ser essa artista versátil?
Minha música sempre teve muitas referências de todo tipo de música. Acho isso enriquecedor e ao mesmo tempo traduz muito do que eu gosto de ouvir. Adoro misturar estilos e trazer referências para o meu trabalho.

O forró é gênero musical muito consumido pelo público heterosexual. Acredita que sua investida nesse ritmo é uma quebra de tabu?
Acho triste pensar que é interpretado como quebra de tabu apenas por eu ser uma artista LGBTQ+. Eu faço música para todos, mas sou consciente da importância que é ser uma drag queen no palco alcançando cada vez mais espaço. Espero que tenhamos cada vez mais visibilidade e com respeito aos diferentes talentos.

A faixa Parabéns tem influência do brega-funk do Recife. Você também chegou a dançar o “passinho” no Rec-Beat de 2019. O que acha desse gênero?
Eu acho um gênero muito animado e dançante, combina com a alegria de Parabéns. Sobre o Rec-Beat, foi incrível estar naquele momento ao lado do povo recifense.

Se você pudesse desejar algo para o Brasil agora, o que seria?
Muita coisa! Mais respeito para todos - aos LGBTQ’s, mulheres, crianças, meio ambiente. Mais amor, segurança, igualdade social, liberdade de expressão, responsabilidade e justiça. Acho que estamos evoluindo, mas ainda a passos espaçados, infelizmente. 

Qual é o sentimento de ser uma das maiores popstars do Brasil hoje?
De gratidão aos meus fãs, família e equipe. É uma sensação de que o céu é o limite para qualquer pessoa que sonhe. É uma alegria levar minha música para tantos lugares.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco