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Fernández celebra liberdade de Lula em reunião do Grupo de Puebla

Por: AFP

Publicado em: 09/11/2019 15:36

 (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução
O Grupo de Puebla, que reúne líderes de esquerda da América Latina, comemorou a libertação do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião que recebeu o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, neste sábado em Buenos Aires.

"Estou feliz em ver Lula livre novamente", exclamou Fernández em seu discurso de abertura, junto com a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.

"É sempre necessário estar ao lado daqueles que sofrem alguma injustiça", enfatizou Fernández e recordou a visita que fez a Lula, a quem considera um político perseguido, na prisão durante sua campanha eleitoral.

Fernández também disse que, com a libertação de Lula e com sua eleição na Argentina, uma mudança de tendência começa na América Latina, onde nos últimos anos os governos de centro-direita triunfaram.

"Este será o grupo dos líderes que colocarão a América Latina em pé de novo. Vamos mudar a América Latina", afirmou.

Em tom semelhante, Dilma afirmou: "Para todos nós da América Latina, a vitória de Alberto Fernández muda as condições e reverte a onda conservadora".

Fernández assumirá a presidência da Argentina em 10 de dezembro, com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice-presidente.

Dilma também afirmou estar "feliz" pela libertação de Lula "porque podendo andar livremente pelo Brasil pode trazer de volta a democracia e a paz".

Fernández teve um atrito tenso com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que tinha pedido aos argentinos que votassem no atual governante liberal Mauricio Macri e anunciou que não comparecerá à cerimônia de posse do presidente eleito.

No entanto, Fernández disse neste sábado que "a unidade do Brasil e da Argentina é indissolúvel e nenhum governo de conjuntura pode quebrá-la".

Crises na Bolívia e no Chile
O presidente eleito argentino ofereceu seu apoio ao boliviano Evo Morales, cuja reeleição para um quarto mandato em eleições controversas desencadeou uma onda de protestos nas ruas, aos quais uma rebelião policial foi adicionada na sexta-feira.

"Na Bolívia, existe uma classe dominante que não se resigna a perder o poder nas mãos de um presidente que se parece com os bolivianos", disse, referindo-se ao pertencimento de Morales ao grupo étnico aimará.

Além disso, expressou preocupação com a situação no Chile, mergulhado em um surto social de protestos que não cessaram nas últimas três semanas.

"Gostaria que o Chile recuperasse sua paz. Os chilenos têm uma liderança política esplêndida. Espero que o Chile seja recolocado em um modelo mais igualitário", afirmou.

O conclave de Buenos Aires é o segundo do Grupo de Puebla, formado em julho no México, com Fernández como um de seus principais impulsionadores.

O fórum tenta contrabalançar o Grupo de Lima, surgido como uma iniciativa dos governantes liberais da região contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

No entanto, a situação na Venezuela não foi mencionada nos discursos públicos neste sábado.

A reunião de aproximadamente 32 líderes políticos será encerrada no domingo com uma declaração.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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