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DISCURSO

Em discurso, Lula se refere a Bolsonaro como miliciano e se diz pronto para lutar: 'Estou de volta'

Publicado em: 09/11/2019 15:47 | Atualizado em: 09/11/2019 18:19

 (Foto: Carl Souza/AFP)
Foto: Carl Souza/AFP
Ao retornar neste sábado (9) ao reduto de origem do PT, a região do ABC Paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 74, fez um duro discurso contra a Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, atacou a política econômica do governo federal e se referiu ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) como miliciano.
 
"Eu estou de volta", disse, sob aplausos de militantes. "Estou com mais coragem de lutar do que quando eu saí daqui." Na reta final da fala de 45 minutos, pediu resistência, luta e união da esquerda e avisou: "Se a gente tiver juízo e conseguir trabalhar, a chamada esquerda, que o Bolsonaro tem tanto medo, vai derrotar a ultradireita que nós tanto queremos derrotar". 
 
Em fala forte, que durou mais de 1 hora, Lula mostrou que, além do campo político, também será opositor de Bolsonaro no terreno econômico. Criticou a agenda de reformas e lembrou que o liberalismo no Chile, citando ser um modelo elogiado pelo ministro Paulo Guedes (Economia), elevou a pobreza no país vizinho. Também chamou Guedes de "demolidor de sonhos".
 
Mídia 
O petista repetiu seus ataques à Rede Globo. Quando citou a TV, apontou o helicóptero da emissora que sobrevoava o local. "Vocês não têm dimensão do que significa o dia de hoje para mim. Lá em cima está o helicóptero da Rede Globo de televisão para falar merda outra vez sobre Lula e sobre nós."

"A TV do Silvio Santos (SBT) está uma vergonha, a Record está uma vergonha, a Globo está uma vergonha", disse o ex-presidente, ainda sobre a mídia.

Situação
Lula passou 580 dias preso devido à condenação sob a acusação de aceitar a propriedade de um tríplex, em Guarujá, como propina paga pela OAS em troca de três contratos com a Petrobras, o que ele sempre negou.

Essa condenação, após denúncia da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba, teve a assinatura do então juiz Sergio Moro na primeira instância, a confirmação do Tribunal Regional Federal em segunda instância e a ratificação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que fixou pena de oito anos, dez meses e 20 dias.
Como ainda cabem recursos, o caso ainda não transitou em julgado, e Lula foi solto. 

O petista também foi condenado, até aqui apenas em primeira instância, no caso do sítio de Atibaia. Segundo a decisão judicial, também após denúncia da Lava Jato, ele recebeu vantagens indevidas das empreiteiras Odebrecht e OAS em troca de favorecimento às empresas em contratos da Petrobras. 

As reformas e benfeitorias realizadas pelas construtoras no sítio frequentado por Lula configuraram prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Pelas regras atuais, Lula é considerado ficha-suja, devido a ao menos uma condenação em segunda instância -regra de corte da Lei da Ficha Limpa.

Nas próximas semanas, a Segunda Turma do STF deverá julgar um habeas corpus no qual a defesa de Lula sustenta que Moro, hoje ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL), atuou sem a imparcialidade necessária no processo do tríplex de Guarujá (SP).

Com base nisso, Lula quer que o colegiado anule o processo inteiro. Esse é o julgamento de maior interesse da defesa hoje, já que sem essa condenação Lula pode se tornar elegível, ao menor por ora.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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