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CINEMA

Crítica: Diz a ela que me viu chorar é um retrato potente da fragilidade humana

Publicado em: 19/11/2019 12:25

O documentário está em cartaz no Cinema São Luiz. (Foto: Divulgação/Vitrine)
O documentário está em cartaz no Cinema São Luiz. (Foto: Divulgação/Vitrine)
Lançando olhar sobre a dependência química, o documentário Diz a ela que me viu chorar, em cartaz no Cinema São Luiz (com sessão hoje, às 20h), no Recife, é um potente retrato sobre a fragilidade humana, principalmente de uma população pobre e negra à margem de certas tutelas da sociedade. O longa se passa em São Paulo, entre corredores, quartos e elevador de um hotel social que fazia parte de um programa de ressocialização de viciados em crack. Através do recorte imersivo fruto da direção de Maíra Bühler, somos apresentados a universos afetivos e particulares, que pensam os habitantes do edifício também a partir de suas jornadas, sonhos e paixões.
 
O quarto documentário de Maíra (que dirigiu com parcerias os filmes Elevado 3.5, Ela sonhou que eu morri e A vida privada dos hipopótamos) abarca um lugar antropológico no qual a cineasta tem formação. Para além disso, adota uma visão singular sobre cada história posta ali. Não à toa, a realizadora conta que uma de suas grandes influências foi o português Pedro Costa, um dos mais cultuados diretores contemporâneos, que em seus filmes reflete certas convenções de gêneros fílmicos, pensando além da chave do realismo e da compreensão de uma verdade sobre os retratados.
 
O filme se destaca ao deixar à mostra o próprio fazer cinema, ao não omitir as intervenções da própria equipe, as quebras de quarta parede e a câmera como objeto estranho dentro da organicidade daquele convívio social particular. Quando as portas dos quartos se fecham para a câmera, os limites não são empurrados, e aquela humanidade, já muito prejudicada por tabus sociais, é preservada. Um homem apaixonado, outro que ama o Corinthians, uma mulher que tem seu animal de estimação: adentrando relatos e cenas de verdadeiro convívio humano, Maíra quebra princípios narrativos e estereótipos da própria imagem relativa à subalternidade e dependência química.
 
É um filme pesado, porém afetivo e de visão singular. Por fim, assistimos da sacada dos prédios alguns fogos de artifício. É ano novo. Junto com ele, o fim do programa social. Por 20 meses, 105 moradores viveram no hotel social Parque Dom Pedro, porém o programa acabou, o hotel foi fechado e a maioria das pessoas que participaram no filme agora vive nas ruas. Parque Dom Pedro sempre esteve longe de ser uma utopia, mas através das nuances afetivas de pessoas que se encontravam naquele prédio, foi possível construir uma tentativa de vida melhor, ou ao menos um lugar para se chamar de lar.
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