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Aumento de 6,8% no faturamento mostra otimismo no setor de franquias

Publicado em: 18/11/2019 07:14

O setor de casa e construção civil teve o maior crescimento em 2019 (Reprodução/Pixabay)
O setor de casa e construção civil teve o maior crescimento em 2019 (Reprodução/Pixabay)
Responsável por 2,6% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), o setor de franquias nacional teve um crescimento de 6,1% no primeiro semestre deste ano. Mesmo com as dificuldades na economia brasileira, o faturamento continuou em alta nos meses seguintes, passando de R$ 47 bilhões entre julho e setembro, o que anima o segmento para as vendas de fim de ano. 

Após uma oscilação nos últimos dois anos, o setor se solidificou em 2019 e cresceu em todas as esferas. O estudo Desempenho do Franchising Brasileiro, divulgado recentemente pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), revelou que os 11 segmentos listados pela entidade tiveram um desempenho positivo neste ano. No acumulado de 12 meses até outubro, o setor arrecadou cerca de R$ 182 bilhões, um aumento de 6,8% em relação a 2018, que foi de 6,3% no mesmo período.

Os setores que tiveram maior destaque foram de Casa e Construção (9,1%), Moda (8,6%), Comunicação, Informática e Eletrônicos (8,3%), Hotelaria e turismo (7,2%). Além disso, O franchising é um dos setores que menos fecha lojas. Segundo o estudo, o índice de abertura de lojas no terceiro trimestre foi de 4,3%, contra o fechamento em 1,4%. O levantamento da ABF aponta a criação de 1,342 milhão de postos de trabalho formais neste trimestre, uma alta de 4%. No fim do ano passado, 56 milhões de pessoas estavam empregadas graças ao setor de franquias. 

O franchising compõe uma gama variada de negócios. É possível encontrar até unidades móveis e com investimentos de R$ 400. Para especialistas, este é um modelo que abraça dois tipos de empreendedores: quem tem vontade de investir nas próprias ideias e se tornar um franqueador; ou quem prefere investimentos de baixo risco, com marcas mais consolidadas. Segundo especialistas, o segmento mais crescente é o de alimentação, mas serviços de estética e ensino de idiomas também estão em alta.

Denis Santini, autor do livro Marketing para franquias, avalia que o franchising está mais democrático por conta da diversidade que o mercado oferece. “A franquia é uma opção para iniciar a vida empreendedora. Nas microfranquias, por exemplo, os jovens interessados em empreender e sem experiência profissional podem contar com os processos e aprendizados dos franqueadores o que é incrível. Serviços para a geração prateada (nova nomenclatura para 60+) também começam a ocupar um espaço relevante”, explica Santini.

Fábio Spina, diretor de Operações da Casa do Construtor, primeira franquia brasileira especializada na locação de máquinas e equipamentos de pequeno porte para a construção civil, atribui a melhoria no segmento de construção momento da economia brasileira. Segundo ele, a conjuntura desafiadora levou o público a dar mais valor para o conforto do que ao gasto com supérfluos. Spina explica que em 2019 houve um aumento de 24% das vendas e a maioria (60%) da clientela são pessoas físicas. “São donos e donas de casa que estão realizando pequenas reformas, adequações e manutenções em suas residências, já que temos muitos equipamentos de pequeno porte. Ou seja: quem não troca de casa faz melhorias”, aponta.

No segmento de vestuário, o segundo com maior alta, a razão para o crescimento é a procura do consumidor por marcas que “estejam cada vez mais preocupadas em democratizar a moda de forma a aliar qualidade e durabilidade com preço justo”, segundo o diretor de expansão do Grupo Hope, Elton Deretti. Ele também destaca a aproximação das marcas com os clientes, por meio de lojas on-line, pontos de vendas diferentes dos shoppings a fim de facilitar o acesso aos produtos e proporcionar uma nova experiência de consumo.

Segundo a ABF, a inflação baixa  encoraja as pessoas a consumirem mais. “Com as taxas e juros em queda, as pessoas estão dispostas a consumir um pouco mais. É isso que pode fazer o crescimento”, aponta Maia. O estudo de desempenho do franchising também revela a expectativa de fechar o ano em 7%. “Mas pode ser que cheguemos a 8%”, estima André Friedheim, presidente da ABF. Ele acrescenta que a melhora do quadro econômico geral e, principalmente, as reformas estruturantes, serão os fatores decisivos para a acelerar o crescimento do franchising. 

» Congresso atualiza lei do franchising
O Senado Federal aprovou em 6 de novembro o marco regulatório do franchising, atualizando a lei federal 8.955/94, que dispunha sobre os contratos de franquias, mas ainda precisa do aval presidencial. Segundo a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), que relatou a proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o novo marco contribui para a modernização da lei gerando maior segurança jurídica entre as partes ao assinarem um contrato. “De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias movimentou R$ 174,84 bilhões em 2018. Este crescimento só pode ser explicado pela competência e obstinação. Hoje, na verdade, os franqueados e franqueadores querem uma harmonia de convivência. Acabou aquela relação de patrão e empregado. Na verdade, são parceiros tanto os franqueadores como os franqueados, trabalhando em união pela comunicação, pela divulgação dos seus produtos e de suas lojas, e hoje nós somos o quarto no mundo em termos de tamanho do franchising”, afirmou a senadora.

Mercado promissor
Fabiana Hamada, consultora da Goakira, especializada no atendimento de franquias e empreendedorismo, afirma que as projeções para o setor são muito boas graças ao aumento de novas marcas e à procura por modelos de franquias. “A tendência é aumentar com a estabilidade econômica. Haverá crescimento em todos os segmentos”, analisa.

No entanto, Paulo Mendonça, consultor da empresa Ponto de Referência, recomenda cautela. “A pessoa precisa escolher a melhor maneira de vender o seu produto. Por exemplo: uma fábrica pode utilizar o modelo de franquia para fazer o escoamento da produção. Porém, a pessoa deve, acima de tudo, se questionar: eu quero isso para a minha vida? Abrir um modelo demanda muito esforço e relacionamento”, alerta.

Wilson Poit, diretor-superintendente do Sebrae de São Paulo, destaca a perspectiva de empreendedor nesse setor: por oportunidade ou por necessidade. Segundo ele, o primeiro é quem tem uma ideia e quer investir nela, o segundo é quem perdeu o emprego ou está entrando no mercado. Na avaliação dele, o momento é favorável para empreender. “Quem vai gerar os verdadeiros empregos são as pequenas e médias empresas. Porém, quem está começando o negócio próprio precisa de muita disciplina e é necessária uma mentoria para direcionar a pessoa”, aconselha.

Hamada também salienta que é preciso observar o perfil do investidor. “Quem quer ser franqueado e não tem muita experiência, o ideal é uma marca e um modelo testado, é para alguém que busca segurança, pois é menos arriscado. Agora, se você é uma pessoa criativa e quer criar seu próprio modelo, invista na sua própria marca”, conclui.

Do consultório à escola de inglês
De dentista a franqueador: em 15 anos, André Belz nunca fechou uma única escola da franquia Rockfeller idiomas. Após voltar de um intercâmbio aos 16 anos, André fez vestibular e passou para odontologia, que era tradição na família. Entretanto, a entrada na faculdade demoraria mais um semestre e, por isso, a mãe dele sugeriu dar aula em cursinho de inglês. Ele se inscreveu em uma vaga, mas ao chegar ao local, o serviço era de vendedor. Para não ficar ocioso, resolveu aceitar. 

Após o período, André se matriculou na faculdade e continuou trabalhando onde, demonstrando suas habilidades como professor, começou a dar aulas. Em pouco tempo, já era o coordenador do curso na unidade. Após alguns anos, já no fim do curso de odontologia, as dificuldades econômicas fizeram a escola de inglês fechar as portas, o que gerou uma janela de oportunidade. André, que chegou a montar um consultório de odontologia, sentou com alguns donos do local e outros amigos e resolveram mudar toda a estrutura acadêmica da empresa. E juntando todos os recursos entre eles, nasceu a Rockfeller idiomas, em 2004. Quatro anos depois, o modelo de franquias se espalhou para todo o Brasil. Hoje, a marca tem 43 escolas espalhadas pelo país e a meta é chegar a 60 unidades em 2019 e cem, em três anos.

Em Brasília, a escola funciona há dois anos e conta com um ponto, na Asa Norte e outro em fase de implantação. Até agora, a rede faturou, em todo o Brasil, R$ 28,3 milhões, em 2018 foi R$ 31 milhões. Para o fim do ano, a previsão é fechar até R$ 34 milhões.

Passo a passo

Dicas para um franqueado
1. Identifique o seu perfil. Faça uma autoanálise e avalie se o modelo de franquias é o seu negócio.
2. Defina objetivos. O que eu quero para a minha vida?
3. Certifique-se de ter recursos suficientes para o investimento e reservas para emergências.
4. Escolha o melhor modelo: você deve se identificar com o segmento e escolher, no mínimo, três marcas.
5. Após  a escolha, procure outros franqueados para saber se é um bom negócio. “A melhor maneira de saber se é bom é  o balcão do cara, ele vai te contar tudo mesmo”,  aconselha Paulo Mendonça.
6. Invista  em treinamento e não se dê por satisfeito somente pelos  conselhos do franqueador.

Dicas para um franqueador
1. Escolha o  melhor canal de vendas: uma fábrica e um micronegócio  também podem ser franquias.
2. Invista no relacionamento com o cliente/franqueado.
3. Defina bem os seus processos. Franquia significa padrão.
4. Faça  um plano de expansão racional e executável.
5. Preveja um fundo de propaganda e a gestão desses recursos.

Dicas para ambos
1. Faça análise mercadológica. A marca tem que ter diferenciais para vender e vencer as barreiras de mercado. Nada de modismo!
2. Tenha um analista financeiro.
3. Contrate um advogado que conheça o mercado de franchising.
4. Não relaxe! Nos primeiros meses esteja muito disposto, pois haverá muito trabalho.
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