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Estudantes fazem campanha para conseguir passagens aéreas e disputar Olimpíada de História

Publicado em: 13/08/2019 17:27 | Atualizado em: 13/08/2019 17:45

Grupo montou brechó na Fcap para arrecadar dinheiro. Foto: Arquivo Pessoal
Um grupo de alunos da Escola de Aplicação do Recife, vinculado à Universidade de Pernambuco (UPE), iniciou uma corrida contra o tempo para conseguir participar da fase final da 11ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). O grupo de 30 estudantes e seus professores deveriam viajar para a cidade de Campinas, em São Paulo, na próxima sexta-feira (16), mas a participação de todos ainda é incerta por falta de recursos. As equipes chegaram a pedir apoio do Governo do Estado, no início de julho, para bancar a compra de todas as passagens aéreas. Nesta semana, porém, receberam a negativa para a compra de 15 passagens.

Os estudantes se classificaram na seletiva da olimpíada no fim de junho. Das 12 equipes classificadas, duas ganharam automaticamente as passagens. Uma porque atingiu a melhor pontuação na seletiva estadual. A outra, por conseguir a melhor pontuação na seletiva do Nordeste. As outras 10 equipes passaram a depender de arrecadação autônoma de recursos para competir. Cada equipe é formada por três estudantes. No último dia 3 de julho, os professores responsáveis pelo grupo enviaram um ofício à Secretaria de Educação e Esportes no qual detalha a importância da classificação e solicitam apoio para a aquisição de passagens para 30 estudantes e uma funcionária da escola, a diretora adjunta.

A viagem está programada para acontecer entre os dias 16 e 18 deste mês, da próxima sexta ao domingo. Contudo, de acordo com o professor Dayvison Freitas, o retorno da Secretaria Estadual só chegou na última segunda-feira (12). “Fomos a escola com o maior número de equipes classificadas. Ficamos esperando a resposta e cobrando, desde a semana passada, e eles dizendo que estava em análise. Na segunda à tarde, fomos informados que só disponibilizariam 15 passagens”, afirmou.

Segundo ele, como a resposta da secretaria chegou a quatro dias da data da viagem, os valores das passagens já estão muito acima do possível de ser bancado pelos alunos. “Procuramos a ida e a volta e estavam R$ 2,5 mil por pessoa. Muitos pais não têm condições. Chegamos a fazer uma reunião de emergência, mas como o valor ficou muito alto, muitos pais não podem pagar”, disse. Desde que souberam da classificação, os estudantes e mobilizaram para realizar bazares e rifas. Chegaram a sortear camisas autografadas dos times de futebol locais (Náutico, Sport e Santa Cruz) e do timo do Porto, de Portugal. Além de uma viagem para João Pessoa. “Não esperávamos que, em cima da hora, eles fossem disponibilizar as passagens apenas para parte dos alunos. Isso gerou uma frustração muito grande”, acrescentou o professor.
 
Essa é a oitava vez que a Escola de Aplicação participa do evento, mas a primeira em que os custos em transporte não são cobertos integralmente. "Todo ano é uma luta para levantar recursos para hospedagem e alimentação. Minha equipe ganhou passagem da própria Olimpíada, mas a maioria dos estudantes não tem condições de arcar com estes custos" conta a aluna Manuela Silvestre, de 17 anos, classificada entre os melhores de Pernambuco. "Isso deveria ser bom para o Estado, esses alunos sendo escolhidos, o reconhecimento. Achamos que seria comemorado." 

Estudantes se classificaram para a fase final da competição em junho deste ano. Foto: Arquivo Pessoal

Até então, o grupo havia arrecadado cerca de R$ 15 mil, de um orçamento total de R$ 20 mil, para bancar hospedagens e alimentação. Os alunos que serão custeados pela organização do evento viajarão às 10h da sexta-feira. Os outros, ainda não sabem. “Esse é o oitavo ano que a escola participa. No ano passado, conseguimos passagens para 36 pessoas. Nesse, quando conseguimos uma pontuação até melhor, não ocorreu o mesmo”, lamentou Dayvison.

Os alunos classificados para a olimpíada têm entre 14 e 17 anos. “Foi um choque, mas a gente não tem nem tempo para lamentar direito. Amanhã já é quarta-feira. Estamos partindo da perspectiva de que só teremos passagens para 15 pessoas e tentando viabilizar o resto”, detalhou o professor de história Alberon Lemos. Tanto Alberon quanto Dayvison receberam subsídios para viajar, em função da classificação das equipes como melhor do estado e do Nordeste, e ficarão até o dia 23 em Campinas. Por isso, o grupo também requisitou a passagem da diretora adjunta. “Nos preparamos com carga horária, aulas voltadas para as olimpíadas. Agora, temos que correr por um lado para arrecadar o dinheiro e por outro para garantir que os alunos estejam tranquilos para fazer as provas. Estamos tentando blindá-los para que eles não se preocupem”, disse Alberon.

Em nota, a secretaria de Educação e Esportes (SEE) afirmou que “proporciona a emissão de passagens aéreas com a finalidade de auxiliar os estudantes e professores convidados a participar de apresentações de trabalhos científicos ou culturais, competições e premiações fora de Pernambuco e até mesmo do Brasil”. O órgão afirmou, entretanto, que “como reflexo da melhora dos indicadores da educação no Estado, cresceu bastante a participação dos jovens em eventos desta natureza e, para garantir o máximo de apoio possível aos estudantes da Rede Estadual em todas as regiões de Pernambuco, a SEE instituiu a portaria nº 1202, que estabelece as diretrizes para este tipo de apoio. Nela fica estipulado em cinco o limite máximo de equipes beneficiadas com a emissão de passagens por evento realizado no Brasil. A portaria foi publicada em março de 2019 e seu conteúdo repassado às escolas da rede”. Ao fim da nota, o órgão esclareceu que atendeu a solicitação da escola dentro do prazo.

Os professores informaram que tinham conhecimento da portaria, mas que reafirmaram isso no ofício enviado à secretaria e pediram uma análise da proposta, com base nos resultados obtidos. A maior queixa do grupo é que a resposta do órgão chegou muito perto da data da viagem. 
 
Como doar 

Alunos e professores têm três dias para arrecadar dinheiro e poder viajar para São Paulo. Interessados em ajudar devem entrar em contato com o professor Alberon Lemos através do número (81) 9 9830-1778. Doações também podem ser feitas na seguinte conta bancária: 

Banco do Brasil 
Agência: 1509-1 
Conta poupança: 619.007-3
Variação: 051
CPF: 056.494.604-42
Dayvison da Silva Freitas  

  
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