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CINEMA

A Invenção de Tatuagem: livro revela bastidores e processo criativo de Hilton Lacerda

Publicado em: 19/11/2021 19:45

O lançamento do livro acontece neste sábado (20) após sessão especial de 'Tatuagem' no Cinema da Fundação do Derby (Foto: Divulgação)
O lançamento do livro acontece neste sábado (20) após sessão especial de 'Tatuagem' no Cinema da Fundação do Derby (Foto: Divulgação)
A consolidação de uma cinematografia marcante passa não somente pela produção de filmes, mas pelos registros documentais de seus processos de criação. Foi com esse intuito de registro que os pesquisadores Marcos Santos, Paulo Cunha e Georgia Cruz se uniram para a construção do livro A Invenção de Tatuagem, que conta o processo criativo do cineasta pernambucano Hilton Lacerda durante os bastidores do clássico moderno Tatuagem (2013). O lançamento da Cepe Editora acontece neste sábado (20), às 17h, no pátio térreo da Fundaj do Derby. Para acompanhar o evento, o Cinema da Fundação preparou ainda uma sessão especial de Tatuagem, às 15h, com a presença de Hilton e dos produtores João Júnior e Nara Aragão. A entrada é gratuita, mas a sala terá limite para 100 pessoas devido às restrições sanitárias.

Afinal, Tatuagem é um melodrama ou um musical com Johnny Hooker? O que o grupo de teatro Vivencial tem a ver com o fictício Chão de Estrelas? Existe um personagem inspirado no intelectual Jomard Muniz de Britto? Essas são algumas das perguntas que o livro promete responder, em um rico acervo de fotos de bastidores, artes conceituais da produção, relatos e arquivos, ordenados no projeto gráfico de Sandra Chacon. A edição ainda traz, como peça valiosa, a versão final do roteiro na íntegra e uma apresentação assinada por Jomard.

A ideia da pesquisa surgiu em 2011, quando Marcos havia terminado a graduação em Radialismo e TV na UFPE e estava empenhado em ler roteiros e descobrir como eles viravam filmes de fato. “Soube que Hilton Lacerda iria dirigir o seu primeiro longa. Então levei a proposta de pesquisa para Paulo Cunha. Passei na seleção do mestrado e me dediquei inteiramente ao projeto”, conta Marcos. O material reunido foi tão grande, que eles optaram por desenvolver a pesquisa para um livro. Para Paulo, a ideia foi uma oportunidade de testemunhar a história cinematográfica sendo escrita. “Nós tínhamos uma crítica ao modo como a pesquisa acadêmica sobre cinema opera normalmente, cuidando sobretudo de observar os filmes já prontos. Como nossa ideia era entender o processo criativo, queríamos muito olhar desde o início”, explica.

O set de Tatuagem foi uma experiência de troca com o saber acadêmico (Foto: Divulgação)
O set de Tatuagem foi uma experiência de troca com o saber acadêmico (Foto: Divulgação)

Nos bastidores
Após conversas com o diretor e os produtores do filme, foi acordado então que Marcos iria acompanhar todo o processo no set, desde o primeiro dia de filmagens até o último corte da montagem e a exibição teste. “O que mais me impressionou foi a integração entre todos os componentes, a forma como a equipe estava completamente afinada e respirando o filme”, relata Marcos. Devido ao clima de colaboração nos bastidores, Marcos não apenas observou e anotou tudo, mas acabou participando também como figuração no filme.

Essa presença vigilante, porém, não chegou a incomodar Hilton, que inaugurava na direção. “Tinha uma lógica de troca dentro da produção de Tatuagem em que chamamos a universidade para dentro da produção. Por exemplo, a maioria do público do teatro Chão de Estrelas eram estudantes de cinema, que iam ver como funcionava um set de verdade. Tudo isso fazia parte dessa troca de formação”, contou o diretor e roteirista em entrevista ao Viver.

Desde o começo, o realizador deu acesso à equipe e compartilhou materiais, como tratamentos de roteiro e anotações pessoais. Para Hilton, a exposição do seu processo criativo não o assustou, já que “por mais que você fale e dê visibilidade sobre o processo criativo, tem coisas que são mais internas. Eu não consigo fazer nada que não seja provocado por algum tipo de incômodo com o mundo à minha volta. Acho interessante desmistificar alguns processos, o que ao mesmo tempo não os facilita”.

Registro documental
Focado na ilustração do método, o livro ainda aborda o trabalho de outras peças-chaves para a criação desse universo, como a diretora de arte Renata Pinheiro e a figurinista Chris Garrido. Para cinéfilos e fãs de Tatuagem, o livro é um poço de curiosidades, porém para cineastas aspirantes e estudiosos do audiovisual, ele também carrega um grande valor de pesquisa e documento, em um tempo no qual a preservação da memória cinematográfica tem sido vítima de displicência. “Temos uma cinematografia muito valiosa no Brasil dos últimos 25 anos e é muito importante que isso seja de alguma forma salvaguardado para novas gerações. Não como exemplo a ser repetido, mas como referência para entender de que forma essas coisas aconteciam e os projetos utilizados”, afirma Lacerda.

O livro é voltado não apenas para os fãs do filme, mas para pesquisadores interessados nesse momento de produção audiovisual (Foto: Divulgação)
O livro é voltado não apenas para os fãs do filme, mas para pesquisadores interessados nesse momento de produção audiovisual (Foto: Divulgação)

O lançamento do livro também marca algumas coincidências curiosas acerca do filme Tatuagem. Inspirada no grupo Chão de Estrelas, mas modernizando seus conceitos no tempo e no espaço, o último episódio da série produzida pelo Canal Brasil sobre a trupe estreou cerca de dez anos depois do início das gravações do filme. O hiato de uma década também se repete agora com o lançamento do livro em relação ao fim das filmagens. 

Essas obras provam que o universo do filme continua a cativar e provocar o público, mas Hilton acredita ser o resultado de um contexto maior. “Mesmo levando em consideração que se passou uma década, a construção narrativa manteve algum frescor e interesse no sentido de manter viva a curiosidade e busca pela linguagem. Não acho que isso é um mérito do Tatuagem, mas da cinematografia que vem se expandindo com uma importância muito grande desde a chamada Retomada. Brigamos tanto para que isso se mantivesse e a publicação de alguma forma vem para reforçar essa ideia”, finaliza.

SERVIÇO:
Lançamento de A Invenção de Tatuagem
Quando: Neste sábado (20), às 17h
Após sessão especial de Tatuagem, às 15h (entrada gratuita)
Onde: Fundaj Derby
Preço livro: R$ 70 (impresso) e R$ 28 (e-book)
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