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'Shang-Chi e a lenda dos dez anéis' traz protagonista asiático da Marvel

Publicado em: 02/09/2021 07:34 | Atualizado em: 02/09/2021 10:20

 (Foto: Marvel/Divulgação)
Foto: Marvel/Divulgação
Até a pomposidade da batalha final, amplamente comentada na imprensa estrangeira, muitos golpes de mestre vão rolar ao longo da trama de Shang-Chi e a lenda dos dez anéis. Protagonizado pelo sino-canadense Simu Liu (conhecido pela série Kim´s convenience), o novo filme extraído das histórias em quadrinhos chega às telas, hoje, com aquele aspecto de página em branco para o espectador. Não há difusão massiva do herói de origem oriental. Foi justo no ano de falecimento de Bruce Lee, em 1973, que veio a criação de Shang-Chi, pelas mãos de ninguém menos do que o autor Jim Starlin, responsável por colocar no mundo o supervilão Thanos.

Envolvido, no passado, em dramas densos como O castelo de vidro e Luta por justiça, quem assume a direção do novo filme de aventura é Destin Daniel Cretton. No roteiro, ele colabora com David Callaham (do filme de pancadaria Os mercenários e ainda de Mulher-Maravilha 1984) e Andrew Lanham (do faroeste Billy the Kid, o fora da lei).

Para quem não está familiarizado, quem seria Shang-Chi? A princípio treinado para ser um assassino, ele mal sabe das intenções malignas do pai (que incorpora a efetiva versão de Mandarim, depois de falsos acenos da Marvel, em outros filmes), e encontra abrigo e uma vida mais convencional nos Estados Unidos. Filho de Ying Li (Fala Chen), o herói tem uma irmã (Xialing, papel de Meng’er Zhang), que vive à sombra do resto da família.

Herdeiro de um passado confuso, Shang-Chi havia sido criado numa espécie de fortaleza pelo pai chinês, identificado como Wenwu (a celebridade asiática Tony Leung, mundialmente conhecido por Amor à flor da pele). Uma organização misteriosa, ligada ao submundo, é potencializada por Wenwu. Na tal dezena de anéis do título do filme reside a incógnita das argolas energéticas que amplificam golpes e aumentam poderes de quem as evoca. Uma espécie de subalterno completo a Wenwu, o vilão Punho de Navalha (Florian Munteanu, de Creed II), promete dar trabalho extra para Shang-Chi.

Depois da aproximação e investida na originalidade de figuras como Steven Yeun (com a cultura coreana difundida em Minari) e a diretora Chloe Zhao (premiada por Nomadland), Hollywood, sem abrir mão de efeitos visuais avançados, pretende diversificar, com a exploração de traços culturais alheios. Pelo que já se sabe, há reverência a filmes do naipe de O tigre e o dragão, parte da mitologia oriental é respeitada e há uso de muitos diálogos em mandarim.

Ainda que a nova aventura Marvel acolha mais coreografias físicas de artes marciais, o longa promete se apoiar muito na figura de um dragão. Quem ressurge, entre a galeria de tipos, é Trevor (Ben Kingsley, como visto em Homem de Ferro 3). Claro, que em uma ala de intenções diferenciadas das personagens Katy, a melhor amiga de Shang-Chi, interpretada por Awkwafina e da guerreira Ying Nan (Michelle Yeoh), parente do mestre de kung fu. Ah! Antes de levantar da cadeira, o espectador deve esperar por duas cenas pós-créditos.

O easy rider da besta-fera
Vítima de uma parada cardíaca, em 2019, o ator Andrade Júnior é a presença absoluta, na projeção do filme King Kong en Asunción, dirigido pelo pernambucano Camilo Cavalcante, e que tem estreia no DF que acolheu, em Sobradinho, boa parte dos 73 anos de vida do ator cearense. No longa, Andrade dá vida ao protagonista, um matador de aluguel, que, entre a Bolívia e o Paraguai, tem a trajetória solitária descrita pela morte (num texto em guarany interpretado por Ana Ivanova).
 
King Kong faturou importantes prêmios como o de preferido pelo júri e pela crítica, no 48 Festival de Cinema de Gramado, mas é Cavalcante quem destaca troféus que mais lhe tocaram: “Sem dúvida, os prêmios de melhor ator para Andrade Júnior no Festival de Gramado e no Los Angeles Brazilian Film Festival são dos mais significativos e emocionantes, por reconhecerem a trajetória desse grande artista e ser humano inesquecível”. Quanto à origem e o alimento cinematográfico capaz de abastecer a chama de Camilo Cavalcante, ele é enfático em cercar influências e impulsos. “Vivência, em diversos aspectos, é o que alimenta o meu imaginário e a minha emoção. A inspiração vem da observação da vida, da natureza dos sentimentos e do interesse genuíno por escutar o outro”, avalia.

» Entrevista / Camilo Cavalcante

King Kong en Asunción traz trajetória e errância. Qual o aprendizado com o Andrade Júnior (protagonista que morreu em 2019)?
Andrade é a força motriz desse filme desde o início. Em 2007, o conheci no Festival de Cinema de Nova Iguaçu, na baixada fluminense. Brincando, ele fez a performance do homem-gorila, que despertou em mim a fagulha inicial para pesquisar e criar o roteiro. Durante todo esse tempo, Andrade foi companheiro, um grande amigo e o maior incentivador deste projeto. Esteve presente em todas as etapas, participando ativamente. É muito triste que ele tenha partido em 2019 sem ver a obra finalizada e todo o reconhecimento à sua poderosa interpretação. Mas, agora, com o lançamento do filme, ele revive, luminoso, na tela grande do cinema a cada exibição com todo seu talento e energia.

A América Latina, explorada no filme, se tangencia quando o assunto é cinema?
Somos adestrados a olhar sempre para cima, para o Hemisfério Norte do planeta, condicionados ao consumo e a supervalorização dos produtos culturais da América do Norte ou da Europa. Cada vez mais, é necessário olharmos para dentro, para nossas raízes e reconhecermos a nossa identidade latino-americana, que é muito diversa, mas, que tem em comum uma colonização perversa, violenta, excludente, preconceituosa, que promove injustiças profundas. As consequências são refletidas diretamente no momento que vivemos hoje, quando povos indígenas são dizimados e muito sangue é derramado por conta da questão agrária.

Falar de terceira idade é dialogar com qual público?
Acho que falar sobre a terceira idade do ponto de vista que o filme coloca pode estabelecer um diálogo franco com espectadores de idades diversas. O filme provoca a reflexão sobre quem somos e o que nos tornamos ao longo da vida e o preço alto a se pagar pela ausência de afeto. Onde não existe afeto, o ódio se instala e isso bestializa o ser humano. De certa forma, esse filme é um grito poético, político e periférico.

Outras estreias
 
Uma noite de crime: a fronteira
Terror que mostra um grupo de saqueadores, unidos por uma devoção ao que seja fora da lei, proclamando acerto de contas com a sociedade norte-americana. Direção de Everardo Valerio Gout.

After — Depois do desencontro
Derivado da série After (Anna Todd), o longa traz Tessa (Josephine Langford) empolgada por uma proposta de trabalho que, inesperadamente, desperta ciúmes no parceiro Hardin (Hero Fiennes Tiffin). Direção de Castille Landon.

O matemático
De Thorsten Klein, o filme teve coprodução entre a Polônia, Reino Unido e Alemanha. No Novo México, um promissor estudante dos anos 1940 é envolvido por uma rede de cientistas que integram uma equipe alinhada na criação de bomba nuclear.

O palhaço, deserto
Na última aparição em cinema, André Ceccato está no longa assinado por Patrícia Lobo e que mostra o difícil processo de aposentadoria de um palhaço, num Brasil tomado por problemas como violência doméstica, onda conservadora, incertezas trabalhistas e especulação imobiliária. Integrou a mostra Marché du Film, no Festival de Cannes.
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